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Pode, Arnaldo?

O banqueiro tucano legalizou a propina da empreiteira guardada na Suíça?

Ele foi arrecadador do PSDB e é amigo de Serra (que teria recebido R$ 23 milhões da Odebrecht). Regularizou dinheiro do exterior e escapou de punições por sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro
por Helena Sthephanowitz, para a RBA publicado 08/01/2017 10h55, última modificação 09/01/2017 14h00
Ele foi arrecadador do PSDB e é amigo de Serra (que teria recebido R$ 23 milhões da Odebrecht). Regularizou dinheiro do exterior e escapou de punições por sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro
VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL
José Serra

Serra, amigo de Ronaldo Cezar Coelho, teria recebido de R$ 23 milhões segundo delator da Odebrecth. Pode Arnaldo?

O banqueiro e ex-deputado tucano Ronaldo Cezar Coelho aderiu ao programa de repatriação de recursos para legalizar os milhões depositados no exterior. A repatriação está protegida por sigilo e, como nada vaza quando se trata de tucano, não se sabe se a adesão ao programa de repatriação foi feito antes ou depois de Cezar Coelho ter sido denunciado em delações de executivos da Odebrecht. Se foi depois, estaríamos diante da frase clássica: “Quem deve, teme”. Cezar Coelho pagou 30% do valor que estava no exterior, a título de impostos e multa. Mas preferiu não repatriar o dinheiro

Ao aderir ao programa de repatriação, Cezar Coelho regularizou dinheiro mantido ilegalmente no exterior, que não era passível de ser legalizado, e ainda ficou isento da aplicação de punições relativas a sonegação fiscal, apropriação indébita, crimes tributários, evasão de divisas e lavagem de dinheiro relativa a esses delitos.

A pergunta que não quer calar: Cezar Coelho legalizou a propina? Ou, como diria um locutor de futebol a um comentarista de arbitragem: "Pode, isso, Arnaldo?"

Pedro Novis, atual membro do conselho administrativo da Odebrecht, e o diretor da empreiteira Carlos Armando Paschoal afirmaram em delação a procuradores e à Procuradoria-Geral da República que a companhia repassou R$ 23 milhões (R$ 34,5 milhões, corrigidos pela inflação) em propina à campanha presidencial de José Serra (PSDB), hoje ministro do governo Temer, na eleição de 2010, quando o tucano perdeu para Dilma Rousseff.

De acordo com o relato dos executivos, a propina foi transferida para uma conta na Suíça, depois de acertado com o PSDB e os coordenadores de campanha de Serra, o ex-deputado federal Ronaldo Cezar Coelho (PSDB), amigo de José Serra que emprestava seu avião particular para o tucano usar durante a eleição de 2010. Devido ao bom trânsito no mercado financeiro, teria atuado também como “tesoureiro informal”, segundo participantes do comitê eleitoral, e o amigo de longa data de Serra, o ex-deputado federal Márcio Fortes (PSDB-RJ), um dos fundadores do PSDB nos anos 1980, tendo inclusive presidido o partido no Rio de Janeiro

Com milhões, ou, quem sabe, bilhões, rolando na campanha tucana.

Em 2010, quando Cezar Coelho foi primeiro suplente do então candidato ao senado Cesar Maia (DEM-RJ), apresentou sua declaração de bens ao TSE, contendo algumas curiosidades. Da fortuna declarada de mais de meio bilhão de reais, quase a metade, R$ 228 milhões, está no exterior, nas Ilhas Virgens Britânicas, um paraíso fiscal. (Para relembrar, aqui está uma matéria sobre isso.)

Ao legalizar a dinheirama guardada na Suíça, descobre-se que o banqueiro não guardava a fortuna apenas nas Ilhas Virgens Britânicas.

Quanto ao ex-deputado tucano Márcio Fortes, tesoureiro, com participação importante na arrecadação financeira das campanhas do PSDB (de Fernando Henrique Cardoso, José Serra, em 2002 e 2010, e Aécio Neves em 2014), e que já foi acusado de abrir empresa fantasma para emitir notas frias na prestação de contas de campanha tucanas, não se sabe ainda, se legalizou a fortuna no exterior

Márcio Fortes, integrante da direção nacional do PSDB e ex-presidente do BNDES, é um correntistas do HSBC na Suíça, e foi descoberto no escândalo conhecido como Swissleaks. O tucano abriu duas das três contas quando presidia o Banerj, banco estatal fluminense. Nenhuma consta da declaração de bens entregue ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) em 1998, quando Fortes se elegeu deputado.

A terceira conta foi aberta em 2003 e tinha US$ 2,4 milhões entre 2006 e 2007, período ao qual a lista do Swissleaks faz menção. Essa conta bancária também não consta da declaração entregue na campanha de 2006.

Fortes foi presidente do BNDES na gestão José Sarney, entre 1987 e 1989. Depois de ajudar a afundar o PSDB, assessorou o primeiro candidato tucano à presidência, Mário Covas (1989). Em 1994, foi eleito deputado federal pelo Rio.

Como geralmente acontece em todos os casos de corrupção e propina que envolvem tucanos, a imprensa publica notinhas, em conta gotas. Então, vamos aguardar para conhecer o desdobramento de mais esse caso. Quem sabe ainda neste ano.

Assista também a reportagem da TVT