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Blog da Helena

por publicado , última modificação 22/05/2013 16:00

Aécio e Campos costuram acordo para derrotar Dilma em 2014

por Helena Sthephanowitz, para a Red Brasil Atual publicado 22/05/2013 16:04, última modificação 22/05/2013 16:59
Campos e Aecio

O governador de Pernambuco e o senador mineiro, em 'encontro de amigos', em março passado, cada vez mais próximos de uma tática conjunta para 2014

O pré-candidato ao Palácio do Planalto, em 2014, Eduardo Campos (PSB), montou  uma espécie de “dobradinha” com o já candidato senador Aécio Neves (PSDB),  para tentar barrar a reeleição da presidenta Dilma Rousseff (PT). Aécio pretende iniciar em breve pelo país a  "caravana da 'privataria'" e para um não invadir o espaço do outro, o nordeste não é prioridade do tucano. Isso porque na avaliação do PSDB, Campos ajudará a tirar votos de Dilma no Nordeste. O senador tucano tem como meta o  Sudeste, mais especificamente São Paulo, atualmente nas mãos do correligionário Geraldo Alckmin.

Antes de, digamos,  "fechar negócio", Campos chegou a sondar o PSDB sobre a possibilidade de Aécio desistir de sua candidatura ao Planalto, lançando o governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), para seu vice numa chapa presidencial. Aécio teria, então, a garantia de concorrer ao pleito em 2018, com o apoio de Campos, que também trabalharia pelo projeto de lei do senador, a ser apresentado no Congresso, acabando com a reeleição.

Na segunda feira (20), o  jornal mineiro Hoje em Dia publicou uma matéria afirmando que vários socialistas confirmaram a ideia, porém recusando declarações oficiais. “Eduardo jamais pediria para Aécio desistir. Acho que a candidatura dos dois é irreversível. Mas se essa situação de entendimento viesse a ocorrer, seria muito bom para o Brasil”, desconversou o deputado federal Júlio Delgado (PSB).

De acordo com a publicação, a equipe de marketing do governador chegou à conclusão de que o cenário eleitoral para a oposição é difícil. Isto porque a presidenta Dilma tem avaliação ótima ou boa por 65% dos eleitores brasileiros. Em 22 de março, o Datafolha mostrou que se a disputa fosse neste ano a presidente seria reeleita com 58% dos votos. Campos teria apenas 6% e Aécio, 10%. O potencial de votos de Dilma alcança 76%.

Pesquisas interna dos partidos (PSDB e PSD) confirmam  os números. Pensando nisso, os marqueteiros de Eduardo Campos concluiram que o governador não tem penetração no Sudeste e Aécio Neves ainda não tem alcance no Nordeste, reduto do pernambucano.

“Hoje, o vice dos sonhos de Eduardo Campos é Anastasia. Além da imagem boa, de bom gestor, ele agregaria Minas Gerais. Se o quadro que Campos idealiza se concretizasse, as eleições não mais seriam decididas no Nordeste, mas no Sudeste”, diz uma fonte.

A proposta será feita, mas aliados de Aécio acreditam que, num primeiro momento, ele a recusará. Em Minas, a candidatura é tida como irreversível. Mas há a possibilidade de, em um cenário desanimador para a oposição, haver uma composição.

Senado

A ideia de Eduardo Campos é ainda tentar unir a ala tucana de São Paulo, que tem rixa histórica com Minas Gerais. Para tentar aparar as arestas, o pernambucano proporia ao ex-governador José Serra a candidatura ao Senado. Se a estratégia fracassar, Campos negociará com o PSDB apoio de candidatos nos estados a ambas as empreitadas presidenciais.

Enquanto passageiros se 'espremem' nos trens, Alckmin faz propaganda da CPTM

por Helena Sthephanowitz, para a Rede Brasil Atual publicado 20/05/2013 16:56, última modificação 20/05/2013 16:57

Os champanhes devem ter estourado nas redações dos barões da mídia quando o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) tirou R$ 30 milhões do Orçamento estadual deste ano para ampliação dos trens metropolitanos da CPTM e resolveu gastar esse dinheiro com propaganda dos trens.

Resta saber se na propaganda vai aparecer vídeos como este gravados por usuários, onde um funcionário da empresa, espreme os passageiros, inclusive uma criança, para conseguir fechar as portas de um trem superlotado.

Eis a  nota publicada no jornal virtual IG: Alckmin tira verba de expansão da CPTM e coloca em publicidade

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), retirou R$ 29,5 milhões do orçamento da ampliação da Linha 9-Esmeralda até Varginha e da implantação do Trem Expresso Jundiaí para arcar gastos com publicidade da CPTM.

A medida foi tomada por meio de decreto publicado no início desta semana no Diário Oficial.

Segundo a CPTM, as obras não serão afetadas com a redução da verba pois estão em fase de pré-qualificação das empresas interessadas em executar os projetos. “As propostas já foram recebidas e agora estão em fase de análise técnica. Portanto, o recurso disponível para este ano é suficiente para cobrir as despesas dessa etapa dos dois projetos”, informou a companhia.

