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por publicado , última modificação 21/10/2014 11:40

Relações internacionais

Especialistas em política externa defendem trabalho do Ipea na Venezuela

Grupo de Reflexão sobre Relações Internacionais (GR-RI), coletivo de intelectuais que estuda a política externa brasileira, rebate reportagem considerada partidarizada da 'Folha de S.Paulo'
por Blog Brasil no Mundo publicado 14/04/2014 14:26, última modificação 14/04/2014 15:10
Santi Donaire/EFE
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Chavistas recordam 12 anos do golpe contra o governo. Embate ideológico explica distorções

O jornal Folha de S.Paulo da quinta-feira, 10 de abril, publicou matéria intitulada “Filial do Ipea na Venezuela ignora crise e elogia governo”, assinada por Fabiano Maisonnave. Com ares de pretensa denúncia, o texto diz, entre outras coisas: “Única representação internacional do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a filial do órgão na Venezuela prioriza análises favoráveis ao chavismo e projetos de integração com o Brasil ao estudo dos graves problemas macroeconômicos do país”.

É público desde 2010 que o Ipea mantém um escritório – e não “filial” – dedicado a estudos e assessoria para tarefas de integração regional em Caracas. Não é essa a novidade da matéria. Trata-se de mais um capítulo de uma guerra ideológica que a imprensa busca fazer, principalmente em anos eleitorais. O roteiro é conhecido. Um jornal publica notícia, alguns sites repercutem e os parlamentares da oposição incorporam a pauta midiática. No mesmo dia em que a notícia foi publicada, ganhou espaço no blog de Reinaldo Azevedo e subsidiou a atuação política da oposição. No caso concreto, o deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), presidente da Comissão de Política Exterior e de Defesa Nacional e candidato à reeleição em outubro, subiu a tribuna e afirmou que a Missão do Ipea na Venezuela depõe contra a credibilidade do país. Ganhou espaço no site do partido.

O que está em pauta

A Missão do Ipea na Venezuela está em linha com a ampliação de atribuições adotadas pelo órgão nos últimos anos e com a política externa do Estado brasileiro. Na última década, o Brasil ampliou sua presença internacional. Mais de 40 embaixadas foram abertas, o país estabeleceu contatos com novos parceiros comerciais, colocou-se como ator importante na seara política e econômica e tem peso decisivo na integração continental. Empresas como Petrobras, Banco do Brasil, Embraer, BNDES, Odebrecht, Camargo Correa e outras estão presentes em vários países da América Latina. Além disso, deixamos de ser receptores de iniciativas de cooperação internacional e nos tornamos ativos no quesito.

Nesse contexto, o Ipea criou, em 2009, a Diretoria de Estudos e Relações Econômicas e Políticas Internacionais (Dinte). Parte desse projeto era internacionalizar o raio de ação do Instituto, inicialmente com a instalação de escritórios na Venezuela, Argentina, Paraguai, Uruguai, China e Angola.

A primeira representação coube ao país que se tornou nosso segundo parceiro regional. É bom lembrar que a balança comercial entre Brasil e Venezuela aumentou de US$ 880 milhões/ano em 2003 para mais de US$ 6 bilhões/ano em 2013 e a Venezuela é responsável por um dos três principais superávits comerciais do Brasil desde 2007.

Representação qualificada

Para chefiar a representação foi escolhido um Técnico de Planejamento e Pesquisa, concursado do Ipea. Ele foi indicado em processo de seleção interno, aberto a todos os técnicos da instituição. Trata-se de Pedro Silva Barros, formado em Economia e em Direito pela USP, com doutorado no Programa de Pós-Graduação Interunidades em Integração da América Latina (Prolam/USP). Pedro também é professor licenciado do Departamento de Economia da PUC-SP.

Vale ressaltar que, além do Ipea, mantêm representação em Caracas a Embrapa, a Caixa Econômica Federal, a Polícia Federal, a ABIN, as três forças armadas e várias empresas privadas. Isso mostra claramente que a Venezuela é um país estratégico para o Brasil. São 1492 km de fronteiras com o pais que tem as maiores reservas de petróleo do mundo. Apesar da crise conjuntural que atravessa, a Venezuela se constitui em um enorme mercado potencial para produtos e serviços brasileiros. O maior interessado em sua estabilidade, depois dos próprios venezuelanos, é o Brasil.

Assim, a Missão do Ipea tem como único propósito apoiar as políticas do Estado brasileiro, entre as quais a de promover a integração regional.

Produção e pesquisa

Entre o segundo semestre de 2010 e os dias de hoje, o escritório do Ipea em Caracas já produziu dez relatórios específicos no âmbito da cooperação bilateral, com temas ligados à urbanização, indústria petroquímica, desenvolvimento na região da fronteira, integração produtiva e de infraestrutura entre os dois países, entre outros. A lista de atividades realizadas inclui ainda oito cursos sobre planejamento, políticas públicas e integração regional, editados dois livros (um no prelo), seis artigos e relatórios de pesquisa. Houve, além disso, participação em dezenas seminários, conferências, palestras e debates, congressos acadêmicos, reuniões de organizações internacionais e várias publicações em jornais, revistas e sites. A Missão do Ipea na Venezuela participou da delegação brasileira nas reuniões ministeriais preparatórias para a criação da Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe (Celac), em Caracas (2011), e integra a delegação brasileira junto ao Sistema Econômico Latino-Americano e do Caribe (Sela) desde a reunião anual de 2010.

