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Na Rede

por publicado , última modificação 31/10/2014 10:18

Imprensa

Em defesa do direito de existir da mídia livre, 'Fórum' vai processar 'IstoÉ'

por Renato Rovai, da Fórum publicado 04/06/2014 17:48, última modificação 04/06/2014 18:24

No sábado cedo fui surpreendido com um telefonema informando-me que a revista IstoÉ, da Editora 3, produzira uma matéria em que a Fórum era citada como parte de uma operação para caluniar e difamar o candidato à presidência da República pelo PSDB, o senador Aécio Neves. Imediatamente escrevi e publiquei um texto-resposta. Há nele um desafio.

Afirmei que se IstoÉ apresentasse os contratos com o governo de Minas Gerais, Fórum revelaria os que tinha com a prefeitura de Guarulhos. A turma da Editora 3 se fez de surda. Mesmo sem a contrapartida, apresentou os “contratos” que motivaram a “denúncia” e que, segundo a revista, seriam “a ponta do novelo de um esquema mais amplo.”

O fato é que não existe um contrato entre Fórum e a Prefeitura de Guarulhos, mas dois PIs (pedidos de inserção) para um banner por 30 dias, cada qual, num valor de R$ 4.640,00. Ou seja, publicidades que foram visualizadas por aproximadamente 5 milhões de vezes por menos de R$ 5 mil. E ambas as inserções, diga-se, ainda não foram faturadas.

Fórum é uma revista que existe desde 2001, com história jornalística e tem vários profissionais e colaboradores. Imaginar que se venderia por quatro mil e poucos reais por mês e que com isso conseguiria organizar um banker não pode ser algo sério.

E não era.

Havia uma outra série de ilações a partir de declarações de um suposto promotor público que não foi identificado em toda a matéria Numa das declarações esse promotor teria afirmado: “Menções a atividades genéricas da prefeitura servem apenas para dar uma fachada de legalidade e garantir os pagamentos feitos pela municipalidade.”

Ou seja, a venda de publicidade numa revista que tem 13 anos de existência e cuja audiência é de 5 milhões de page views ao mês camuflaria operações ilegais. Foi isso que o suposto promotor de IstoÉ teria afirmado.

Também por isso, entre outros motivos, decidimos que Fórum deveria encaminhar a questão para a área jurídica. A partir desta data a revista será representada neste caso pelo advogado Pedro Estevam Serrano, mestre e doutor em direito do Estado e professor de Direito Constitucional pela PUC-SP. Ele e o seu escritório responderão juridicamente pela ação. E ela por decisão de comum acordo se dará no campo cível. Fórum nem este editor têm interesse em colocar quem quer que seja na cadeia, mas vai buscar reparações por danos morais e prejuízos econômicos. A revista quer ser ressarcida pelos prejuízos que lhe foram causados e vai acionar de maneiras diferentes a todos os envolvidos no caso.

Por enquanto, e por orientação jurídica, Fórum não aceitará publicidade da prefeitura de Guarulhos. Isso não significa, porém, que não continuará disputando cada centavo a que tem direito comercial para existir e que pode reivindicar por conta de sua reputação e audiência. Também não significa que tanto a editora quanto o seu editor vão aceitar ser interditados por quem quer que seja no seu livre direito ao trabalho e à expressão.

Além disso, também informamos a quem interessar possa que a partir de hoje não aceitaremos mais nenhum tipo de chantagem em relação a informações de caráter comercial. Fórum não apresentará contratos, notas ou informações estratégicas que venham a ser solicitadas, principalmente, por seus concorrentes.

Aproveitamos para agradecer a todos que publicaram textos, enviaram e-mails, compartilharam nossas matérias e curtiram posts. Até porque temos certeza de que essa ação de IstoÉ, que foi repudiada de forma pública por um dos seus colunistas e editores, é apenas a ponta do iceberg de um jogo que busca calar sites e blogues independentes. Uma tentativa de calar a muitos. Mas que não vai passar. Nós prosseguiremos.

eleições presidenciais

Guerra e paz na Colômbia

Há uma tradição longa de abstenção na Colômbia, mas não se esperava que, quando o tema da paz e da guerra está no centro das decisões, tanta gente deixasse de votar
por Emir Sader, especial para a RBA publicado 01/06/2014 17:12, última modificação 02/06/2014 09:29
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Brutal movimento de represálias mútuas entre as famílias conservadoras e liberais persiste desde 1948

Os personagens de García Márquez estão imersos num mundo de guerras civis intermináveis. Eles cruzam toda a história do último século e meio na Colômbia. O ciclo mais recente dessa história data do assassinato do candidato do Partido Liberal à presidência, Jorge Gaitán, em 1948. Sua morte desatou um processo chamado de “Violência”, um brutal movimento de represálias mútuas entre as famílias conservadoras e liberais, com requintes de crueldade poucas vezes vistos no continente.

Foi no seu desdobramento que surgiram as guerrilhas que se denominariam Forças Armadas Revolucionarias da Colombia (Farc) e protagonizariam, junto com o Exército de Libertação Nacional (ELN), o mais longo processo de guerra de guerrilhas que a América Latina conheceu.

Passando por distintos momentos, em que surgiram os cartéis de drogas de Medellín e de Cali, assim como grupos paramilitares, e várias tentativas de negociações de paz, os conflitos desembocaram no momento atual, em que seu destino está em jogo.