A companhia também informou que a dotação para a publicidade será usada em contratos já em vigor para prestação de informações para os usuários sobre as intervenções no sistema ferroviário, “decorrentes das obras de modernização em andamento, além da comunicação das operações especiais, implementadas pela CPTM, em função de grandes eventos do calendário da cidade, como Virada Cultura, Fórmula I, Réveillon, entre outros”.

A expansão da Linha 9 está orçada em R$ 71.5304,04, o decreto tira R$ 5.550,73 – 8% do total. Já para o trem de Jundiaí orçado em R$ 60.010, foi reduzido R$ 10.949,26 – 18%.

Assista o vídeo que mostra parte do que passam os passageiros dos trens urbanos de São Paulo

Tucano admite voto 'por picuinha' contra a MP dos Portos

por Helena Sthephanowitz, para a RBA publicado 16/05/2013 16:13, última modificação 16/05/2013 17:05
Carlos Sampaio, PSDB

O deputado tucano Carlos Sampaio, capaz de votar contra interesses do povo para atrapalhar o governo

O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (PSDB-SP), apesar de ter se declarado favorável à medida provisória dos portos, disse que votaria contra o texto do governo – surreal! Sampaio afirmou que era a favor porque reconhecia a necessidade de os portos atraírem mais investimentos para expansão, modernização e eficiência. Mas que o PSDB votaria contra porque o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) fez acusações graves contra o também deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o que colocava o processo de trâmite na Câmara sob suspeição, segundo ele.

Incompreensível, se os tucanos realmente concordavam com o texto da MP, deveriam ter votado a favor, e deixar o bate boca entre os outros deputados para ser apurado pela Corregedoria da Câmara ou pela Comissão de Ética e Decoro Parlamentar. Uma coisa não tem nenhum conflito com a outra.

Por isso a explicação não convenceu. Poderia ser apenas uma desculpa para, no fundo, atrapalhar o governo, buscando impor uma derrota, aproveitando-se dos atritos na base governista, devido a emendas inseridas pelo deputado Eduardo Cunha.

Mas o deputado Garotinho enxergou outra coisa, e afirmou em  plenário: "O PSDB está obstruindo, mas por outras razões (...) Eu só estive com o empresário Daniel Dantas uma única vez em toda a minha vida, quando ele era dono do consórcio Opportrans, do metrô do Rio de Janeiro (...) Eu não tenho o telefone dele, mas o PSDB tem. Se quiserem saber o que está acontecendo aqui no Congresso, peguem o telefone e liguem para ele, que sabe mais do que a maioria dos parlamentares".

Como o banqueiro Daniel Dantas explora terminais portuários, e se opõe à MP por perder vantagens traduzidas em lucros, Garotinho lembrou da velha relação dos tucanos com o banqueiro desde a época das privatizações no governo FHC.

Na pior

Como um caminhoneiro, que perde dias de frete nas filas de espera nos portos, vai entender esse jeito tucano de votar contra uma medida que melhoraria suas condições de trabalho?

E como um pequeno ou médio produtor de grãos ou de carne, que acaba exportada, vai entender o voto dos tucanos, se o custo mais alto dos serviços portuários empurra para baixo o preço de sua colheita?

Candidatura de Eduardo Campos volta à prancheta

por Helena Sthephanowitz, para a Rede Brasil Atual publicado 15/05/2013 15:55, última modificação 15/05/2013 15:58
A pré-candidatura do governador de Pernambuco à Presidência da República sempre foi de alto risco para sua imagem. A aposta já pode estar se mostrando uma 'furada'
Eduardo Campos

Eduardo Campos, governador que ensaia salto para tentar a presidência

Segundo noticiado no mês passado, o PSB iria realizar pesquisa após a veiculação do seu programa partidário na TV, que foi ao ar no dia 25 de abril, estrelado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Passados 15 dias, nada se diz a respeito de tal pesquisa. Presume-se que os resultados não tenham sido bons para a pretensa candidatura presidencial, senão seus aliados divulgariam.

Desde então o governador mudou completamente seu comportamento, tendo se recolhido em Pernambuco, sempre fazendo agenda local, percorrendo cidades do estado.

Convidado de honra, declinou de aparecer em eventos que o exporiam na vitrine nacional, como a comemoração do primeiro de maio em São Paulo da Força Sindical. Também não foi no encontro do MD (Mobilização Democrática), nem na tradicional Expozebu, em Minas Gerais, dividir os holofotes com a presidenta Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves.

A pré-candidatura de Campos sempre foi de alto risco para sua imagem construída como aliado às candidaturas presidenciais de Lula e Dilma desde 2006.

Fora de seu estado, ele ainda é pouco conhecido do grande público. Não tem uma identidade política já formada. Mostrou-se no programa de TV como oposição ao governo Dilma, num momento em que a presidenta bate recordes de aprovação popular.

É provável que o programa de TV tenha trazido mais rejeição do que despertado intenções de votos. Para complicar, Campos apresentou-se ao Brasil sem dizer o que fez em Pernambuco, aparentando um currículo vazio. Quem o viu como novidade, ficou com a impressão de que ele não fez nada como governador. Péssima estratégia.