As pesquisas da Missão do Ipea na Venezuela priorizam claramente os temas econômicos, em sentido amplo, que aborda logística e infraestrutura, desenvolvimento urbano e da região de fronteira, integração produtiva e comércio. Um exemplo é o estudo sobre o Canal Cassiquiare, integração natural entre as bacias do Orinoco e Amazônica, que não seria feito se o escritório do Ipea não tivesse sido instalado em Caracas.

Temos um déficit no conhecimento sobre os nossos vizinhos. As responsabilidades que o Brasil assume como um global player, particularmente em sua atuação hemisférica, implica que as decisões de Estado estejam subsidiadas por estudos produzidos por suas múltiplas instituições, que devem ter inserção e presença internacional.

Portanto, a consolidação do escritório do Ipea na Venezuela é de interesse do Brasil. Oxalá que o sucesso da missão leve o Ipea a retomar o projeto de abertura de representações similares em outros países, em particular do Mercosul.

Do Blog Brasil no Mundo

Fazem parte do GR-RI e assinam esta nota
Adhemar Mineiro (Dieese), Adriano Campolina (AAid Brasil), Alexandre Barbosa (USP), André Calixtre (Ipea), Artur Henrique Silva (SMT-Prefeitura de SP),  Atila Roque, Audo Faleiro (Assessoria PEB-Planalto), Augusto Juncal (MST), Bianca Suyama (Articulação Sul), Carlos Ruiz (UEPB), Carlos Tibúrcio (CCF), Cristina Pecequilo (Unifesp), Darlene Aparecida Testa (CUT), Deisy Ventura (USP), Dr. Rosinha (deputado federal), Fábio Balestro (SRI – RS), Fátima Mello (Fase), Fernando Santomauro (CRI-Guarulhos), Giorgio Romano (UFABC), Gonzalo Berrón (FES), Graciela Rodriguez (Equit), Iara Pietricovsky (INESC), Igor Fuser (UFABC), Iole Ilíada (FPA), Jefferson Lima (JPT), João Felício (CUT), Joaquim Pinheiro (MST), Jocélio Drummond (ISP), José Paulo Guedes Pinto (UFABC) Josué Medeiros (Opsa), Kjeld Jakobsen (Idecri), Leocir Rossa (FMG), Letícia Pinheiro (IRI-PUC RJ), Luiz Antonio de Carvalho (MMA), Luiz Dulci (I. Lula), Luiz Eduardo Melin (BNDES), Marcelo Zero (Liderança do PT no Senado), Marcos Cintra (IPEA), Maria Regina Soares de Lima (UERJ/OPSA), Maria Silvia Portella de Castro (CUT), Matilde Ribeiro (Seppir-PMSP), Maureen Santos, Michelle Ratton (FGV), Milton Rondó (Itamaraty), Moema Miranda (Ibase), Mónica Hirst (Universidad de Quilmes), Nalu Faria (SOF), Nathalie Beghin (INESC), Paulo Vannuchi (Instituto Lula), Pedro Bocca (MST), Rafael Freire (CSA), Renata Reis (MSF-Brasil), Ricardo Azevedo (Assessoria PEB-Planalto), Roberto Amaral (PSB), Ronaldo Carmona (USP), Rossana Rocha Reis (USP), Rubens Diniz (Iecint), Salem Nasser (FGV), Sebastião Velasco (Unicamp), Sérgio Godoy (FSA), Sergio Haddad (Ação Educativa), Silvio Caccia Bava (Instituto Polis), Terra Budini (SRI-PT), Tudi Lucilene Binsfeld (Contracs), Tullo Vigevani (Cedec), Valter Pomar (PT), Valter Sánchez (TVT), Ana Toni (GIP), Mauricio Santoro (AI-Brasil), Ricardo Alemão Abreu (SRI / PCdoB), Camila Asano (Conectas), Juliano Aragusuku (UNICAMP), Gilberto Maringoni (UFABC), Vera Masagão (Ação Educativa), Vicente Trevas (SRI – Prefeitura SP).

liberdade de imprensa?

Repórter da Globo resolve ser sincera: 'A ordem é ouvir só o Paulinho da Força'

por Rodrigo Vianna, do Escrevinhador publicado 10/04/2014 16:22, última modificação 10/04/2014 16:28
escrevinhador/reprodução
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Paulinho com a repórter escondidos em uma agência bancária depois da declaração da moça

A informação apareceu primeiro no facebook de Marize Muniz, assessora de imprensa da CUT. Ela contou o que aconteceu ontem (9), quando uma repórter da Globo, destacada para cobrir a manifestação das centrais sindicais no centro de São Paulo, teve um infeliz ataque de sinceridade. Vejam:

(por Marize Muniz, via facebook)

“Deu dó. Sempre tenho pena de pessoas inocentes.

