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Daniela Mercury homenageia o Brasil em show multimídia

por guibryan1 publicado 06/08/2012 10h20, última modificação 06/08/2012 15h16

Daniela Mercury durante show em São Paulo em que frisou sua contribuição à MPB (©Stephan Solon/divulgação)

“Há alguém do Nordeste aqui?”, pergunta a cantora Daniela Mercury e obtém como resposta centenas de braços erguidos e vários gritos, para, então, concluir que São Paulo é, sim, uma cidade nordestina. Esse diálogo inusitado aconteceu na noite de sábado, 4, durante a abertura do Projeto Mulheres do Brasil, da casa noturna paulistana Via Funchal, que ainda receberá Alcione (11), Margareth Menezes (1/9), Gal Costa (22/9) e Céu e Ana Cañas (27/9).

O que se viu durante quase três horas foi um deslumbrante espetáculo de dança, música e audiovisual, muito mais do que um show, em que o importante é performance vocal do artista e instrumental dos músicos que o acompanham, mesmo tratando-se de grandes feras, como foi o caso.

E prevaleceu também um tom fortemente ufanista, começando com uma homenagem a Dorival Caymmi e Vinicius de Moraes, e terminando numa mistura do “Hino Nacional” com “Aquarela do Brasil” e o grande sucesso da cantora, “O Canto da Cidade”, em meio a várias imagens de diferentes momentos da carreira projetados num telão como um videoclipe eletrizante.

Estavam no repertório os vários outros grandes sucessos da carreira, como “Ilê Pérola Negra”, “Menino do Pelô” e “Rapunzel”. Mas os momentos mais marcantes foram quando interpretou “Como Nossos Pais”, sucesso de Belchior imortalizado pela voz de Elis Regina; e estabeleceu um surpreendente dueto com Carmen Miranda (homenageada no álbum “Canibália” e com imagens projetadas no telão) em “O Que é Que a Baiana Tem?”, de Dorival Caymmi. Também inesquecível foi o número em que os dançarinos apareciam no palco como se fossem estátuas, até receberem o toque da cantora.

Sinceramente, eram desnecessários os vários discursos de autoglorificação, em que a cantora fez questão de lembrar e frisar o quanto foi importante para a revalorização do samba reggae e para a criação do axé. Mas ficou bonito o agradecimento ao fato de abrir esse projeto Mulheres do Brasil, da Via Funchal, e o diálogo permanente que estabeleceu com uma plateia, que, se não lotou o espaço, dançou o tempo todo, fazendo as coreografias e foi chamado pela artista de “fãs do Twitter”.

Portanto, Daniela Mercury demonstrou que, ainda que apesar de já ter vivido momentos de maior popularidade no mercado , ainda é capaz de contagiar qualquer plateia mundo afora com sua música e com um espetáculo em que os movimentos no palco são todos milimetricamente cuidados. E é verdade que, mesmo com toda a dose de egocentrismo, muito do papel que ela se autointitula na música brasileira realmente coube a ela. O carnaval jamais seria o mesmo sem sua presença. Aliás, o pout-pourri de marchinhas carnavalescas é magistral.

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