Dentro de Pernambuco, os telespectadores que aprovam tanto Dilma no governo federal como Campos no governo estadual, e os veem como aliados, herdeiros do lulismo, também não devem ter gostado de ver o governador virar oposição. Parece apenas um projeto pessoal do governador, pois Dilma é candidata natural à reeleição. Por que não aguardar até 2018, quando sua candidatura teria razão para existir? Os telespectadores mais ponderados devem preferir ver os governos federal e estadual unidos, coisa que deu tão certo para o estado, de 2006 para cá. E certamente há os que associam o gesto à "traição". Em qualquer dos casos, há um forte desgaste na imagem política.

Além do programa do PSB na TV, as andanças do governador, passando quase a semana inteira fora do estado, também trás desgastes perante a população. Estamos ainda no início de 2013, e Campos ainda tem pela frente quase um ano  com o compromisso de governar seu estado. Haverá tempo suficiente para viajar à vontade em campanha a partir de abril de 2014, prazo para desincompatibilização do cargo. Também, pegou mal para os pernambucanos a declaração de que ele governava pelo "tablet", quando perguntado sobre passar a semana ausente de Pernambuco.

Por esses motivos, é possível que a pesquisa que o PSB escondeu tenha captado queda na aprovação do governador.

Além dos problemas com o eleitor, há os problemas com a articulação política, a começar pelos governadores do PSB. No Ceará, o governador Cid Gomes defende abertamente o apoio à Dilma. No Espírito Santo, o governador Renato Casagrande, e no Amapá, o governador Camilo Capiberibe, querem Dilma em seus palanques. Se Campos sair candidato defendem o palanque duplo. O governador do Piauí, Wilson Martins, quer concorrer ao Senado, e não se sente confortável com Dilma e a Lula em palanques adversários. Só Ricardo Coutinho, na Paraíba, se anima com a candidatura de Campos, já que no estado PT e PMDB lhe fazem oposição.

A própria deflagração de sua pré-campanha presidencial, provocou o processo sucessório ao governo de Pernambuco, muito antes do que o desejado. Hoje há pelo menos três pré-candidatos disputando seu apoio: o vice João Lyra (PDT), o ministro da integração, Fernando Bezerra (PSB), e o senador Armando Monteiro Neto (PTB). Se Campos já optar por um, corre o risco de perder o apoio dos outros dois. Precisa apagar o incêndio para não perder o controle de sua sucessão e evitar que sua base de apoio rache. Isso sem contar com a movimentação do PT, que certamente terá candidato forte se Campos não se compuser com Dilma.

Apesar de suas intensas articulações em outros estados, Campos não conquistou apoios de peso. Pelo contrário, levaram pretensos aliados a se aproximarem mais de outros candidatos. José Serra, cogitado para sair candidato a governador pelo MD apoiando Campos para presidente, usou essa hipótese apenas para se cacifar dentro do PSDB. Se sair, muito provavelmente será para candidatar-se a presidente por outro partido, e não para apoiar Campos. O PSD de Kassab, que já cogitou até a fundir com o PSB em passado recente, aproximou-se mais do governo Dilma, inclusive compondo o ministério.

O cenário político sempre pode mudar e muda, mas as pré-candidaturas, para angariar apoios, dependem muito de expectativa de poder. É bem possível que a expectativa de poder da candidatura de Eduardo Campos tenha diminuído nas últimas semanas. Isso também explica o governador ter se voltado mais para a política pernambucana do que a nacional, ultimamente.


Depoimento de Ustra é vitória das liberdades democráticas sobre a tortura

por Helena Sthephanowitz, para a Rede Brasil Atual publicado 13/05/2013 17:20, última modificação 13/05/2013 17:31
Se houvesse revanchismo, Ustra teria de depor pendurado em um pau-de-arara recebendo choques elétricos. Mas seu depoimento à Comissão da Verdade respeitou todos os seus direitos
Ustra

O ex-comandante do aparelho repressor da ditadura, Brilhante Ustra, durante depoimento que confirmou o avanço das liberdades democráticas no Brasil

É pena que canais de TV não deem à Comissão da Verdade pelo menos parte do espaço que deram na cobertura do julgamento do "mensalão". Há sessões que são verdadeiras lições da história e aulas sobre a importância das liberdades democráticas.

Nota-se certa discrição e direcionamento na cobertura do tema pelas Organizações Globo, o que traz fortes indícios de rabo-preso com os algozes da época. Afinal, que jornalista não gostaria de obter revelações inéditas, daquelas que resultam em grandes reportagens que entram para a história?

Na sexta-feira (10), o ex-comandante do DOI-Codi de São Paulo Brilhante Ustra depôs na Comissão da Verdade (que apura atos obscuros da história que tenham sido cometidos pelo Estado brasileiro durante a ditadura).

Só o simbolismo daquela cena já valeu a pena porque, nos dias de hoje, o coronel pôde depor acompanhado de seu advogado, foi com um habeas-corpus que lhe permitia não responder as perguntas que não quisesse, pôde dizer o que quis e se calar quando quis, a imprensa pode acompanhar (se os canais de notícias, como Globonews, Bandnews e RecordNews quisessem transmitir ao vivo, poderiam) e, por fim, a sessão foi transmitida pela Internet. Ustra, além disso, teve seus direitos e sua integridade física respeitadas.