O bipartidarismo político entre conservadores e liberais foi rompido com o surgimento de Álvaro Uribe que, embora originário de um dos partidos, se erigiu em liderança independente, que se propunha a resolver os conflitos pela guerra implacável contra os movimentos guerrilheiros. Entre uma implacável ofensiva militar, erros da guerrilha e isolamento político desta em relação à opinião publica, o governo colombiano assestou golpes muito duros às Farc.

No bojo desse movimento, Uribe chegou a níveis insuperáveis de apoio na opinião pública, passando como o presidente que livrara o país da violência – que ele conseguiu situar como originária da guerrilha. Porém, o Judiciário não o autorizou a concorrer a um novo mandato e ele foi obrigado a propor a candidatura do seu segundo em todo o governo – Juan Manuel Santos.

Considerando que o processo interno estava sob controle, que a Colômbia necessitava, a partir desse momento, de pacificação e de normalizar sua relação com os países vizinhos, Santos deu uma virada inesperada ao seu governo. Propôs negociações de paz com as Farc, ao mesmo tempo em que passava a colocar o acento nas políticas sociais do governo e normalizava as relações com os governos da Venezuela e do Equador.

Parecia que a Colômbia tinha virado essa página tão dura da sua história. As negociações de paz começaram a se dar em Havana, a população aparentemente concordava. Mas Álvaro Uribe não deu trégua. Denunciou Juan Manuel Santos como um traidor, que se rendia às vontades das Farc, que se tornava conivente com tudo o que passava na Venezuela, retomando seu discurso clássico da Guerra Fria.

Nas eleições parlamentares já era possível ver que Uribe não estava morto politicamente, ainda que isolado pelas iniciativas de pacificação de Santos. Mas ele se elegeu para o Senado com alta votação e elegeu também uma bancada de um partido que ele fundou.

No primeiro turno das eleições presidenciais, para surpresa geral, o candidato de Uribe, seu ex-ministro Oscar Zuluaga, chegou em primeiro lugar, na frente de Santos, revelando como o discurso de Uribe ainda tinha eco na população. E como Santos não tinha conseguido convencer suficientemente como a paz é essencial aos colombianos.

As pesquisas prévias ao primeiro turno, que projetavam a virada a favor de Zuluaga, davam também uma vitória sua no segundo turno. A primeira pesquisa depois do primeiro turno dá empate técnico, com um ponto a favor de Santos. As incertezas são grandes porque houve 60% de abstenção. Há uma tradição longa de abstenção na Colômbia, advinda do pacto que fizeram os partidos Liberal e Conservador depois do período de violência. Mas não se esperava que, quando o tema da paz e da guerra está no centro das decisões, tanta gente deixasse de votar.

Os alinhamentos dos outros candidatos vão se dando, favorecendo em princípio Santos, mas nada que garanta seu favoritismo. Zuluaga, que na noite do primeiro turno disse que “não era possível que as Farc, desde Havana, dirigissem o país”, agora já modera suas palavras, aceitando negociações em certos termos, para agradar o Partido Conservador, que chegou em segundo lugar. Não fosse assim, no caso de uma vitória de Zuluaga no dia 15 de junho, as negociações de paz seriam suspensas no próprio dia da sua posse, 7 de agosto, podendo-se esperar uma retomada imediata da espiral de violência entre o Exército e a guerrilha.

No dia 15 de junho, a Colômbia volta às urnas, para decidir entre a guerra e a paz.

Emir Sader é mestre em filosofia política e doutor em ciências políticas. Atualmente, é professor aposentado da Universidade de São Paulo

 

fenômeno

Ronaldo: o com vergonha e o sem vergonha

Há quem diga que o sincericídio de Ronaldo tem a ver com o fato de que, no mesmo dia, declarou apoio à candidatura de Aécio Neves. Como explicar que ele lave as mãos sobre sua responsabilidade na Copa?
por Antonio Lassance, para a CartaMaior publicado 27/05/2014 12:49, última modificação 27/05/2014 18:20
Erbs Jr./Frame/Folhapress
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Fenômeno na arte de fazer dinheiro, o ex-jogador não parece sincero em sua vergonha

Ronaldo foi um fenômeno do futebol e é, até hoje, um fenômeno na arte de ganhar dinheiro. É difícil atravessar um intervalo comercial sem ver sua cara e ouvir sua voz vendendo alguma coisa.

Desde que se aposentou dos gramados, sua fortuna cresce alimentada por sua boca. Cada frase de Ronaldo vale ouro e é ensaiada para render dividendos para algum patrocinador.

Por isso, não custa nada perguntar o que Ronaldo ganha com sua declaração de que está envergonhado com os preparativos da Copa.

A pergunta precisa ser feita, pois a declaração acabrunhada é estranha. Vem não só de alguém que, até então, era só elogios e otimismo. Vem de quem é do Conselho de Administração do Comitê Organizador Local da Copa.

Faltando poucos dias para o início da competição, o que devemos achar de quem resolve, simplesmente, lavar as mãos e fingir que não tem nada a ver com a coisa?

A vergonha de Ronaldo tem o efeito bumerangue sobre sua própria imagem, pois mostra alguém que, como se diz no jargão do futebol, "pipocou", fugiu da bola dividida. Alguém que deveria ter usado seu prestígio, desde o início, para ser parte da solução, preferiu tirar o corpo fora e ser parte do problema.