Foquinha da TV Globo gravou sonora com os caras da Força Sindical (do Aécio Neves), na Praça da Sé, durante manifestação de seis centrais sindicais.

Aí, um militante cutista foi lá e perguntou: e a CUT, você não vai ouvir ninguém da maior central da América Latina?

A pobrezinha respondeu: Tenho ordens da redação para só ouvir os caras da Força.

Foi um quiprocó danado e a bichinha teve de ir embora do local.”

===

Resolvi checar a informação com outros manifestantes. E aí vieram mais detalhes. A jovem repórter da Globo – movida por ingenuidade, como sugere Marize (ou, quem sabe, por arrogância) – teria dito, com todas as letras, que estava ali só para entrevistar o “Paulinho da Força”. Essa teria sido a instrução recebida, ao sair da Redação.

Como se sabe, Paulinho é o presidente de central sindical mais crítica ao governo Dilma. Rompeu com o governo, e declarou que vai apoiar Aécio (PSDB) a presidente.

Não há problema nenhum em entrevistar o Paulinho. Afinal ele é o presidente legítimo de uma central sindical importante. O problema é a repórter de uma TV que é concessão pública revelar que tinha instruções claras para entrevistar apenas Paulinho da Força.

Um militante da CUT teria insistido, apresentando: “Olha, essa aqui é nossa vice-presidenta, a Carmen, você não quer ouvir a CUT?”

A jovem repórter teria respondido: “Não, a orientação é ouvir só o Paulinho da Força”.  A jornalista foi então vaiada e hostilizada pelos manifestantes – que passaram a gritar o tradicional “O povo não é bobo, fora a Rede Globo”.

“Ela não fez a entrevista. Ficou com medo e correu para uma agência do Bradesco do outro lado da rua”, contou-me um manifestante com quem conversei há pouco.

Os manifestantes registraram a cena da jornalista escondida na agência – como mostram as fotos que o Escrevinhador publica com exclusividade.

Poucos minutos depois, Paulinho chegou e foi dar a entrevista, dentro da agência bancária. Manifestantes ligados à CUT seguiram vaiando e fotografando. Um segurança (da Globo? da Força Sindical?) teria se aproximado de uma manifestante que fazia as fotos, e tentado tomar o celular das mãos dela. Não conseguiu. Aparentemente, a jornalista também não conseguiu gravar com Paulinho da Força…

O caso revela algumas coisas:

- a Globo (sob comando de Ali Kamel, aquele que adora processar blogueiros) segue pretendendo controlar a realidade; se é inevitável cobrir a manifestação, que se dê voz só aos amigos da casa e aos inimigos do governo petista;

- os jornalistas da Globo já foram mais espertos; por que a jovem repórter teve aquele ataque de sinceridade? Podia ter feito a entrevista com a dirigente da CUT, e a redação depois se encarregaria de cortar…

Mas jornalistas criados no ar-condicionado, sem  vivência de rua, talvez acreditem que ao carregar o microfone da Globo podem qualquer coisa; vão-se distanciando do mundo real, e acabam surpreendidos quando enfrentam uma situação dessa.

A Marize (que foi chefe da pauta da Globo, tem experiência de sobra) ficou com pena da moça. Eu também fiquei.

Por outro lado, fiquei feliz porque agora uma história dessa não passa em branco. A Globo mente sem parar no JN, JG etc. Mas, pelo menos nesse caso, as fotos e o relato completo estão na internet. A mídia velhaca já não fala sozinha…

Em tempo: o ato das centrais foi um sucesso em São Paulo; reuniu 10 mil pessoas segundo a PM, ou 40 mil segundo os manifestantes.

Entre as reivindicações estão redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais sem redução de salário, manutenção da política de valorização do salário mínimo, fim do fator previdenciário, redução da taxa básica de juros e correção e progressividade da tabela do Imposto de Renda.

Relações entre Globo e ditadura são tema de debate que marca 50 anos do golpe

por Redação RBA publicado 28/03/2014 19:13, última modificação 28/03/2014 19:58
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O empresário Roberto Marinho, grande impulsionador das Organizações Globo durante o regime

O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé promove amanhã (29), a partir das 18h, no Espaço Cultural Lélia Abramo, o debate "TV Globo: do golpe de 1964 à censura de hoje", que instalou uma ditadura civil-militar no Brasil por 21 anos.

A censura e as ações judiciais promovidas pela organização contra blogueiros independentes também fazem parte do debate, composto por Paulo Henrique Amorim, do blog Conversa Afiada, César Bolaño, autor do livro Rede Globo: 40 anos de poder e hegemonia, Douglas Belchior, dirigente da Uneafro, e Beatriz Kushnir, professora e autora do livro Cães de guarda. A mediação será de Paulo Salvador, coordenador da RBA.