Quanto contraste, se comparado com os depoimentos que eram colhidos no DOI-Codi sob o comando de Ustra, quando o depoente (muitas vezes sequestrado na calada da noite, sem ordem de prisão oficial) não tinha direito a advogado, nem a habeas-corpus, e era submetido a interrogatórios sob tortura (ou ameaça de tortura), na clandestinidade dos porões, o que levou muitos à morte quando o suplício ultrapassou o limite da resistência física.

Só esse contraste já mostra a supremacia das liberdades democráticas e do estado de direito, e desmonta teses de revanchismo. Se houvesse revanchismo, Ustra teria de depor pendurado em um pau-de-arara recebendo choques elétricos e outras sevícias. Obviamente que isso seria inaceitável, pois seria se igualar às práticas que condenamos.

Semblante da morte

Alguns agentes da ditadura, que participaram da repressão resolveram contar o que sabem. Não foi o caso de Ustra. Manteve sua postura de confirmar apenas a versão oficial da ditadura. Se recusou a responder perguntas que poderiam reconstituir os acontecimentos sobre a morte de alguns presos políticos. O silêncio foi comprometedor, porque se tivessem morrido em combate não haveria motivo para esconder os acontecimentos.

Mesmo que deixemos de lado, por um instante, o aspecto político de haver uma ditadura, seria compreensível que houvesse baixas em confrontos armados. O que nem as leis da ditadura autorizavam era execução e tortura sob custódia. Mesmo os mais duros regimes, para executar presos precisam de uma sentença formal e pública de condenação à pena de morte e tem que entregar os corpos às famílias. E é isso que torna Brilhante Ustra uma figura sombria, com o semblante da morte.

Voltando ao aspecto político, não é verdade que fosse preciso uma ditadura para enfrentar pequenos grupos de guerrilheiros, pois no início dos anos 70 até os Estados Unidos haviam centenas destes pequenos grupos armados (o que ganhou maior notoriedade foi o Exército Simbioses de Libertação, ao sequestrar a herdeira milionária Patty Hearst, que acabou se tornando integrante do grupo).

E lá ninguém fechou o regime democrático, enfrentando o problema com a Constituição e as leis vigentes. Mantiveram as liberdades existentes, inclusive o Partido Comunista (apesar de pouco expressivo nos Estados Unidos) funcionava legalmente. Liberdade de expressão, de organização, e de manifestação pacífica não foi tratada como crime lá, como foi aqui (o que levou muitos rebeldes originalmente pacíficos a só encontrarem meios de resistir em grupos armados).

E grupos guerrilheiros lá que cometiam ações armadas, era tratados de acordo com o código penal, sem leis de exceção, e sem o Estado fazer ações clandestinas. Se o governo da ditadura era tão alinhado aos EUA, o qual tinham como modelo, por que não fizeram o mesmo?

Contradições

Apesar da postura de enfrentamento, o coronel caiu em contradições durante seu depoimento. A mais gritante foi uma que não convence nem seus pares.

Em um momento, Ustra confirmou que não eram feitas perícias sobre mortes nas ruas. Os corpos eram retirados e levados para o DOI-Codi e depois para o Instituto Médico Legal (IML), segundo suas palavras. O coronel apresentou como justificativa que a guerrilha tinha gente fazendo cobertura que matava os agentes da ditadura caso ficassem vigiando o corpo. Uma versão impossível de acreditar, pelos motivos:

1) Se o corpo no chão servisse para atrair guerrilheiros, é claro que seriam usados como chamariz para prender ou matar os demais guerrilheiros nos arredores.

2) Se o corpo estivesse na linha de fogo inimiga, retirá-lo do local é que exporia os agentes. O procedimento tecnicamente correto seria fazer uma varredura do local e das ruas vizinhas, para fazer perícia com segurança e só então retirar o corpo.

3) Não há qualquer motivo dentro da ordem legal e natural das coisas que justifique um morto ser levado ao DOI-Codi antes, e não ir diretamente para o IML.

Provocações

Ustra tentou se defender atacando. Calculou que ao invocar o nome da presidenta Dilma como ex-militante de organizações guerrilheiras de resistência à ditadura, desviaria o foco de seu depoimento. De fato, sua declaração pautou o jornal Estadão e o "Jornal Nacional", porque fazem péssimo jornalismo, ignorando os fatos abaixo.

A presidenta Dilma já respondeu processo na Justiça Militar na época da ditadura, quando sua atuação já foi investigada à exaustão. Já depôs e foi inclusive torturada para arrancarem informações. Dilma cumpriu pena como presa política, e foi solta saindo pela porta da frente da prisão em plena ditadura, ao final da pena. Ela não deve nada a ninguém. Quem deve muita coisa à nação brasileira, à história e às famílias dos mortos e desaparecidos em circunstâncias sinistras, é o coronel Brilhante Ustra.

Outra provocação que cai no vazio, foi quando Ustra disse que a ditadura e seus horrores foi implantada para combater outra ditadura, caso a presidenta e seus companheiros tivessem chegado ao poder. Pois bem, Dilma e vários ex-militantes daquelas organizações chegaram ao poder e a democracia está aí, em sua plenitude

Proliferação de partidos pode ser o tiro no pé da oposição:

por Helena Sthephanowitz, para a RBA publicado 10/05/2013 09:55
Serra Freire oposição

Serra e Roberto Freire, que podem unir-se para disputar 2014. Estratégias da oposição seguem sem rumo certo

Ao defender a proliferação de partidos de forma oportunista, a oposição pode estar cometendo (mais) um erro. Explica-se: cada partido com candidato próprio e pelo menos um deputado no Congresso tem direito de exigir participar de debates na TV, pela legislação eleitoral.