Como organizador, Ronaldo poderia ter dedicado seu tempo a ajudar a que algumas coisas ganhassem mais atenção. Preferiu gastá-lo gravando anúncios publicitários.

Enquanto era tempo, poderia ter pedido mais empenho e rapidez nas obras, tanto as dos estádios quanto as de mobilidade – por que não?

Poderia ter pedido paz às torcidas e aos manifestantes. Preferiu posar com um terno dourado no Carnaval e, depois, envergonhar-se.

Os preparativos para a Copa já estiveram por um triz, em vários momentos e sob vários aspectos. Ronaldo poderia ter dito, com muita antecedência, por exemplo, que se sentia envergonhado com o abandono a que a Arena da Baixada foi submetida pelo governador do Paraná e pelo prefeito de Curitiba.

De todas, foi a situação mais absurda e que quase comprometeu uma cidade como sede. Ronaldo nunca esteve entre os que correram atrás para cobrar providências, e nem para se mostrar envergonhado. Nenhuma declaraçãozinha.

Também não expressou qualquer sentimento, indignado ou envergonhado, quando da morte do torcedor atingido por uma latrina, no estádio Recife, em uma briga de torcida.

Nada disso. Ronaldo esperou os estádios serem construídos e entregues, os ingressos serem vendidos, as seleções serem convocadas; esperou ter feito todas as propagandas possíveis e imagináveis que poderia para esta Copa. Só então se fez de envergonhado.

Há quem diga que o sincericídio de Ronaldo tem a ver com o fato de que, no mesmo dia, declarou apoio à candidatura de Aécio Neves.

Difícil acreditar que ele, que hoje vive de emprestar sua imagem a vender produtos, esteja entrando nessa, ao lado de Aécio, por pura convicção, e não como garoto-propaganda.

Sua vergonha não transpira nada de autêntica. Parece ensaiada e feita sob medida para um comercial, como aqueles com textos decorados e de péssima interpretação, em que o "Fenômeno" vende carros da Fiat, chuteiras da Nike e planos de telefonia da Claro.

Ronaldo, com vergonha ou sem vergonha, é a mesma pessoa. É aquele que vemos todos os dias na tevê e nos outdoors.

Já faz tempo que esse é o mundo do "Fenômeno". Não tem mais nada a ver com  futebol, nem com indignação, nem com um pingo de vergonha.

América do SUl

Banco do Sul: outro legado de Chávez

Chanceleres da Unasul, reunidos na semana passada no Equador, decidiram pela implementação do Banco do Sul, com um capital inicial de 7 bilhões de dólares.
por Beto Almeida, da Carta Maior publicado 26/05/2014 12:57
Roberto Stuckert Filho/PR
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O Banco do Sul, assim como a Unasul, é um legado de Chávez

Os chanceleres da Unasul, reunidos na semana que passou no Equador, decidiram pela implementação do Banco do Sul, com um capital inicial de 7 bilhões de dólares, ferramenta financeira destinada ao financiamento de projetos de integração da América do Sul.

Trata-se de mais um dos grandes legados do presidente Hugo Chávez, falecido em 2013. Sem dúvida, o lado visionário de Chávez também se revela aqui nesta decisão, que vinha sendo procrastinada injustificadamente, inclusive pela relutância das autoridades financeiras do Brasil. Da mesma forma que até hoje, o governo brasileiro não tomou qualquer medida para vincular-se à Telesur oficialmente, favorecendo a integração informativo-cultura da América Latina, o que teria plena sintonia com o discurso autocrítico feito por Lula em encontro com blogueiros, quando reconheceu muito pouco foi feito para a democratização da comunicação no Brasil.

O Banco do Sul, assim como a Unasul, nasceu graças a uma pregação incansável de Chávez, e agora já terá a companhia do Banco dos Brics, bem como de outras medidas adotadas pela Rússia, China e Iran para a desdolarização gradual da economia. O Banco do Sul é também uma grande bofetada nos EUA e, tal como o BNDES já vem fazendo, ao financiar a construção do Porto de Mariel, em Cuba, representará uma capacidade ampliada para a realização de projetos de infraestrutura que avancem na integração da América Latina, sempre sabotados pelos EUA.

Certamente, com mais esta ferramenta, surge clara a possibilidade de ampliar  as  operações sem o dólar - indispensável ante a crise e a instabilidade do capitalismo internacional - bem como o encorajamento para tirar do papel um conjunto de projetos integracionistas, a exemplo do que a Rússia, a China e o Iran já vem fazendo em matéria energética. Depois de Unasur, Telesur, Banco do Sul,  agora pode estar chegando a vez do Gasoduto do Sul, tão sonhado pelo revolucionário Hugo Chávez.

Mas, para que isto se torne realidade, é preciso manter a unidade das forças progressistas, seja no Brasil, na Venezuela, na Argentina, Uruguai e Bolívia, seguindo o exemplo de uma persistência revolucionária incansável que nos legou Chávez, desde a audaciosa, meticulosa e arriscada construção de um movimento revolucionário bolivariano no interior das forças armadas venezuelanas. É este  instrumento que hoje, materializado na unidade cívico-popular, mantém de pé a Revolução Bolivariana, capaz de impulsos construtivos como o Banco do Sul, de amplificar as energias da Revolução Cubana e de iluminar permanentemente os árduos caminhos da indispensável integração latino-americana.Como todo revolucionário, Chávez ultrapassa seu tempo físico e se mantém entre nós como criador, um construtor, um animador e um formador de consciências transformadoras.

