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Campos e Marina: do 'tripé econômico' à importação da troika

Que dirigentes de bancos privados façam lobby por políticas neoliberais mais interessantes para seus lucros é do jogo. O que causa estranheza é que os políticos do PSB repliquem este discurso
por helena publicado 03/12/2013 15h48, última modificação 03/12/2013 17h24
Que dirigentes de bancos privados façam lobby por políticas neoliberais mais interessantes para seus lucros é do jogo. O que causa estranheza é que os políticos do PSB repliquem este discurso
José Cruz ABR / Arquivo RBA
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Marina e Campos repetem palavras de antigos integrantes da equipe econômica de FHC que hoje atuam no setor privado

O candidato à Presidência da República, Eduardo Campos, e outras estrelas do PSB têm repetido o discurso de alguns dirigentes de bancos privados nas críticas à condução da atual política econômica. Campos e Marina Silva dizem que o tripé macroeconômico formado por meta de inflação, controle fiscal por meio de superávits primários e câmbio flutuante estariam fragilizados, repetindo palavras de antigos integrantes da equipe econômica do governo Fernando Henrique Cardoso, que hoje atuam no setor privado, como os ex-presidentes do Banco Central Armínio Fraga e Gustavo Franco.

O que Armínio Fraga não explica é como a meta de inflação estaria fragilizada se há nove anos ela vem sendo cumprida, enquanto nos quatro últimos anos do governo FHC – em que ele foi presidente do Banco Central –, a inflação estourou a meta em três deles, mesmo com Armínio chegando a aplicar juros cavalares de 45% ao ano.

E o que Gustavo Franco não explica é que nos primeiros quatro anos do governo FHC – em que ele foi presidente do Banco Central –, houve superávit apenas em um ano, e mesmo assim, pífio, enquanto nos governos petistas houve superávit primário robusto em todos os anos. Em 2013, o Brasil será uma das poucas economias do mundo que produzirão superávit. Por fim, o câmbio continua flutuante.

Que dirigentes de bancos privados façam lobby por políticas neoliberais mais interessantes para seus lucros é do jogo. O que causa estranheza é Campos e Marina replicarem este discurso, porque a dosagem da austeridade fiscal e monetária é análoga a ministrar remédios. Se passar da dose vira veneno. No caso da economia, erros na dosagem podem provocar desemprego e recessão.

E causa estranheza ver Campos e Marina desdenharem do quarto pé da economia, aquele que fez a crise internacional virar "marolinha" no Brasil: preservar os níveis de emprego com políticas anticíclicas.

Esse apego somente ao tripé macroeconômico, que é importante, mas não é tudo, lembra a troika aplicada em Grécia, Portugal e Irlanda. A palavra de origem russa é usada no contexto da crise econômica europeia para referir-se à trinca composta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu e Comissão Europeia.

Essa troika impõe políticas de austeridade que fazem o desemprego explodir e travam o crescimento dos países. Há controvérsias se não haveria outros meios de resgatar a saúde das finanças públicas daquela região. Mas, de qualquer forma, a situação daqueles países está mais próxima do que era o Brasil em 2002, quando precisava do socorro do FMI para fechar suas contas públicas.

Parece desastroso dois pretensos candidatos à Presidência da República terem como discurso de programa econômico algo semelhante a importar para o Brasil uma política econômica que joga trabalhadores no desemprego.