Em geral os canais de TV perdem o interesse de promover debates no primeiro turno quando o número de candidatos ultrapassa seis. Mesmo se promoverem um debate com 9 ou 10 candidatos, por exemplo, ninguém aguenta assistir, e o efeito é nulo sobre o eleitor, pois os principais candidatos quase não conseguem falar, e os embates que seriam interessantes simplesmente não ocorrem.

Logo, torna-se grande o risco de, quanto mais partidos, mais inviável será promover debates. Geralmente a ausência de debates no primeiro turno beneficia quem está na frente das pesquisas. Principalmente quando é o caso de quem está no cargo, bem avaliado, disputando a reeleição, como deverá ser o caso da presidenta Dilma Rousseff.

Além disso, a pulverização de candidatos – combinada com o favoritismo atual da presidenta – pode reduzir a atenção do eleitor na disputa presidencial, por falta de polarização, e deixá-lo mais envolvido com eleições acirradas para governador ou governadora. De novo favorece quem disputa a reeleição.

No atual quadro partidário, com representação no Congresso, há boa probabilidade de haver as candidaturas de Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB), Marina Silva (Rede ou MD), Eduardo Campos (PSB), Chico Alencar (PSOL) e José Serra (ainda indefinido). Também é provável que Levy Fidelix (PRTB) seja candidato. Cogitam lançar candidatos próprios, o PV e o PSC. Pouco provável, mas não descartado de todo, a possibilidade do PDT e PTB virem a ter candidato também.

Há ainda os partidos menores, sem representação no Congresso, mas que lançaram candidatos em 2010, como o PSTU, PCB e PCO, além do PSDC de José Maria Eymael. O comportamento do PPL, lançando candidatos próprios em várias cidades em 2012, indica que pode repetir a estratégia nas próximas eleições.

Há novas legendas já criadas, como o PEN, e outras em processo de criação, que não sabemos como se comportarão. Com esse quadro o número de candidatos de partidos com representação na Câmara, pode chegar a algo entre 7 e 11, por enquanto. Todos eles têm direito a exigir participação em debates. No horário eleitoral na TV e no rádio, o número de candidatos pode superar a quinze (em 2010 foram nove).

Como se vê, a tese de mais candidaturas para fragmentar os votos e levar a eleição para o segundo turno, poderia funcionar melhor – se é que funciona – com o atual quadro partidário do que incentivando o surgimento de novos partidos sem representatividade popular.

Independentemente desse cálculo político, a tentativa do Congresso Nacional de disciplinar a criação de partidos, através da PL 4470/2012, de forma a evitar a proliferação de legendas de aluguel só para ter tempo na TV e parcela do fundo partidário é correta, saudável para o interesse público, moralizadora, ética e republicana.
Partidos não devem ser aventura, nem mero produto de uma campanha de marketing. Devem ser organizações enraizadas na sociedade e que expressam correntes de pensamentos.

No caso de Marina Silva, por exemplo, se ela quer criar um partido em vez de filiar-se a algum já existente, não pode reclamar de ter de fazer aquilo que qualquer partido no mundo precisa fazer: começar do início, crescer e aparecer, levando suas propostas à aceitação popular expressa nas urnas.

O resto é querer pegar o atalho do golpe, do casuísmo, e tentar trapacear usando as brechas da infidelidade partidária.

MPF agora quer sentar na cadeira de prefeito de São Paulo, sem ter votos

por Helena Sthephanowitz publicado 07/05/2013 17:15
Se os Procuradores do MP, em vez de se dedicarem às suas funções típicas, ficarem procurando para si tarefas que são dos outros, perdem a força na luta contra a PEC 37

Quem deve decidir sobre onde, como e quando é  importante trocar a rede elétrica  convencional  por rede subterrânea, na cidade de São Paulo? A prefeitura, a Câmara dos Vereadores ou o Ministério Público Federal?

Parece  óbvio e ululante que cabe à prefeitura, aos vereadores e aos próprios moradores decidirem isso. Dentro das prioridades orçamentárias da cidade, ou de eventual oportunidade de autorizar associações de lojistas ou concessionárias privadas, interessadas em fazer o serviço por sua conta, sem dinheiro público.

Entretanto, o Ministério Público Federal instaurou inquérito civil com objetivo de enterrar o cabeamento elétrico do Município de São Paulo "para resguardar os bens de valor artístico, histórico, turístico e paisagístico". Fará audiência pública no próximo dia 14 para tratar do tema, convidando a prefeitura, a Eletropaulo, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), operadoras de TV a cabo, urbanistas, arquitetos, engenheiros, associações de moradores e outros interessados.

Não se discute que os fios, cada vez em maior quantidade, instalados em postes, enfeiam a cidade e trazem mais riscos de panes, tanto que já existe um projeto municipal, desde 2006, com a pretensão de enterrar 250 quilômetros de rede por ano, só que nunca estabeleceu um planejamento sobre como e por onde começar. Agora a prefeitura estuda parcerias público-privadas que sejam viáveis.