Fechando com um churrasco, o debate servirá também para arrecadar fundos em solidariedade ao blogueiro Marco Aurélio Mello, processado pela Globo. O Lélia Abramo fica na rua Carlos Sampaio, 305, estação Brigadeiro do Metrô, e a transmissão será pelo VioMundo.

Eleições 2014

Em encontro, institutos de pesquisa buscam fórmula perfeita para derrotar Dilma

Apostas se concentram sobre apagões e problemas na Copa, capazes de provocar mau humor e desgastar a imagem de gestora associada à presidenta. Economia, 'muito complicada para o povão', é descartada
por Redação RBA publicado 25/03/2014 14:05, última modificação 25/03/2014 15:10
Tânia Rêgo/Arquivo ABr
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Na torcida: pesquisadores avaliam que resultado dentro de campo durante Mundial terá pouco impacto

São Paulo – O World Trade Center, prédio empresarial de luxo às margens da Marginal Pinheiros, em São Paulo, sedia até o fim da tarde de hoje (25) o 6º Congresso Brasileiro de Pesquisa, que reúne especialistas em dados e estatísticas de todas as áreas – e, como não poderia deixar de ser em ano de disputa pela Presidência da República, também os profissionais das pesquisas de opinião e eleitorais. Representantes de Ibope, Vox Populi, Datafolha e Sensus foram convidados para uma mesa de debate sobre as tendências do eleitorado em um ano que acumula, além do pleito, a realização da Copa do Mundo da Fifa e a perspectiva de manifestações de rua inspiradas pela mobilização de junho de 2013.

A mesa, porém, embora batizada de "Debate sobre o cenário da eleição presidencial 2014", poderia ter outro nome: "Como derrotar Dilma Rousseff?". Mediado por Emy Shayo, analista do banco norte-americano J.P. Morgan, que também redigiu a maior parte das perguntas feitas aos convidados, o debate explorou monotematicamente as fragilidades da candidatura petista à reeleição e ditou fórmulas, com base nos resultados das últimas pesquisas de opinião, sobre como enfraquecer a campanha governista. O público, composto principalmente por empresários, profissionais da área e jornalistas, embarcaram nos "testes de hipótese" propostos pela organização e seguiram a mesma linha em seus questionamentos.

Regidos pela assessora do banco, os debatedores apresentaram conclusões importantes para a plateia. Petrobras e rating do Brasil, por exemplo, são temas "para o Valor Econômico, para os participantes deste fórum, mas muito complicados para o povão", de acordo com Márcia Cavallari, do Ibope. Já as manifestações contra a Copa do Mundo, segundo os debatedores, podem desestabilizar o governo desde que alcancem o público "desejado".

"É garantida a confusão durante a Copa. Estou na bolsa de apostas com 150 mil pessoas na rua durante a Copa", torce Ricardo Guedes, do Sensus. O resultado em campo não importa: Mauro Paulino, do Datafolha, ressaltou que não houve mudança no comportamento dos eleitores após a vitória na Copa das Confederações, por exemplo, mas destacou que "a chance de atingir o governo é havendo problemas na execução".

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, também foi descartado como elemento-surpresa para favorecer a oposição porque sua suposta imagem de impoluto não encaixa no figurino nem de Aécio Neves (PSDB), nem de Eduardo Campos (PSB), mas há "esperança" em relação à possibilidade de crise energética e de abastecimento de água.

Para Antonio Lavareda, da consultoria política MCI, "esse tipo de crise atinge o cerne da imagem de Dilma, que é a da gestora, da mulher-eficiência". As consequências da má gestão das águas sobre a imagem de Geraldo Alckmin (PSDB), que também concorre à reeleição neste ano e cujo governo gere o abastecimento de água e o tratamento de esgoto em São Paulo, não foram abordadas durante o debate.

Lavareda foi um dos palestrantes mais requisitados pela mediação, embora não pertença a nenhum instituto de pesquisa. Ele foi o único a defender abertamente que a presidenta entra na disputa em desvantagem: de acordo com ele, 60% dos brasileiros querem a mudança e esse capital político irá se acumular em torno do candidato da oposição capaz de chegar ao segundo turno. "É quase certo que haverá segundo turno", afirmou.

Ele protagonizou ainda o momento de maior sinceridade do encontro: diretamente questionado pela mediadora sobre o que é necessário fazer para que o PSDB consiga usar a "paternidade" do Plano Real de forma eficiente contra o PT nas eleições, disse apenas: "Esse tipo de assessoria é o que fazemos em minha empresa, e não somos uma entidade filantrópica". Embora não confirme a informação, a empresa de Lavareda está acertada com o PSB de Eduardo Campos para a campanha eleitoral deste ano, após muitos anos se dedicando a serviços ao PSDB.