A oposição só acredita em desemprego

Aécio Neves não se fez de rogado: a saúde da economia depende de medidas impopulares, entre elas, claro, o aumento do desemprego
por Wanderley Guilherme dos Santos, para a Carta Maior publicado 23/05/2014 18:03
João Carlos Mazella/AgênciaJCM/Fotoarena/Folhapress
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Enquanto Campos passa por omisso, Aécio não esconde sua vontade de impor um quadro recessivo

Ciclos de recessão e desemprego fazem parte da dieta normal da tristeza capitalista. Isso é história econômica banal. Mas nada triviais são os esforços para evitar, superar e em último caso amenizar as seqüelas que, como já diagnosticara Alexis de Tocquevile, constituem o outro lado da moeda da expansão do mercado.

Em favor da verdade, a necessidade de intervir nesses maléficos processos não foi desde logo reconhecida nem muito menos, mesmo depois de registrada em cartório, aceita como necessária. Para os que, julgando-se Isaac Newton, acreditavam que as leis dos mercados capitalistas copiavam as leis da física clássica, toda intervenção seria inútil, tentativa de emendar a lei da gravidade universal. Pior, seria desastrosa, desajustando as leis da oferta e demanda. Foram precisos muito desemprego e muitas recessões até que surgissem concepções não mecânicas do mundo humano.

No Brasil criou-se o seguro-desemprego em 1986, embora já previsto na Constituição de 1946. O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), instituído em 1990, foi outro grande marco de defesa do trabalho diante da imprevisibilidade capitalista. Finalmente, durante as três administrações petistas estenderam-se amplamente as políticas pró-trabalho. Não é à toa que organismos internacionais proclamam a excelência do programa Bolsa-Família, entre outros, copiada em vários países.

Mas o seguro-desemprego e equivalentes só compensam relativamente a perda de renda quando o trabalhador já está desempregado. Com o fim da estabilidade no emprego, na década de 80 do século passado, estabeleceu-se um buraco legislativo que a criação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) não preencheu. Trata-se de desenhar medidas que evitem ao ciclo de expulsão do mercado de trabalho sem onerar excessivamente a folha de pagamentos das empresas. É neste sentido que os Ministérios da Fazenda e do Trabalho preparam medida provisória regulamentando a flexibilização da jornada laboral. Por ela, as empresas em comprovada dificuldade financeira cortariam temporariamente em até 30% o salário do trabalhador enquanto o governo ficaria responsável por complementar metade da parcela reduzida. Com a dificuldade financeira conjuntural do FAT (com fundos destinados a outras demandas do crescimento econômico e proteção aos trabalhadores), o governo inclina-se para financiar o programa com recursos do FGTS. Na proposta, o empregado beneficiado continuará a descontar para o Fundo de Garantia do Trabalhador. As centrais sindicais estão de acordo com a futura medida provisória.

Sem nenhuma surpresa, já se ouvem vozes críticas ao financiamento do novo programa, disfarce da real oposição que, no fundo, é à própria medida. Não importa que programas semelhantes tenham sido implantados em um punhado de países, desenvolvidos ou não: Bélgica, Alemanha, Itália, Japão, Nova Zelândia, México, Hungria e República Tcheka. O Brasil, para esses arautos, nunca estará pronto para nenhuma iniciativa contrária ao mito do automatismo mercadista. Se o FAT, conjunturalmente, apresenta débitos em suas contas, o excedente real do FGTS não deveria ser utilizado em seu lugar, tendo em vista possíveis despesas futuras de origem sabida ou não sabida. Ou seja, uma possibilidade, que a seu tempo será administrada, como tudo em qualquer governo, seria motivo para abortar um extraordinário benefício atual, considerando as mais do que previsíveis oscilações do mercado.

O terrorismo fiscal sempre fez parte do embornal conservador. De nada valem os fracassos de suas previsões. Mudam de argumento. Os conservadores brasileiros estão, todavia, exagerando. Além de substituírem as verdadeiras estatísticas nacionais pelos sensacionalismos da mídia estrangeira, apelam para um indicador único para avaliar o “sucesso” de um governo: a taxa de desemprego. Quanto maior, melhor o governo. Deles.

O problema, como se sabe, não faz parte da estratosfera sustentável em que Marina Silva desfila. Eduardo Campos é omisso neste quesito, assim como em vários outros, embora fosse interessante saber como ele faria mais e melhor em matéria de emprego e de proteção ao trabalhador. Aécio Neves não se fez de rogado: a saúde da economia depende de medidas impopulares, entre elas, claro, o aumento do desemprego. Só desemprego estima a saúde de uma economia. Repetindo: para a oposição quanto maior o desemprego, melhor o governo. Cáspite!

Sem sucesso

Agências tentam deslegitimar proibição de publicidade abusiva para criança

Para pesquisador, a ideia da criança como consumidora e promotora de vendas tende a confrontar uma importante conquista da sociedade brasileira: a noção da criança como um sujeito de direitos
por Observatório da Sociedade Civil publicado 17/04/2014 15:55, última modificação 17/04/2014 16:07
mj/reprodução

Publicada no dia 4 de abril, a Resolução nº 163 do Conselho Nonal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) considera abusiva toda publicidade voltada para crianças e adolescentes, vetando assim a persuasão de pessoas nessas faixas etárias ao consumo de produtos e serviços. A medida sofreu ataque das empresas de comunicação e publicidade, que se negaram a reconhecer autoridade do conselho para definir regras sobre o tema. No entanto, a ofensiva deverá ir por água abaixo.