Mas é preciso lembrar que o orçamento da prefeitura tem outras prioridades muito mais urgentes, numa cidade que ainda tem favelas e enchentes que colocam vidas em risco. Não faz sentido tirar dinheiro do orçamento municipal para embelezar ruas mais nobres, que já têm eletricidade, duas ou três operadoras de internet e TV a cabo na porta. Se lojistas ou moradores destas ruas quiserem fazer a obra por conta própria por meio de associações, tudo bem. Ou se as concessionárias bancarem o custo, também.

Neste contexto, em vez de o Ministério Público Federal querer brincar de ser prefeito, fazendo audiências públicas de assuntos que estão além de sua alçada, seria mais sensato que os procuradores da República interessados participassem das audiências e discussões na Prefeitura e na Câmara de Vereadores, o fórum adequado para esses debates.

Em janeiro, o prefeito Fernando Haddad e representantes da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop) se reuniram para discutir a viabilidade desses planos.

Assim, os próprios procuradores da República enfraquecem sua posição contra a PEC 37 (*), pois alegam que quanto mais gente investigar, melhor. Mas se os Procuradores, em vez de se dedicarem às suas funções típicas, ficarem procurando para si tarefas que são dos outros, perdem qualquer argumento.

(*) A PEC 37 explicita o que a Constituição federal já diz nas entrelinhas: que cabe às polícias a investigação criminal (o que não impede o MPF de fazer investigações civis, denúncias criminais e exercer controle sobre a atuação das polícias).

Pesquisa 'sinistra' do Datafolha testa popularidade da volta da ditadura

por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual publicado 03/05/2013 09:57

Pouca gente viu, quase ninguém comentou. No feriado de 1º de maio, o instituto de pesquisa Datafolha, dos mesmos donos do jornalão "Folha de S.Paulo", divulgou uma pesquisa, restrita à capital paulista, para conferir se os paulistanos apoiariam a implantação de uma ditadura no Brasil.

Na pesquisa, sinistra – para dizer o mínimo –, os números estimulados foram:

- 53% dos entrevistados disserem concordar com a afirmação: "democracia é sempre melhor do que qualquer outra forma de governo".

- 19% escolheram: "em certas circunstâncias, é melhor uma ditadura do que um regime democrático".

- 20% escolheram: "tanto faz se o governo é uma democracia ou uma ditadura".

Os 8% restantes se dividem entre quem se declarou explicitamente favorável a uma ditadura e os que respondem "não sei".

A notícia saiu sob o título “Apoio ao regime democrático tem ligeira queda” e tem viés de pregação antidemocrática. Isso porque, segundo a publicação,  houve oscilação nos números em relação há 10 anos atrás,  quando  57% dos entrevistados  responderam "democracia sempre" e os que responderam "depende das circunstâncias" foram 16%.

Lições e cuidados

A partir do momento em que as velhas oligarquias econômicas, incluindo aí os barões da mídia, passaram a perder eleições no voto popular, voltaram a flertar com o golpismo. O jornalão foi notório conspirador pelo golpe de 1964 e um dos principais bastiões de sustentação da ditadura por mais de uma década, até iniciar o processo de abertura política no final dos anos 70. Hoje as oligarquias que perderam poder político, sonham com um golpe nos moldes hondurenhos, aplicado pelo judiciário.

Isso explica os jornalões e TV's demonizarem os políticos eleitos pelo voto popular e endeusarem os juízes do STF.

É verdade que muitos políticos fazem por merecer certa dose de  má fama, mas há também muitos que honram seus mandatos e representam com dignidade e honram os votos que receberam de seus eleitores. Da mesma forma, no Judiciário também tem muita gente honrada e outras nem tanto. E há outros que, mesmo agindo dentro das leis, também usam e abusam de privilégios, vantagens, mordomias e luxos com dinheiro público. E há ainda os que são parciais nos julgamentos por afinidade política.

Aliás, bem ou mal, quase todo político tem de enfrentar as urnas de quatro em quatro anos, tem de expor seus bens na internet e, numa campanha, em geral, tem a vida devassada, nova denúncias aparecem e antigas são requentadas, as promessas descumpridas são cobradas. Se todos os juízes tivessem de passar por uma prova de fogo semelhante de tempos em tempos, quantos conseguiriam manter suas imagens de impolutos?

Além disso, paradoxalmente, é o Judiciário co-responsável pela eleição de muitos picaretas, por ser lerdo em julgar quem é notoriamente ficha suja, mas oficialmente ainda não tem condenação final. Não é justo dizer que o só povo escolhe mal, se a própria Justiça Eleitoral atesta que o candidato tem situação regular para se candidatar e tomar posse de sem mandato.

Logo, é simplismo demonizar o Poder Legislativo e endeusar o Judiciário. Ambos têm muito o que melhorar, corrigir antigos vícios e se tornarem mais republicanos. E só a democracia, com ampla transparência pública, levará à depuração destas instituições.