Contraponto

Gabrielli grava sua própria entrevista e publica versão não editada pela Globo

Ex-presidente da Petrobras, que já havia inovado quando criou blog da estatal para se precaver de distorções pela imprensa. É uma oportunidade de eleitor comparar a versão com a informação
por Redação RBA publicado 22/03/2014 10:05, última modificação 22/03/2014 10:05
Reprodução

O ex-presidente da Petrobras. Sérgio Gabrielli, pediu a um assessor que gravasse, na íntegra, a entrevista que concedeu a uma equipe da TV Globo e que foi exibida pelo Jornal Nacional na noite de quinta-feira (20). Na entrevista, descreve em que condições foi efetuada a compra da refinaria de Pasadena pela estatal em 2006. E defende o negócio.

Não é a primeira vez que Gabrielli adota medidas de precaução contra possíveis gestos de distorção da informação por parte da imprensa. Quando presidia a estatal, criou o Blog da Petrobras, em que publicava na íntegra as perguntas que lhe eram dirigidas por jornalistas e suas respectivas respostas. Na época, a tática preventiva irritou os veículos. Mas acabou se consolidando como uma estratégia inovadora de comunicação empresarial.

Uma boa medida em defesa de uma empresa do porte da Petrobras, que é rodeada de riscos. Por ser controlada pelo Estado, é objeto de disputa política, e os que torcem pelo desgaste de seu controlador de ocasião muitas vezes jogam pesado com a informação, sem se importar muito com o impacto das notícias nas bolsas, na imagem da empresa e, consequentemente, da oscilação do preços de das ações e do próprio valor da companhia. O se importando muito também.

No submundo das notícias e do mercado de capitais, a associação de interesses mais que políticos para jogara para cima ou para baixo o preço da ações não é exatamente uma raridade. E se o esquema tático consegue num só lance o sucesso especulativo e o impacto político, mais que um gol, é uma cesta, vale dois.

Assista ao vídeo bruto, publicado ontem pelo jornalista Miguel do Rosário em seu blog O Cafezinho a entrevista sem edição.

E se tiver paciência, compare com a matéria editada pela Globo

justiça

Depois de morto, Gushiken derrota ‘Veja’: o caso das falsas contas no exterior

Os herdeiros agora acabam de colher nova vitória contra “Veja”. O TJ-SP mandou subir a indenização para 100 mil reais, e deu uma lição na revista publicada às margens fétidas da marginal
por Rodrigo Vianna, do Escrevinhador publicado 13/03/2014 19:39
Divulgação
Luiz Gushiken

O “samurai” ganhou a batalha. Inclinou-se, ficou perto de quebrar-se. Mas está de pé novamente

Quase oito anos se passaram. A Justiça levou tanto tempo para ser feita, que a vítima dos ataques covardes já não está entre nós. Fundador do PT, bancário de profissão, Luiz Gushiken foi ministro da Secom na primeira gestão Lula. Por conta disso, teve seu nome incluído entre os denunciados do “mensalão” (e depois retirado do processo, por absoluta falta de provas)…

Mas os ataques de que tratamos aqui são outros. Em maio de 2006, a revista Veja publicou uma daquelas “reportagens” lamentáveis, que envergonham o jornalismo. A torpe “reportagem” (acompanhada de texto de certo colunista que preferiu se mudar do Brasil – talvez, por vergonha dos absurdos a que já submeteu os leitores) acusava Gushiken de manter conta bancária secreta no exterior. Segundo a publicação da editora Abril, os ministros Marcio Thomaz Bastos, Antonio Palocci e José Dirceu (além do próprio Lula!) também manteriam contas no exterior.

Qual era a base para acusação tão grave? Papelório reunido por ele mesmo – o banqueiro Daniel Dantas. A Veja trabalhou como assessoria de imprensa para Dantas. Da mesma forma como jogou de tabelinha algumas vezes com certo bicheiro goiano. Mas mesmo ataques vis precisam adotar alguma técnica, algum rigor.

No caso das “contas secretas”, não havia provas. Havia apenas o desejo da revista de impedir a reeleição de Lula. O vale-tudo estava estabelecido desde o ano anterior (2005) – com a onda de “denuncismo” invadindo as páginas (e também as telas – vivi isso de perto na TV Globo comandada por Ali Kamel) da velha imprensa.

Pois bem. Gushiken processou a Veja. O trabalho jurídico (árduo e competente – afinal, tratava-se de enfrentar a poderosa revista da família Civita) ficou por conta do escritório Manesco, Ramires, Perez, Azevedo Marques Sociedade de Advogados – com sede em São Paulo. Em primeira instância, a revista foi evidentemente derrotada. Mas a Justiça arbitrou uma indenização ridícula: R$ 10 mil. Sim, uma revista que (supostamente) vende 1 milhão de exemplares por semana recebe a “punição” de pagar R$ 10 mil reais a um cidadão ofendido de forma irresponsável. Reparem que este blogueiro, por exemplo, que usou uma metáfora humorística para se referir a certo diretor da Globo (afirmando que ele pratica “jornalismo pornográfico”), foi condenado em primeira instância a pagar R$ 50 mil reais a Ali Kamel!