“A lei de criação do Conanda, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a própria Constituição estabelecem que o Conselho pode fazer resoluções e que elas têm peso de lei”, afirma Edmundo Korger, presidente do Conselho e diretor executivo da organização da sociedade civil Centro de Educação e Cultura Popular (Cecup).

As empresas de comunicação e publicidade se apoiam na tese de que a resolução fere o Estado Democrático de Direito e o artigo 170 da Constituição, que prevê o livre exercício da atividade econômica. No entanto, como afirma Renato Godoy, pesquisador do Instituto Alana, organização da sociedade civil que defende os direitos da criança e do adolescente, para além de interesses econômicos, “a ideia da criança como consumidora e promotora de vendas tende a confrontar uma importante conquista da sociedade brasileira: a noção da criança como um sujeito de direitos, previstos no artigo 227 da Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente”.

Segundo Kroger, desde a promulgação do ECA a sociedade civil discute a forma como as empresas de comunicação e publicidade se comportam. Frente à inatividade dos órgãos reguladores – que para ele escolhem proteger o mercado publicitário – o Conanda se uniu a especialistas da área de direito e da psicologia para intervir nos abusos e perigos da publicidade infantil no país. “A propaganda, do jeito que é feita no Brasil, de maneira muito clara, viola direitos da criança e do adolescente. Ela vende e empurra desejos que a prejudicam”, afirma.

O apoio jurídico da Resolução está baseado no Código de Defesa do Consumidor, especificamente nos artigos 36 e 37, que afirmam: “É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança”.

Para que a resolução seja cumprida, Kroger afirma que o Conanda possui apoio dos Ministérios Públicos e Judiciário e que as empresas que insistirem em manter comerciais que não sigam a medida terão de responder judicialmente. “Ouvimos muito dessas empresas o discurso de responsabilidade social. Em seus países de origem, com certeza elas não usam as mesmas estratégias abusivas de publicidade como usam aqui. Agora, isso não será mais permitido”, defende.

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Resolução do Conanda veta propaganda apelativa para público infantil

 

Relações internacionais

Especialistas em política externa defendem trabalho do Ipea na Venezuela

Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais (GR-RI), coletivo de intelectuais que estuda a política externa brasileira, rebate reportagem considerada partidarizada da 'Folha de S.Paulo'
por Blog Brasil no Mundo publicado 14/04/2014 14:26, última modificação 14/04/2014 15:10
Santi Donaire/EFE
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Chavistas recordam 12 anos do golpe contra o governo. Embate ideológico explica distorções

O jornal Folha de S.Paulo da quinta-feira, 10 de abril, publicou matéria intitulada “Filial do Ipea na Venezuela ignora crise e elogia governo”, assinada por Fabiano Maisonnave. Com ares de pretensa denúncia, o texto diz, entre outras coisas: “Única representação internacional do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a filial do órgão na Venezuela prioriza análises favoráveis ao chavismo e projetos de integração com o Brasil ao estudo dos graves problemas macroeconômicos do país”.

É público desde 2010 que o Ipea mantém um escritório – e não “filial” – dedicado a estudos e assessoria para tarefas de integração regional em Caracas. Não é essa a novidade da matéria. Trata-se de mais um capítulo de uma guerra ideológica que a imprensa busca fazer, principalmente em anos eleitorais. O roteiro é conhecido. Um jornal publica notícia, alguns sites repercutem e os parlamentares da oposição incorporam a pauta midiática. No mesmo dia em que a notícia foi publicada, ganhou espaço no blog de Reinaldo Azevedo e subsidiou a atuação política da oposição. No caso concreto, o deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), presidente da Comissão de Política Exterior e de Defesa Nacional e candidato à reeleição em outubro, subiu a tribuna e afirmou que a Missão do Ipea na Venezuela depõe contra a credibilidade do país. Ganhou espaço no site do partido.

O que está em pauta

A Missão do Ipea na Venezuela está em linha com a ampliação de atribuições adotadas pelo órgão nos últimos anos e com a política externa do Estado brasileiro. Na última década, o Brasil ampliou sua presença internacional. Mais de 40 embaixadas foram abertas, o país estabeleceu contatos com novos parceiros comerciais, colocou-se como ator importante na seara política e econômica e tem peso decisivo na integração continental. Empresas como Petrobras, Banco do Brasil, Embraer, BNDES, Odebrecht, Camargo Correa e outras estão presentes em vários países da América Latina. Além disso, deixamos de ser receptores de iniciativas de cooperação internacional e nos tornamos ativos no quesito.

Nesse contexto, o Ipea criou, em 2009, a Diretoria de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais (Dinte). Parte desse projeto era internacionalizar o raio de ação do Instituto, inicialmente com a instalação de escritórios na Venezuela, Argentina, Paraguai, Uruguai, China e Angola.

A primeira representação coube ao país que se tornou nosso segundo parceiro regional. É bom lembrar que a balança comercial entre Brasil e Venezuela aumentou de US$ 880 milhões/ano em 2003 para mais de US$ 6 bilhões/ano em 2013 e a Venezuela é responsável por um dos três principais superávits comerciais do Brasil desde 2007.