Mas a velha imprensa aposta nessa vigarice golpista, fazendo campanha de demonização só de parlamentares, sem separar o joio do trigo. Tudo para desqualificar o voto popular e fazer o cidadão desistir da sua própria participação política. Tudo para levar o cidadão a não acreditar no seu próprio poder de transformar a sociedade pelo engajamento.

No fundo é a tentativa de aplicar o velho golpe: tirar o povo do caminho, para colocar no governo um preposto que governe só para as velhas oligarquias que atrasaram o Brasil por 500 anos.

Candidatura de Eduardo Campos faz barulho, mas deverá 'voltar à prancheta'

por helena publicado 26/02/2013 14:25, última modificação 26/02/2013 14:25

Eduardo Campos, pré-candidato a candidato em 2014 (Eduardo Araújo/ABr)

Parecia que o panorama esta perfeito para o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), lançar-se candidato à presidência da República em 2014, com grandes chances de vitória. Bastaria espalhar por aí sua candidatura, que tucanos voariam em revoada em sua direção. Como ele também é político jeitoso no trato, de boa conversa e com jogo de cintura, então políticos, banqueiros e empresários "magoados" com a presidenta Dilma viriam buscar o ombro amigo dele. Junte-se eventuais insatisfeitos na base governista pelos resultados das disputas por espaço no governo. E, com o currículo ostentando ter sido aliado de Lula, Campos teria a combinação perfeita para ser o candidato da oposição sem parecer oposição. 

Os correligionários de Campos espalharam sua que ele seria candidato, para ver se a história "decolava", sobretudo com objetivo de angariar adesões neste primeiro momento. Por sua vez, o próprio estimula o blefe mas, espertamente, deixa espaço para um recuo. Um plano aparentemente perfeito.

Ou ele conquistaria apoios e eleitores suficientes para vencer em 2014, ou perderia, mas já se projetando para 2018. Mesmo que sua candidatura nem se viabilize, ele "valorizaria o passe", ou seja, ficaria em posição mais forte para negociar apoio à reeleição de Dilma em troca de o PT apoiar mais candidatos a governador e senador do PSB (o que já ocorreu em 2010 em alguns estados).

Assim, Campos teria um PSB com ampla dimensão nacional para pavimentar seu caminho até 2018. Parece que não haveria como um plano destes dar errado pois, em tese, de uma forma ou de outra, ele sairia sempre ganhando. Mas, como se diz no jargão do futebol, sobre as jogadas ensaiadas durante os treinos: faltou combinar com o adversário...

A canoa de Campos já mostra que está cheio de buracos e entrando água. A começar pelo fato de que, quanto mais ele se afasta de seus antigos aliados e mais se aproxima da oposição representada pelo PSDB e pelo DEM, mais ele vai desconstruindo a imagem que firmou para o resto Brasil, como governador de Pernambuco, até virem as eleições de 2012.

O segundo "buraco" é que, ao tentar valorizar seu próprio passe, Campos acabou valorizando o passe dos outros, pois as legendas menores da base governista fingem encenar a possibilidade de vir apoiá-lo apenas para, estes sim, conquistar alguma importância na hora de decidir quem vão em 2014. Para complicar, nesse cenário, o próprio Campos coloca os ministros do PSB em processo de fritura.

Tem também o PSDB, que não aceitará ser rebaixado à terceira força política de país, não abre mão da candidatura própria (ainda que não seja Aécio Neves), e não quer concorrente arrastando as fichas da oposição. Não por acaso, Aécio Neves já ligou o fogo alto da fritura de Campos, ao chamá-lo de "fisiológico", por manter cargos no governo Dilma e se apresentar como candidato de oposição.

Outro problema da candidatura do governador pernambucano é a tentativa de faturar em cima do discurso pseudo-moralista, de combate à corrupção etc. Campos tem um escândalo acerca de precatórios em sua biografia. Mesmo tendo escapado de responsabilidade criminal perante o Judiciário de seu estado, o episódio trouxe prejuízos aos cofres públicos e maculou sua gestão como Secretário da Fazenda do avô governador, Miguel Arraes.

Some-se a isso as discordâncias de peso dentro do próprio PSB. Ciro Gomes e o governador Cid Gomes (Ceará) já declararam que irão apoiar Dilma. Ciro, inclusive, atiçou ainda mais o fogo da fritura ao dizer que Campos não  têm propostas concretas para o Brasil. Os governadores do PSB, sobretudo em estados onde se elegeram com apoio do PT, idem. Óbvio que para eles seria melhor reeditar a aliança de 2010. Neste momento pode ser interessante ficar assistindo as investidas do correligionário, mas é difícil imaginar que se sintam confortáveis em ir para 2014 como oposição à Lula e Dilma.

Por fim, enquanto faltam grandes lideranças nacionais determinadas a apoiar Campos, Dilma conta com o apoio do principal cabo eleitoral do Brasil, o ex-presidente Lula, e do PT, unido em torno da reeleição.

Como se vê, o teste de lançamento da candidatura de Campos, fez barulho entre os barões da mídia, mas não trouxe ainda nem apoios políticos esperados, nem popular. Blefe ou não, Campos deve continuar testando a viabilidade de sua candidatura por mais algum tempo, mas muito provavelmente terá que voltar à prancheta.