Gushiken morreu, mas a ação seguiu. E os herdeiros agora acabam de colher nova vitória. O TJ-SP mandou subir a indenização para R$ 100 mil e deu uma lição na revista publicada às margens fétidas da marginal.

O desembargador Antonio Vilenilson, em voto seguido pelos demais desembargadores da Nona Câmara de Direito Privado do TJ-SP (apelação cível número 9176355-91.2009.8.26.0000), afirmou:

A Veja dá a entender que não eram fantasiosas as contas no exterior. E não oferece um único indício digno de confiança. Infere, da identidade dos acusadores e dos interesses em jogo, a verdade do conteúdo do documento. A falácia é de doer na retina.”

O “samurai” ganhou a batalha. Inclinou-se, ficou perto de quebrar-se. Mas está de pé novamente. E é de se perguntar, depois da sentença proferida: quem está morto mesmo? Gushiken ou o “jornalismo” apodrecido da revista Veja?

Leia o artigo na íntegra

Sem assunto proibido

Ferréz: 'O meu olhar é de guerra'

Em entrevista ao Nota de Rodapé, escritor opina sobre Polícia Militar, aborto, maconha, maioridade penal, literatura, partidos políticos, corrupção e educação
por Nota de Rodapé publicado 13/03/2014 09:55, última modificação 13/03/2014 11:39
Youtube / Reprodução
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Contundente, Ferréz diz que país virou uma 'groselha'

São Paulo – Pouco antes de o país explodir com as jornadas de junho do ano passado, o Nota de Rodapé, em parceria com a Bonita Produções, colocou em prática projeto concebido meses antes: um programa de entrevistas para a internet - e, quem sabe, para a televisão - no qual a ideia central é que não exista assunto proibido com o entrevistado.

Chamamos a empreitada de NR conversa. A ideia aqui é levantar temas de relevância nacional, tabus ou não, que contribuam para o debate social e político mais amplo, que fuja, eis o grande desafio, da mesmice dos programas do gênero que estão disponíveis ao público.

 

 

Para a primeira conversa, convidamos o romancista, cronista e contista Reginaldo Ferreira da Silva, conhecido pela alcunha de Ferréz. O autor de Capão PecadoManual Prático do ÓdioDeus foi Almoçar é também o criador da 1daSul, que, além de ser uma marca de roupas e acessórios criada para os moradores da periferia, promove eventos e ações culturais na região do Capão Redondo, bairro onde mora, com forte influência do movimento hip-hop.

Durante o NR conversa, no Bar Tubaína, em São Paulo, numa tarde fria e chuvosa, Ferréz opinou com propriedade sobre temas como a Polícia Militar, aborto, maconha, maioridade penal, literatura, partidos políticos, corrupção e educação, sempre com a verve contundente de quem respira o dia a dia da periferia paulistana. Logo de início, ele provoca: “Costumo dizer que o meu olhar é de guerra. Hoje em dia, nós vivemos numa sociedade que ninguém quer se apegar a nada. Quem tem ponto de vista machuca, quem não tem, não causa nada. Tem coisas que você têm que tocar mesmo no assunto, porque o país virou um groselha, mano”. Uma entrevista sem frescura e explosiva. Esperamos que você goste e compartilhe. Mais do que isso: que sirva de reflexão. Aproveite!

Os jornalistas entrevistadores do programa são: Thiago Domenici, coordenador e editor do Nota de Rodapé, também editor da revista Retrato do Brasil; Moriti Neto, colaborador do NR e um dos editores da Rede Brasil Atual, e Marina Amaral, sócia-diretora da Pública, a primeira agência de jornalismo investigativo do país.

Dia Internacional

CUT: luta por igualdade entre homens e mulheres é desafio para toda sociedade

Desafios são regulamentação do trabalho doméstico, igualdade de remuneração e de oportunidades no mercado e repartição desigual entre homens e mulheres nas atividades do lar
por Rosane Silva e Vagner Freitas* publicado 08/03/2014 08:23
João Carlos Mazella/Fotoarena/Folhapress
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Mulheres celebram a data em Recife: oportunidades e direitos básicos ainda refletem preconceito

A luta das mulheres por melhores condições de vida e de trabalho, pelo direito ao voto e pela emancipação, inspirou a criação do Dia Internacional da Mulher, celebrado neste 8 de março.

A atuação das mulheres no processo de transformação social garantiu a ampliação do direito ao voto, a participação e a formalização no mercado de trabalho, acesso à renda, direitos e participação na vida pública. E as mulheres, que começaram brigando por trabalho decente, hoje presidem países como o Brasil de Dilma Rousseff e o Chile de Michelle Bachelet, ocupam cargos importantes em empresas e nos parlamentos mundo afora. São respeitadas.

A discriminação e a desigualdade entre homens e mulheres, no entanto, ainda atinge milhões de mulheres em todos os continentes. As mulheres conquistaram mais anos de estudo do que os homens, porém, a taxa de desemprego entre as mulheres é maior e a desigualdade salarial continua. Sem falar que a maioria sobrevive da economia informal. Evidentemente, as maiores vítimas são as mais pobres e as negras, com baixa escolaridade e sem muita qualificação profissional.

