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A Globo e suas armas sujas para perpetuar o golpe e um governo para chamar de seu

"Jornalismo" de guerra da família Marinho – a mais rica do Brasil, segundo a Forbes – ataca com armas sujas, acoberta denúncias contra aliados no golpe e atesta cumplicidade com os assaltantes do poder e da democracia
por Helder Lima e Paulo Donizetti de Souza, da RBA publicado 06/09/2017 12h24, última modificação 06/09/2017 16h50
"Jornalismo" de guerra da família Marinho – a mais rica do Brasil, segundo a Forbes – ataca com armas sujas, acoberta denúncias contra aliados no golpe e atesta cumplicidade com os assaltantes do poder e da democracia
reproduções
globo

A família que desde a ditadura se estabeleceu como dona da mídia nacional e assim enriqueceu não convive com a democracia

O sistema globo de "jornalismo" de guerra volta a atacar com suas armas sujas. Em sua edição desta terça-feira (5), o Jornal Nacional dedicou três minutos à entrevista com Rodrigo Janot, o procurador-geral da República sobre sua atuação na reta final de seu mandato. Outros 12 minutos foram dedicados ao vazamento de conversa entre Joesley Batista e Ricardo Saud, ambos delatores da J&F, em que citam sem consistência alguma integrantes do Ministério Público e do Supremo Tribunal Federal – dando a entender que estariam sob suspeição. E outros cinco minutos foram usados para destacar acusações de Janot à cúpula do PT e aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Os R$ 51 milhões em dinheiro encontrados em apartamento que servia de bunker do ex-ministro Geddel Vieira Lima, em Salvador – maior quantia já apreendida pela Polícia Federal em sua história – e prova viva do envolvimento do peemedebista em bandidagem, consumiram pouco mais de 2 minutos. Geddel, ao lado dos ministros Eliseu Padilha, Moreira Franco e do ex-deputado, hoje preso, Eduardo Cunha, é integrante da cúpula mais próxima de Michel Temer.

Como só a Globo se supera, a organização estampou hoje em seu jornal impresso carioca a manchete "Janot denuncia Lula e Dilma por organização criminosa". O título vem acompanhado da vinheta "Corrupção em série" e seguido por uma foto que ocupa toda a largura da página com as malas de dinheiro apreendidas pela PF no bunker de Geddel.

A capa rasteira, descarada, revela-se uma peça de manipulação grotesca, e não deixa margem de dúvidas de que a família Marinho está mancomunada com os ladrões que assaltaram o poder sob as hostes de Michel Temer.

O bombardeio acontece na semana em que se noticiou que a advogada Rosângela Moro, mulher do juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, em Curitiba, teria recebido dinheiro do escritório do também advogado Rodrigo Tacla Duran, apontado como operador de propina da construtora Odebrecht. E no dia em que a caravana Lula pelo Brasil encerra sua primeira empreitada, na Região Nordeste, coroada de êxito, depois de viajar por 20 dias sendo aclamado nas 59 cidades por onde passou.

A desonestidade jornalística do editor, associando as malas de dinheiro aos nomes de Lula e Dilma, representa um ataque político, que só a ingenuidade de eleitor já movido pelo sentimento de ódio vai admitir. Mas a edição de hoje do jornal é também uma oportunidade para o leitor refletir sobre a até onde pode ir a capacidade de manipulação da imprensa para sustentar o golpe que ajuda a aplicar na democracia brasileira.

Representa também uma prova inconteste de que setores do Judiciário e da Polícia Federal trabalham para promover o espetáculo, como forma de promover o julgamento público e moral dos investigados a quem perseguem com objetivos políticos. O parecer de Janot contra o PT não deixa dúvida de que querem não apenas eliminar seus principais líderes, como também extinguir a legenda – a ficção tomou conta do jogo dos golpistas.

Como diria Guy Debord, em A Sociedade do Espetáculo, esse movimento bizarro do jornal da família Marinho "é o mau sonho da sociedade moderna acorrentada, que finalmente não exprime senão o desejo de dormir. O espetáculo é o guardião deste sono". E faz parte da estratégia da corporação estabelecida na ditadura e que está sempre disposta a tudo para ter um governo para chamar de seu.