 

Seria um nome ideal para os barões da mídia e as oligarquias econômicas arcaicas se casarem, como fizeram com FHC em 1994.

Marina Silva, a porta-voz da rede matrix contra a luta política

por helena publicado 21/02/2013 15:24, última modificação 21/02/2013 17:07

Partidários do ideário pregado por Marina Silva 'festejam' criação da legenda. E se afastam da luta diária e necessária (Copyleft/#Rede)

A ex-senadora Marina Silva criou seu partido, a Rede Sustentabilidade, para concorrer às eleições de 2014. Especificamente à Presidência da República. Porém, a iniciativa da ex-senadora é decepcionante. O novo partido nega a luta política dos mais fracos e prega o conformismo submisso aos mais fortes.

É a "utopia do sonho" do Itaú, da Globo, do bilionário neoliberal dono da Natura, que foi candidato a vice-presidente em sua chapa de 2010. É a sustentabilidade reacionária e conservadora. Os bilionários mandam, eles são os "sábios", conselheiros, orientadores e ideólogos de um hipotético governo, numa rede à qual Marina se encarregaria de manter conectados os brasileiros.

Cito o banco Itaú especificamente porque uma das principais caciques do partido de Marina é Maria Alice Setúbal, herdeira e acionista do império financeiro. Segundo o site da tal rede, sua função no partido é a de "mobilização de recursos". Não deixa de ser curioso que a cor predominante da legenda é o laranja, a cor de fundo usada nas placas e propagandas daquele banco.

Irresistível não comparar com a dominação mostrada no filme Matrix (1999). Em fotos já espalhadas pela internet, vemos militantes se filiando ao partido, atendidos em guichês com placas laranjas, por atendentes vestindo blazer preto e camisa laranja (a cor do Itaú, de novo). Parece gente treinada para ser bons atendentes, plugando uma a uma das pessoas à dominação da matrix (do Itaú).

Muito além da comparação com o filme, o mais grave é querer esvaziar a luta política como instrumento dos cidadãos conquistarem melhorias de vida. O discurso de Marina é recheado de frases de efeito sempre puxando para um suposto "novo jeito de fazer política", "acima da esquerda e direita", "não é oposição, nem situação", "resgatar a ética", "não tem movimentos sociais por trás", "não fuma, nem bebe" e bla bla bla.

É o discurso pensado para ser politicamente correto, agradar a todos e não desagradar ninguém. Luta política que é bom, a que obriga a escolher lado, nada. É o discurso que a Globo e o Itaú gostam: o da desconstrução e criminalização da luta política que bate de frente com seus interesses.

É a fala que busca dominar a chamada nova classe média, buscando convencê-la a se desiludir com a luta política que a levou a conquistar o que tem, e votar alienadamente, igual vota nos reality shows da vida, em quem acha mais bonzinho, mais simpático, mais bonitinho.

Na luta política, do jeito que está, a Globo sabe que não vence mais, então o negócio é esvaziá-la. E que tristeza ver Marina Silva fazendo esse serviço. A matrix de Marina está mandando às favas a luta política do enfrentamento contra a má distribuição de riquezas e a injustiça social.

Vamos falar um pouco do grande parceiro da ex-senadora. O Itaú fica mais "sustentável" quando a clientela faz tudo pela internet e deixa de ir à agência, passa a imprimir menos papel. Mas esse ganho de produtividade, ao esvaziar as agências, o banco não compartilha com seus trabalhadores, mesmo com lucros estratosféricos. Aliás, o setor bancário é o único que, quanto mais lucra, mais desemprega e é cada vez maior o número de denúncias de funcionários que ficam doentes devido às más condições de trabalho.

De nada adianta abraçar árvores, financiar ONGs, se a empresa joga pessoas no desemprego só para aumentar mais ainda os lucros de acionistas. Esse egoísmo é uma forma de poluir a qualidade de vida na sociedade, com o empobrecimento de pessoas, a desestruturação de lares, de famílias, que o desemprego provoca, muitas vezes. E para acabar com esse egoísmo é preciso luta política. Os partidos políticos são os instrumentos desta luta para mudar leis.

A boa luta política é brigar por leis que reduzam a jornada de trabalho em vez de demitir, se a empresa teve ganho de produtividade e tem lucros suficientes para manter a mão de obra. Ou pelo menos, quem pode mais e desemprega só para lucrar mais, tem que pagar mais impostos necessários a gerar novos empregos.

A grande luta no Brasil ainda é o combate à desigualdade para elevar brasileiros pobres para um padrão de vida de classe média. E essa rede matrix de bilionários em torno da Marina tem uma agenda pragmática oposta, como, por exemplo, lutam para pagar menos impostos, mesmo com lucros exorbitantes; condenam verbas para programas sociais; pregam arrocho de salários e aposentadorias para ter mais lucros se pagarem alíquotas menores para manter a Previdência; pregam cortar direitos trabalhistas para poder demitir mais facilmente e mais barato. Pregam a privatização e redução de serviços públicos, essenciais para quem não tem condições de pagar.

É luta contra tubarões, que enfrentamos e que produz baixas do nosso lado. Novidade na política é concluir o ciclo dessa luta e conscientizar aqueles que estão plugados nas tentativas de dominação por parte da Globo e do Itaú a se libertarem das amarras.