Em alguns países, dívidas históricas começam, mesmo que timidamente, a ser corrigidas, mas a reação das elites econômica e política reduz o ritmo das mudanças. Esse é o caso do Brasil, onde depois de muito debate e pressão das trabalhadoras domésticas, dos movimentos sindical e social, começou a ser corrigida uma injustiça histórica com um dos maiores grupos de trabalhadoras do País: o das domésticas. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil é o maior empregador de domésticas do mundo. São 7,2 milhões de trabalhadoras. Nesse universo, 59,6% são negras.

Em 2013, no governo da presidenta Dilma, a legislação trabalhista igualou os direitos das empregadas domésticas ao dos demais assalariados. 25 anos depois da promulgação da nossa Carta Magna e 126 após o fim da escravidão no Brasil, o emprego doméstico foi finalmente incorporado ao artigo 7º da Constituição Federal.

Agora, essas trabalhadoras têm os mesmos direitos que os demais trabalhadores. Além disso, o trabalho doméstico é considerado insalubre e perigoso, vedado a menores de 18 anos. Mas a luta não terminou. Sempre atento aos humores da elite, que reagiu negativamente, o Congresso Nacional ainda não regulamentou o Projeto de Lei do Senado (PLS) 224, de 2013, que define aspectos do emprego doméstico, como a multa do FGTS, a definição da jornada de trabalho e multa no caso de demissão.

Em 2014, os desafios para o governo, para o Congresso Nacional e para toda a sociedade são a regulamentação do trabalho doméstico, igualdade de remuneração e de oportunidades no mercado e a repartição desigual entre homens e mulheres nas atividades do lar.

A luta por igualdade entre homens e mulheres é um desafio não apenas da CUT, mas de toda a sociedade brasileira.

Nossa homenagem a todas as mulheres do Brasil.

* Rosane Silva é secretária nacional da Mulher Trabalhadora. Vagner Freitas é presidente nacional da CUT

Entre Aspas

Uma aula de Venezuela e um pito na Globo, em plena Globo

Em debate na Globonews, Igor Fuser, professor de Relações Internacionais da UFABC, explica a crise, derruba o mito da ‘falta de liberdade’ no país vizinho e desnuda a parcialidade da imprensa
por Paulo Donizetti de Souza, da RBA publicado 19/02/2014 14:30, última modificação 19/02/2014 18:47
Reprodução
Igor

Igor: "Em 15 anos de chavismo nunca vi uma notícia positiva. Será que os venezuelanos são burros"?

São Paulo – O professor de Relações Internacionais da USP José Augusto Guillon e a apresentadora Mônica Waldvogel, do programa Entre Aspas, da Globonews, chegaram ao limite da gagueira, ontem (18), durante debate a respeito da crise na Venezuela com a participação do jornalista Igor Fuser, do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC). O debate começa dirigido, ao oferecer como gancho para a discussão a figura de Leopoldo López, o líder oposicionista acusado de instigar a violência nos protestos das últimas semanas, e preso ontem.

Diz a narração de abertura: “Ele é acusado de assassinato, vandalismo e de incitar a violência. Mas o verdadeiro crime de Lopez, se podemos chamar isso de crime, foi convocar uma onda de protesto contra o governo de Nicolás Maduro. Protestos seguidos de confrontos que deixaram quatro mortos e dezenas de feridos”. E segue descrevendo que a violência política decorre da imensa crise no país – inflação, falta de produtos nas prateleiras, criminalidade em alta. Ainda no texto de abertura, na voz de Mônica, o governo é acusado de controlar a economia e a Justiça, pressionar a imprensa e lançar milícias chavistas contra dissidentes. E encerra afirmando que Leopoldo Lopez, na linha de frente, reivindica canais de expressão para os venezuelanos, e abrem-se as aspas para Lopez: “Se os meios de expressão calam, que falem as ruas”.

Do início ao fim do debate, com serenidade e domínio sobre o assunto, Igor Fuser leva a apresentadora e o interlocutor às cordas. Reconhece as dificuldades políticas do presidente Nicolás Maduro e a divisão da sociedade venezuelana. Mas corrige os críticos, ao enfatizar que o país vive uma democracia, e opinar que a campanha liderada por López é “golpista”, ao ter como mote a derrubada do governo legitimamente eleito com mandato até 2019.

Fuser informa que em dezembro se cristalizou um processo de diálogo entre governo e oposição, então liderada por Henrique Capriles, derrotado nas duas últimas eleições presidenciais por margem muito pequena de votos. E que a disposição ao diálogo levou a direita mais radical a isolá-lo, permitindo a ascensão de figuras como Leopoldo López. Indagado se não seria legítimo as manifestações da ruas pedirem a saída do governo, como foi no Egito ou está sendo na Ucrânia, o professor da UFABC resume que as manifestações na Ucrânia são conduzidas por nazistas, e no Egito a multidão protestava contra uma ditadura. Lembra que na Venezuela houve quatro eleições nos últimos 15 meses, que o chavismo venceu todas no plano federal, mas que as oposições venceram em cidades e estados importantes, governam normalmente e as instituições funcionam, e que a Constituição é cumprida.