Representação qualificada

Para chefiar a representação foi escolhido um Técnico de Planejamento e Pesquisa, concursado do Ipea. Ele foi indicado em processo de seleção interno, aberto a todos os técnicos da instituição. Trata-se de Pedro Silva Barros, formado em Economia e em Direito pela USP, com doutorado no Programa de Pós-Graduação Interunidades em Integração da América Latina (Prolam/USP). Pedro também é professor licenciado do Departamento de Economia da PUC-SP.

Vale ressaltar que, além do Ipea, mantêm representação em Caracas a Embrapa, a Caixa Econômica Federal, a Polícia Federal, a ABIN, as três forças armadas e várias empresas privadas. Isso mostra claramente que a Venezuela é um país estratégico para o Brasil. São 1492 km de fronteiras com o pais que tem as maiores reservas de petróleo do mundo. Apesar da crise conjuntural que atravessa, a Venezuela se constitui em um enorme mercado potencial para produtos e serviços brasileiros. O maior interessado em sua estabilidade, depois dos próprios venezuelanos, é o Brasil.

Assim, a Missão do Ipea tem como único propósito apoiar as políticas do Estado brasileiro, entre as quais a de promover a integração regional.

Produção e pesquisa

Entre o segundo semestre de 2010 e os dias de hoje, o escritório do Ipea em Caracas já produziu dez relatórios específicos no âmbito da cooperação bilateral, com temas ligados à urbanização, indústria petroquímica, desenvolvimento na região da fronteira, integração produtiva e de infraestrutura entre os dois países, entre outros. A lista de atividades realizadas inclui ainda oito cursos sobre planejamento, políticas públicas e integração regional, editados dois livros (um no prelo), seis artigos e relatórios de pesquisa. Houve, além disso, participação em dezenas seminários, conferências, palestras e debates, congressos acadêmicos, reuniões de organizações internacionais e várias publicações em jornais, revistas e sites. A Missão do Ipea na Venezuela participou da delegação brasileira nas reuniões ministeriais preparatórias para a criação da Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe (Celac), em Caracas (2011), e integra a delegação brasileira junto ao Sistema Econômico Latino-Americano e do Caribe (Sela) desde a reunião anual de 2010.

As pesquisas da Missão do Ipea na Venezuela priorizam claramente os temas econômicos, em sentido amplo, que aborda logística e infraestrutura, desenvolvimento urbano e da região de fronteira, integração produtiva e comércio. Um exemplo é o estudo sobre o Canal Cassiquiare, integração natural entre as bacias do Orinoco e Amazônica, que não seria feito se o escritório do Ipea não tivesse sido instalado em Caracas.

Temos um déficit no conhecimento sobre os nossos vizinhos. As responsabilidades que o Brasil assume como um global player, particularmente em sua atuação hemisférica, implica que as decisões de Estado estejam subsidiadas por estudos produzidos por suas múltiplas instituições, que devem ter inserção e presença internacional.

Portanto, a consolidação do escritório do Ipea na Venezuela é de interesse do Brasil. Oxalá que o sucesso da missão leve o Ipea a retomar o projeto de abertura de representações similares em outros países, em particular do Mercosul.

Do Blog Brasil no Mundo

Fazem parte do GR-RI e assinam esta nota
Adhemar Mineiro (Dieese), Adriano Campolina (AAid Brasil), Alexandre Barbosa (USP), André Calixtre (Ipea), Artur Henrique Silva (SMT-Prefeitura de SP),  Atila Roque, Audo Faleiro (Assessoria PEB-Planalto), Augusto Juncal (MST), Bianca Suyama (Articulação Sul), Carlos Ruiz (UEPB), Carlos Tibúrcio (CCF), Cristina Pecequilo (Unifesp), Darlene Aparecida Testa (CUT), Deisy Ventura (USP), Dr. Rosinha (deputado federal), Fábio Balestro (SRI – RS), Fátima Mello (Fase), Fernando Santomauro (CRI-Guarulhos), Giorgio Romano (UFABC), Gonzalo Berrón (FES), Graciela Rodriguez (Equit), Iara Pietricovsky (INESC), Igor Fuser (UFABC), Iole Ilíada (FPA), Jefferson Lima (JPT), João Felício (CUT), Joaquim Pinheiro (MST), Jocélio Drummond (ISP), José Paulo Guedes Pinto (UFABC) Josué Medeiros (Opsa), Kjeld Jakobsen (Idecri), Leocir Rossa (FMG), Letícia Pinheiro (IRI-PUC RJ), Luiz Antonio de Carvalho (MMA), Luiz Dulci (I. Lula), Luiz Eduardo Melin (BNDES), Marcelo Zero (Liderança do PT no Senado), Marcos Cintra (IPEA), Maria Regina Soares de Lima (UERJ/OPSA), Maria Silvia Portella de Castro (CUT), Matilde Ribeiro (Seppir-PMSP), Maureen Santos, Michelle Ratton (FGV), Milton Rondó (Itamaraty), Moema Miranda (Ibase), Mónica Hirst (Universidad de Quilmes), Nalu Faria (SOF), Nathalie Beghin (INESC), Paulo Vannuchi (Instituto Lula), Pedro Bocca (MST), Rafael Freire (CSA), Renata Reis (MSF-Brasil), Ricardo Azevedo (Assessoria PEB-Planalto), Roberto Amaral (PSB), Ronaldo Carmona (USP), Rossana Rocha Reis (USP), Rubens Diniz (Iecint), Salem Nasser (FGV), Sebastião Velasco (Unicamp), Sérgio Godoy (FSA), Sergio Haddad (Ação Educativa), Silvio Caccia Bava (Instituto Polis), Terra Budini (SRI-PT), Tudi Lucilene Binsfeld (Contracs), Tullo Vigevani (Cedec), Valter Pomar (PT), Valter Sánchez (TVT), Ana Toni (GIP), Mauricio Santoro (AI-Brasil), Ricardo Alemão Abreu (SRI / PCdoB), Camila Asano (Conectas), Juliano Aragusuku (UNICAMP), Gilberto Maringoni (UFABC), Vera Masagão (Ação Educativa), Vicente Trevas (SRI – Prefeitura SP).

liberdade de imprensa?

