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Política

Ou juiz libera todos os nomes do PSDB envolvidos em desvios, ou não cita ninguém

Magistrado responsável por audiências sobre corrupção na Petrobras deveria trabalhar para descobrir parlamentares tucanos envolvidos em esquemas e determinar envio do caso ao STF
por helena publicado 22/10/2014 16:25
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Magistrado responsável por audiências sobre corrupção na Petrobras deveria trabalhar para descobrir parlamentares tucanos envolvidos em esquemas e determinar envio do caso ao STF
Gabriela Kossoy/Câmara
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A exemplo de 2009, CPI que tem como tema a Petrobras caminha para desfecho sem resultados relevantes

O braço direito de Alberto Youssef, Leonardo Meirelles, afirmou, em depoimento em  Curitiba, que outros políticos do PSDB, além do ex-presidente do partido Sérgio Guerra, receberam propina da Petrobras pela mão do doleiro a que representa.

Meirelles falou sobre envolvimento de políticos do PSDB em perguntas de seu advogado Haroldo Nater durante audiência com o juiz Sérgio Moro, responsável pelas audiências resultantes da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Quando o advogado perguntou se outros partidos, além  daqueles que ele já havia citado, foram beneficiados com desvios de dinheiro da estatal pelo grupo de Youssef, Leonardo Meirelles respondeu que acreditava que sim, e que sabia do envolvimento do PSDB.

Ao ouvir o vídeo da gravação  do depoimento, causa estranheza o fato de que exatamente quando o advogado pediu mais detalhes sobre quem seria esse político do PSDB do Paraná, um padrinho político local, o juiz interveio, e de uma maneira até estranha. Moro disse algumas vezes que não precisaria identificar os personagens sobre os quais estava falando. Se Meirelles mencionasse o envolvimento de políticos com foro privilegiado, Moro teria de interromper o processo e mandar os autos para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Meirelles confirmou que presenciou uma conversa por telefone entre Youssef e Sérgio Guerra. O ex-senador estaria cobrando uma promessa não devidamente cumprida pelo doleiro.

Em um dos depoimentos da delação premiada sobre o caso da Petrobras, o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa disse que pagou R$ 10 milhões para Sérgio Guerra com o objetivo de esvaziar a CPI a respeito da empresa em 2009. A comissão, que começou de forma ruidosa para investigar supostas fraudes na construção da refinaria de Abreu e Lima, entre outras obras, terminou sem qualquer resultado concreto.

De quatro em quatro anos tem eleições, e é justamente nessas épocas que o PSDB faz CPI que atinge a Petrobras e o calendário eleitoral.

Em 2009 buscou uma CPI como a que faz agora. O requerimento foi de Álvaro Dias. Contou com as assinaturas de apoio dos então senadores Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

Em 2008 já havia a disputa judicial com a sócia Astra Oil pela refinaria de Pasadena, no Texas, que também está sendo citada agora. Ninguém na CPI de 2009 tocou no assunto. O caso tampouco despertou o interesse da velha imprensa, que somente este ano decidiu abordar a questão, e com alarde.

Não se questiona a necessidade de qualquer órgão de Estado ou empresa estatal esclarecer dúvidas levantadas. Mas o que estamos vendo é um esforço dos principais telejornais em não informar pelo menos as partes que já foram esclarecidas pelo delator. E se fossem nomes do partido de oposição ao PSDB, será que a imprensa também não teria tido interesse de descobrir estas identidades?

Não se pode mencionar nomes de parlamentares tucanos pelo fato de se beneficiarem do foro privilegiado, como alegou o juiz Moro. No entanto, é no mínimo estranho que o mesmo juiz empenhado em combater desvios impeça que se dê nomes aos bois e deixe de enviar o processo para o Supremo Tribunal Federal (STF).

A CPI de 2009, no ano anterior às eleições, deu em nada. E, agora, estamos descobrindo os motivos. A CPI desse ano, criada a seis meses das eleições, com parlamentares em campanha, ficando menos tempo em Brasília, levaria a algum resultado edificante? Até agora, não mostrou nenhum resultado, com provas concretas.

Pelo que estamos assistindo, uma CPI, para a oposição do governo, virou instrumento de uso eleitoreiro e encobre interesses escusos, que aos poucos são revelados.

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