Questionado sobre a legitimidade da Constituição – que teria sido sido aprovada apenas por maioria simples – informou que a Carta, depois de passar pelo Parlamento, foi submetida a referendo popular e aprovada por 80% dos venezuelanos – o que inclui, portanto, mais da metade dos que hoje votam na oposição. E à ironia dos debatedores, de que seria paranoia das esquerdas acusar os Estados Unidos de patrocinar uma suposta tentativa de golpe, esclareceu: os Estados Unidos estiveram por trás de tantos golpes da América Latina – na Guatemala nos anos 1950, no Brasil em 1964, no Chile em 1973, na própria Venezuela em 2002 – que não é nenhum absurdo supor que estejam por trás de mais um. E que também não é absurdo, em nenhum país do mundo, expulsar diplomatas que se reúnem com a oposição como se fossem dela integrantes.

O jornalista desmontou também os argumentos de que o país sofre de ausência de liberdade de expressão. Disse que o governo dispõe, de fato, de jornais, canais de rádio e de televisão importantes, mas que dois terços dos veículos de imprensa da Venezuela são controlados por forças oposicionistas. E que o que existe na Venezuela seria, portanto, a possibilidade de contraponto. E Fuser foi ferino no exemplo dos problemas que a ausência de diversidade nos meios de comunicações causam à qualidade da informação: “Sou jornalista de formação e nunca vi nem na Globo nem nos jornais brasileiros uma única notícia positiva sobre a Venezuela. Uma única. A gente pode ter a opinião que a gente quiser sobre a Venezuela, é um país muito complicado. Agora, será que em 15 anos de chavismo naõ aconteceu nada positivo? Eu nunca vi. Não é possível que só mostrem o que é supostamente ruim. Cadê o outro lado? Será que os venezuelanos que votaram no Chávez e no Maduro são tão burros, de votar em governo que só faz coisa errada?”

Vale a pena assistir aos 26 minutos de programa. Essa crítica à Globo em plena Globo está nos dois minutos finais.

E fecha aspas! Fecha aspas!

Frei Betto

Educadores têm papel preponderante na construção da ética

Para o teólogo, educador deve formar seres humanos felizes, dignos, dotados de consciência crítica e participantes no desafio de melhorar o mundo
por Redação RBA publicado 17/02/2014 14:25, última modificação 17/02/2014 14:59
Bruno Polleti/Folhapress
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Para frei Betto, o trabalho pedagógico é fonte de emulação moral

São Paulo – O teólogo Frei Betto dedicou seu comentário de hoje (17) na Rádio Brasil Atual a uma reflexão sobre a necessidade de haver um processo permanente de formação de professores, que tenha como horizonte a sua influência sobre a preparação dos indivíduos para a vida em sociedade. Frei Betto considera que um dos fatores que levaram à derrocada dos regimes socialistas na Europa foi o descuido de um preceito marxista: “O socialismo europeu teve o erro de supor que seriam naturalmente socialistas pessoas nascidas em uma sociedade socialista. Esqueceu-se da afirmação de Marx de que a consciência reflete as condições materiais de existência, e também influi e modifica essas condições”.

Segundo o comentarista, tudo o que o socialismo pretendia, e que de alguma maneira alcançara – redução da desigualdade social, emprego pleno, saúde e educação gratuitas e de qualidade para todos, controle da inflação etc. – desapareceu para dar lugar as características desumanas do neoliberalismo, no qual a pessoa é encarada não como cidadã, mas como consumidor.

“Nenhum de nós é invulnerável às seduções capitalistas, aos atrativos do individualismo, à tentação do endividamento em detrimento do sofrimento alheio e das carências coletivas. Estamos todos permanentemente sujeitos as influências nocivas que satisfazem o nosso ego, e tendem a nos imobilizar quando se trata de correr riscos e abrir mão de prestígio, poder e dinheiro”, discorre.

Para ele, a corrupção é uma “erva daninha” inerente ao capitalismo e ao socialismo. “Jamais haverá um sistema social no qual a ética se destaque como virtude inerente a todos. Se não é possível alcançar a utopia de ética na política, é preciso conquistar a ética da política. Criar uma institucionalidade política, daí a importância da reforma política no Brasil. Isso só será possível em um sistema no qual inexista a impunidade."

Nesse ambiente, o trabalho pedagógico é fonte de emulação moral para a qual os professores desempenham papel preponderante ao lidar com a formação da consciência das novas gerações. “Um professor ético, um professor progressista deve ter atitudes pautadas pela construção de uma identidade humana na qual haja adequação entre essência e existência. O papel número um do educador não é, portanto, formar mão de obra especializada ou qualificada para o mercado de trabalho. É formar seres humanos felizes.”

Ouça o comentário na Rádio Brasil Atual: