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Tupiniquin traz misticismo ensolarado em novo álbum

por guibryan1 publicado 08/08/2012 15h33

O músico paulista Tupiniquim lança novo álbum, em produção caseira e independente com colaboradores de primeira linha (Divulgação)

O cantor, compositor, violonista e guitarrista Jorge Sampaio, também conhecido simplesmente por Tupiniquin, está na estrada desde 2007, quando retornou de uma longa estada nos Estados Unidos. Foi quando lançou o primeiro álbum, “Made In Sao Paulo”, que contou com a presença de, entre outros, Guizado, Karina Buhr, Tita Lima e Beto Gibbs, e foi lançado na Europa pelo selo inglês Curve Music.

Agora ele apresenta o primeiro álbum para o mercado brasileiro, “Estrada pro Sol”, cujas canções começaram a ser criadas em junho de 2010 e gravadas no estúdio dele, La Casa de Musica, onde já estiveram nomes como Barbara Eugenia, Comodoro, Otto e Céu; e foram finalizadas no Totem Estúdio. Com letras românticas e marcadas pelo misticismo, o disco remete ao rock progressivo, com influências de música indiana, e contando com muitos e incríveis solos e experimentações sonoras, dialogando com artistas contemporâneos e apontando para o futuro.

Visite o site e baixe o álbum "Estrada pro Sol", de Tupiniquim

Um solo de cítara tocada por Regis Damasceno, junto com os derbakes de Bruno Buarque, apresenta o álbum, num clima bastante místico, iniciando a faixa “Grávida (Sonhei que transava com você)”: “Eu penso em você ao entardecer / Na chuva que vem reflorescer / A angústia de quem sobreviver / Com fé a loucura de um viver / Ah, vamos deitar pras almas / Acordar”. É o sinal para a animada “Soldados do Sol”, que remete a sonoridade da banda escocesa Franz Ferdinand: “Vendo o sol nascer / Tento amanhecer / Penso em não morrer pra alegrar / Foi belo o anoitecer, mas o pôr do sol / Me faz querer ter paz junto a você”. Essa canção termina com um longo solo de percussão tocada por Rian Batista, que assina a produção com Dustan Gallas, e acompanhada pelas guitarras, violão e baixo de Dustan Callas; e pela bateria de Samuel Fraga.

O clima roqueiro permanece em “Amor, Coragem”, parceria de Tupinquin com Billy Comodoro e Dustan Gallas, na qual o tom místico também está presente: “Olhos são lanternas pra enxergar além / Da selva de ganância dos homens / Velhas palavras são guerreiras ‘est libertas’ / Dos seus vampiros que te secam os sonhos / E tudo vai ficar ok”.

Em janeiro de 2010, Tupiniquin se envolveu na produção do São, São Paulo Festival, que contou com, entre outros, Kassin, Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci. Não é à toa, portanto, que a faixa “Acácia Amarela”, uma das mais empolgantes do álbum, dialoga justamente com a obra de Jeneci, ao contar com um clima havaiano e a participação da graciosa vocalista Juliana R.: “Um beija-flor falou pra mim / O amor é um tango a conduzir / Meus olhos tão fatais / Vão se abrir / Enquanto a tarde vem / E eu que sei lutar sei sorrir / Vou encontrar alguém”. Dá vontade de dançar pela sala, sozinho ou acompanhado. Igualmente apaixonante é “Pés Descalços”, que faz lembrar o que há de melhor no álbum da dupla Pitty e Martin; e a empolgante “Casa na Praia”, a qual merece tocar em todas as rádios para aquecer o verão e espalhar alegria.

Um pouco mais soturna é “Tropical Punk”, onde há uma espécie de tratado autoral e que foi gravada ao vivo pelo produtor e engenheiro de som Yuri Kalil: “Eu quero invenção eu quero imersão / Gritar na canção / Voo sobre o meu passado / Lavando meus novos pecados / Não quero refrão / Eu quero emoção, coragem, pulmão”. No final, uma melodia sensual dialoga com a dupla norte-americana White Stripes. 

Outra autodefinição vem em “Sagitarius”: “Eu sei que sou abusado / Eu sei sou de sagitário / E com poesia concreta / Eu faço estória, eu faço trova / Eu prosa, eu faço o enredo / De um carnaval inteiro”. Ela parece se completar na faixa-título: “Eu sou da América do Sol / Meus sonhos se aquecem com a manhã / Seus filhos tenros dançam na América do Sol / E neurônios inventam o amanhã”.

A capa é formada por distorções e sobreposição de imagens, o que provoca um efeito quase hipnótico, e foi criada pelo fotógrafo Jorge Lepesteur, que também é o diretor do videoclipe de “Grávida (Sonhei que transava com você)”.

Com imagens em preto e branco, ela casa perfeitamente com o clima do álbum “Estrada Pro Sol”, que é um convite ao deleite por parte de um artista que sabe escolher as melhores referências do passado e do presente para elaborar um trabalho com intensas marcas autorais de grande qualidade e que apontam para o futuro, demonstrando que o rapaz possui uma longa estrada a percorrer, sem muitas sinuosidades e com bastante inspiração. Para isso, basta ouvir “o vento soprar”, como indica a última canção.

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