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Oswaldo Montenegro mistura ritmos, romantismo e crônica cotidiana em novo álbum

por Guilherme Bryan publicado 14/11/2011 13h10, última modificação 18/11/2011 20h51

Com mais de 30 anos de carreira, Oswaldo Montenegro lança mais um álbum (Foto: Divulgação/Andre Sa/Flick)

O novo e quadragésimo primeiro álbum de Oswaldo Montenegro, “De Passagem”, mostra o vigor e a força de um artista que repete o que sempre deu certo, a parceria com o compositor Mongol e com a flautista Madalena Salles, com quem trabalha há mais de 30 anos; mas prova a capacidade de se reinventar. 

 O disco começa com a animada e contagiante canção “Não Importa Por Quê”. Porém, a letra já demonstra o tom que imperará na maioria das outras 11 músicas, ao retratar as mudanças tecnológicas que viveu nas últimas décadas: “A fita K-7 passou / Telefone sem bina também / O sonho do hippie acabou / Dos santos não sobrou ninguém”.

 É tocante o romantismo presente em “A Vida Quis Assim”, composta por Mongol: “Eu tenho tanta vida pela frente / E vou viver da forma mais urgente / Quem sabe um dia eu pare de te amar / E mesmo que isso possa acontecer / Eu vou sentir saudade de você”. A emoção retorna em “Velhos Amigos”: “O mundo é pequeno, o tempo é invenção / Que o amor desfaz na tua mão / Nada passou, nada ficará / Nada se perde, nada vai se achar”. 

 O certo pessimismo, no entanto, se desfaz na canção que encerra o álbum, “Pra Ser Feliz”: “Pra ser feliz / Não dá pra olhar pra trás / Pro que foi, por que quis / Mas não foi possível / Pra ser feliz / Não dá pra consertar / Já quebrou, já partiu / Foi o tempo e o seu véu”. 

Até agora as canções mais comentadas são a faixa-título, marcada por tom rural e composta por Leo Pinheiro, Tião Pinheiro e J. Bulhões; e “Eu Quero Ser Feliz Agora”, que é tema de um concurso em que Oswaldo Montenegro premiará com 30 mil reais os vencedores de um concurso de videoclipes realizado no site oficial www.oswaldomontenegro.com.br/concurso. 

Mas a minha favorita é “Asas”, que tem certo clima floydiano, marcado pelo teclado de Oswaldo Montenegro, as flautas de Madalena Salles, o baixo de Alexandre Meu Rei e a bateria de Sérgio Chiavazzoli: “Asas / Pra roubar o sonho bom do gás / Voar sem a gravidade / Gritar pra mudar o sol de lugar / Pra aquecer a voz / Fazer a voz voar”.

A animação retorna na criativa e divertida cantiga “Palma”, de Ulysses Machado: “É pra cantar batendo palma / De modo que a mão que bate na mão / Provoque essa dor no corpo”. Ele fotografa o momento atual das redes sociais no qual ninguém para de falar, em “Todo Mundo Tá Falando”, uma espécie de repente moderno marcado pela ótima guitarra de Alexandre Meu Rei: “Todo mundo tá falando de fama / Todo mundo tá falando de guerra / Todo mundo tá falando de lama / Todo mundo tá falando de terra”. 

Com grande variedade de estilos, há ainda o rock “Anda” e o dançante misto de hip hop com música nordestina “Quem É Que Sabe?”: “Quem é que sabe, é o que pensa ou o que arrisca? Quem é que sabe, saberia ou saberá? / Quem é sabe o quê que vai durar no tempo? / Quem é que diz o que o futuro abrigará?”. Só o tempo dirá. Tomara que Oswaldo Montenegro continue com os versos afiados, empolgantes e desafiadores como os de “De Passagem”. 

Numa época marcada por álbuns que mais parecem um amontoado de canções aleatórias e desvinculadas umas das outras, nada melhor do que ouvir esse trabalho do início ao fim.

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