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Choque de gestão

Aécio ofereceu a profissionais em Minas um quarto do salário do Mais Médicos

Em evento, senador promete criar carreira nacional de médicos. Não menciona oferta salarial de processo de seleção quando era governador de Minas; e sinaliza que não renovará contratos do Mais Médicos
por Helena Sthephanowitz publicado 06/08/2014 12:34, última modificação 07/08/2014 19:33
Em evento, senador promete criar carreira nacional de médicos. Não menciona oferta salarial de processo de seleção quando era governador de Minas; e sinaliza que não renovará contratos do Mais Médicos
José Cruz/ABR
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Convênio com Organização Pan-Americana de Saúde que trouxe cubanos para o Mais Médicos tem prazo de três anos

O candidato a presidente pelo PSDB, senador Aécio Neves, prometeu criar uma carreira nacional de médicos, caso seja eleito. A intenção foi apresentada durante reunião com associações médicas, na terça-feira (5), em Minas Gerais. O candidato, entretanto, não detalhou a proposta, nem informou como iria implementá-la em curto prazo. Principalmente porque o programa econômico do tucano defende corte de despesas com custeio, e tradicionalmente os governos do PSDB defendem o modelo de terceirização da saúde publica para Organizações Sociais.

Uma pista para entender o que o senador possa entender por carreira nacional é o que o tucano fez no passado quando foi governador de Minas Gerais. Em março de 2010, no final de seu segundo mandato como governador, a Secretaria Estadual de Saúde abriu processo seletivo para contratação de 79 profissionais, entre eles onze médicos especialistas.

O governo Aécio ofereceu salário de R$ 2.679,12 por jornada de 40 horas semanais. E isso para médicos em especialidades como cardiologia, gastroenterologia, neurologia e outras. E para ganhar esse salário, o edital exigia pós-graduação.

Com esse salário padrão 'choque de gestão tucano', pode-se até criar um plano de carreira no papel, mas com certeza os cargos jamais seriam preenchidos, pois o Ministério da Saúde não conseguiu adesão de médicos brasileiros em quantidade suficiente, pagando bem mais (R$ 10 mil mensais) e, por isso, precisou recorrer à contratação de estrangeiros. A oferta salarial é inferior, inclusive, à parcela recebida no Brasil pelos médicos cubanos que vieram para o programa Mais Médicos, do Ministério da Saúde.

Aécio não falou dessa experiência mineira, muito menos do salário de R$ 2.679 à plateia de médicos. Se dissesse, qual seria a reação?

Mas o senador tucano disse que a contratação de "cubanos" tinha "prazo de validade de três anos". É o período do contrato atual, indicando que, se for eleito, não renovará. De fato, o programa Mais Médicos prevê que a contratação de estrangeiros é temporária, e faz parte do programa a formação de mais médicos no Brasil, abrindo mais vagas nas faculdades de Medicina e abrindo novas faculdades em cidades do interior.

edital

Mas para suprir toda a necessidade da população hoje atendida por estrangeiros, isso levará bem mais do que três anos. Basta lembrar que a graduação em Medicina dura seis anos. Assim, as promessas do tucano retirariam a assistência médica recém-conquistada de boa parte da população em cidades do interior e regiões pobre das cidades grandes que não conseguiam oferecer atendimento por falta de interessados.

Faltando dois meses para as eleições, o tucano retirou da cartola uma proposta improvisada: criar 500 centros de especialidades para consultas com especialistas e exames. Convenceria mais se explicasse o que fez neste sentido em seus oito anos de governo de Minas e mais quatro de seu sucessor, já que o SUS é um sistema descentralizado para estados e municípios. Aliás muitos municípios já oferecem este tipo de atendimento, seja distribuído na rede de unidades de saúde tradicional, seja em unidades específicas, como foi feito em Diadema, e está sendo feito na capital paulista.