Repórter da Globo resolve ser sincera: 'A ordem é ouvir só o Paulinho da Força'

por Rodrigo Vianna, do Escrevinhador publicado 10/04/2014 16:22, última modificação 10/04/2014 16:28
escrevinhador/reprodução
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Paulinho com a repórter escondidos em uma agência bancária depois da declaração da moça

A informação apareceu primeiro no facebook de Marize Muniz, assessora de imprensa da CUT. Ela contou o que aconteceu ontem (9), quando uma repórter da Globo, destacada para cobrir a manifestação das centrais sindicais no centro de São Paulo, teve um infeliz ataque de sinceridade. Vejam:

(por Marize Muniz, via facebook)

“Deu dó. Sempre tenho pena de pessoas inocentes.

Foquinha da TV Globo gravou sonora com os caras da Força Sindical (do Aécio Neves), na Praça da Sé, durante manifestação de seis centrais sindicais.

Aí, um militante cutista foi lá e perguntou: e a CUT, você não vai ouvir ninguém da maior central da América Latina?

A pobrezinha respondeu: Tenho ordens da redação para só ouvir os caras da Força.

Foi um quiprocó danado e a bichinha teve de ir embora do local.”

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Resolvi checar a informação com outros manifestantes. E aí vieram mais detalhes. A jovem repórter da Globo – movida por ingenuidade, como sugere Marize (ou, quem sabe, por arrogância) – teria dito, com todas as letras, que estava ali só para entrevistar o “Paulinho da Força”. Essa teria sido a instrução recebida, ao sair da Redação.

Como se sabe, Paulinho é o presidente de central sindical mais crítica ao governo Dilma. Rompeu com o governo, e declarou que vai apoiar Aécio (PSDB) a presidente.

Não há problema nenhum em entrevistar o Paulinho. Afinal ele é o presidente legítimo de uma central sindical importante. O problema é a repórter de uma TV que é concessão pública revelar que tinha instruções claras para entrevistar apenas Paulinho da Força.

Um militante da CUT teria insistido, apresentando: “Olha, essa aqui é nossa vice-presidenta, a Carmen, você não quer ouvir a CUT?”

A jovem repórter teria respondido: “Não, a orientação é ouvir só o Paulinho da Força”.  A jornalista foi então vaiada e hostilizada pelos manifestantes – que passaram a gritar o tradicional “O povo não é bobo, fora a Rede Globo”.

“Ela não fez a entrevista. Ficou com medo e correu para uma agência do Bradesco do outro lado da rua”, contou-me um manifestante com quem conversei há pouco.

Os manifestantes registraram a cena da jornalista escondida na agência – como mostram as fotos que o Escrevinhador publica com exclusividade.

Poucos minutos depois, Paulinho chegou e foi dar a entrevista, dentro da agência bancária. Manifestantes ligados à CUT seguiram vaiando e fotografando. Um segurança (da Globo? da Força Sindical?) teria se aproximado de uma manifestante que fazia as fotos, e tentado tomar o celular das mãos dela. Não conseguiu. Aparentemente, a jornalista também não conseguiu gravar com Paulinho da Força…

O caso revela algumas coisas:

- a Globo (sob comando de Ali Kamel, aquele que adora processar blogueiros) segue pretendendo controlar a realidade; se é inevitável cobrir a manifestação, que se dê voz só aos amigos da casa e aos inimigos do governo petista;

- os jornalistas da Globo já foram mais espertos; por que a jovem repórter teve aquele ataque de sinceridade? Podia ter feito a entrevista com a dirigente da CUT, e a redação depois se encarregaria de cortar…

Mas jornalistas criados no ar-condicionado, sem  vivência de rua, talvez acreditem que ao carregar o microfone da Globo podem qualquer coisa; vão-se distanciando do mundo real, e acabam surpreendidos quando enfrentam uma situação dessa.

A Marize (que foi chefe da pauta da Globo, tem experiência de sobra) ficou com pena da moça. Eu também fiquei.

Por outro lado, fiquei feliz porque agora uma história dessa não passa em branco. A Globo mente sem parar no JN, JG etc. Mas, pelo menos nesse caso, as fotos e o relato completo estão na internet. A mídia velhaca já não fala sozinha…

Em tempo: o ato das centrais foi um sucesso em São Paulo; reuniu 10 mil pessoas segundo a PM, ou 40 mil segundo os manifestantes.

Entre as reivindicações estão redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário, manutenção da política de valorização do salário mínimo, fim do fator previdenciário, redução da taxa básica de juros e correção e progressividade da tabela do Imposto de Renda.

Relações entre Globo e ditadura são tema de debate que marca 50 anos do golpe

por Redação RBA publicado 28/03/2014 19:13, última modificação 28/03/2014 19:58
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O empresário Roberto Marinho, grande impulsionador das Organizações Globo durante o regime

O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé promove amanhã (29), a partir das 18h, no Espaço Cultural Lélia Abramo, o debate "TV Globo: do golpe de 1964 à censura de hoje", que instalou uma ditadura civil-militar no Brasil por 21 anos.

A censura e as ações judiciais promovidas pela organização contra blogueiros independentes também fazem parte do debate, composto por Paulo Henrique Amorim, do blog Conversa Afiada, César Bolaño, autor do livro Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia, Douglas Belchior, dirigente da Uneafro, e Beatriz Kushnir, professora e autora do livro Cães de guarda. A mediação será de Paulo Salvador, coordenador da RBA.

Fechando com um churrasco, o debate servirá também para arrecadar fundos em solidariedade ao blogueiro Marco Aurélio Mello, processado pela Globo. O Lélia Abramo fica na rua Carlos Sampaio, 305, estação Brigadeiro do Metrô, e a transmissão será pelo VioMundo.

Eleições 2014

Em encontro, institutos de pesquisa buscam fórmula perfeita para derrotar Dilma

Apostas se concentram sobre apagões e problemas na Copa, capazes de provocar mau humor e desgastar a imagem de gestora associada à presidenta. Economia, 'muito complicada para o povão', é descartada
por Redação RBA publicado 25/03/2014 14:05, última modificação 25/03/2014 15:10
Tânia Rêgo/Arquivo ABr
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Na torcida: pesquisadores avaliam que resultado dentro de campo durante Mundial terá pouco impacto

São Paulo – O World Trade Center, prédio empresarial de luxo às margens da Marginal Pinheiros, em São Paulo, sedia até o fim da tarde de hoje (25) o 6º Congresso Brasileiro de Pesquisa, que reúne especialistas em dados e estatísticas de todas as áreas – e, como não poderia deixar de ser em ano de disputa pela Presidência da República, também os profissionais das pesquisas de opinião e eleitorais. Representantes de Ibope, Vox Populi, Datafolha e Sensus foram convidados para uma mesa de debate sobre as tendências do eleitorado em um ano que acumula, além do pleito, a realização da Copa do Mundo da Fifa e a perspectiva de manifestações de rua inspiradas pela mobilização de junho de 2013.

A mesa, porém, embora batizada de "Debate sobre o cenário da eleição presidencial 2014", poderia ter outro nome: "Como derrotar Dilma Rousseff?". Mediado por Emy Shayo, analista do banco norte-americano J.P. Morgan, que também redigiu a maior parte das perguntas feitas aos convidados, o debate explorou monotematicamente as fragilidades da candidatura petista à reeleição e ditou fórmulas, com base nos resultados das últimas pesquisas de opinião, sobre como enfraquecer a campanha governista. O público, composto principalmente por empresários, profissionais da área e jornalistas, embarcaram nos "testes de hipótese" propostos pela organização e seguiram a mesma linha em seus questionamentos.

Regidos pela assessora do banco, os debatedores apresentaram conclusões importantes para a plateia. Petrobras e rating do Brasil, por exemplo, são temas "para o Valor Econômico, para os participantes deste fórum, mas muito complicados para o povão", de acordo com Márcia Cavallari, do Ibope. Já as manifestações contra a Copa do Mundo, segundo os debatedores, podem desestabilizar o governo desde que alcancem o público "desejado".

"É garantida a confusão durante a Copa. Estou na bolsa de apostas com 150 mil pessoas na rua durante a Copa", torce Ricardo Guedes, do Sensus. O resultado em campo não importa: Mauro Paulino, do Datafolha, ressaltou que não houve mudança no comportamento dos eleitores após a vitória na Copa das Confederações, por exemplo, mas destacou que "a chance de atingir o governo é havendo problemas na execução".

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, também foi descartado como elemento-surpresa para favorecer a oposição porque sua suposta imagem de impoluto não encaixa no figurino nem de Aécio Neves (PSDB), nem de Eduardo Campos (PSB), mas há "esperança" em relação à possibilidade de crise energética e de abastecimento de água.

Para Antonio Lavareda, da consultoria política MCI, "esse tipo de crise atinge o cerne da imagem de Dilma, que é a da gestora, da mulher-eficiência". As consequências da má gestão das águas sobre a imagem de Geraldo Alckmin (PSDB), que também concorre à reeleição neste ano e cujo governo gere o abastecimento de água e o tratamento de esgoto em São Paulo, não foram abordadas durante o debate.

Lavareda foi um dos palestrantes mais requisitados pela mediação, embora não pertença a nenhum instituto de pesquisa. Ele foi o único a defender abertamente que a presidenta entra na disputa em desvantagem: de acordo com ele, 60% dos brasileiros querem a mudança e esse capital político irá se acumular em torno do candidato da oposição capaz de chegar ao segundo turno. "É quase certo que haverá segundo turno", afirmou.

Ele protagonizou ainda o momento de maior sinceridade do encontro: diretamente questionado pela mediadora sobre o que é necessário fazer para que o PSDB consiga usar a "paternidade" do Plano Real de forma eficiente contra o PT nas eleições, disse apenas: "Esse tipo de assessoria é o que fazemos em minha empresa, e não somos uma entidade filantrópica". Embora não confirme a informação, a empresa de Lavareda está acertada com o PSB de Eduardo Campos para a campanha eleitoral deste ano, após muitos anos se dedicando a serviços ao PSDB.