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Áudio tratado mostra Temer se gabando do 'apoio da imprensa'

Partes do áudio que estavam inaudíveis agora podem ser compreendidas. Por bons minutos Temer também se gaba para o empresário Joesley Batista pela retirada de direitos e supressão de gastos sociais
por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania publicado 19/05/2017 16h33, última modificação 19/05/2017 19h05
Partes do áudio que estavam inaudíveis agora podem ser compreendidas. Por bons minutos Temer também se gaba para o empresário Joesley Batista pela retirada de direitos e supressão de gastos sociais
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Temer e a imprensa: presidente revela parceria que já vinha sendo cantada em verso e prosa

O Blog da Cidadania obteve do engenheiro de som e produtor de áudio Guilherme Gama, da Dope Áudio Design, versão “tratada” e melhorada do áudio da conversa entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista, do Grupo JBS.

Segundo o técnico, muita coisa foi comprometida no áudio divulgado pela Globo porque foi gravada com microfone de lapela, que se coloca embaixo da roupa. Mas grande parte da gravação pôde ser melhorada.

Há vários trechos nos quais Temer fala bem baixinho, denotando que não queria ser ouvido.

O áudio analisado parece ter sido editado em mais de um ponto. A análise dos “timecodes” (“minutagem” do vídeo) mostra que a maioria dos sites que publicaram o áudio usaram a mesma versão.

O perito em questão tratou a gravação em um programa de edição de áudio a fim de eliminar ruídos e destacar a frequência em que as vozes atuam, a fim de elevar seu volume. Em algumas partes do vídeo deu certo.

O técnico ainda informa que conseguiu “nivelar” o volume das vozes dos dois locutores da gravação em tela, a fim de compensar o tom mais baixo que Michel Temer imprimiu à sua fala em contraposição à voz mais alta e decidida de Joesley.

Graças a isso, partes do áudio que estavam inaudíveis agora podem ser compreendidas.

Já no início da gravação, Temer diz a Joesley que a versão de Dilma Rousseff e de seus apoiadores de que ela sofreu um golpe, não colou. Temer diz que “ainda bem” que tem muito apoio no Congresso e muito apoio da imprensa. E que a economia está “dando certo” em “seis meses de governo”, apesar de estar no cargo há um ano e um mês.

Detalhe: Temer e Joesley dão sorrisinhos quando o presidente diz ter “apoio da imprensa”.

Por bons minutos Temer se gaba para Joesley pela retirada de direitos e supressão de gastos sociais. Os dois interlocutores afirmam que Temer fez tudo “muito rápido”, no que estão cobertos de razão.

Mais adiante, Temer se gaba por Moro ter indeferido “21 perguntas dele (de Eduardo Cunha)”, perguntas que, respondidas por Temer, indicariam suas relações impróprias com um agente privado investigado pela Lava Jato.

Joesley diz que está “de bem” com Eduardo (Cunha) e Temer responde que “tem que manter isso”.

Joesley diz a Temer que está “meio enrolado” porque está sendo investigado e “ainda” não foi denunciado.

Josley diz a Temer que “deu conta” de dois juízes e que está para “dar conta” do procurador que estava atrás dele e que isso tem um “lado bom” e outro “ruim”.

Dali para frente, Joesley relata a Temer como está conseguindo controlar a investigação no Ministério Público.

Enfim, está tudo muito claro. A relação imprópria de Temer com Joesley Batista é inquestionável. Foi relatado um crime ao presidente da República. O empresário em questão não explica como “deu conta” das autoridades que o investigam, mas isso não é muito difícil de descobrir.

Mais adiante, Joesley também se gaba de sua “boa relação com a imprensa”.

O fato mais inquestionável que a agora maior clareza desse áudio gera é que, além do que está sendo dito por aí sobre Temer ter no mínimo prevaricado, agora o presidente da República revela uma sua parceria com a imprensa que já vinha sendo cantada em verso e prosa nas redes sociais e blogs.

Por que não me surpreendo? Aliás, quem é, de fato, imprensa “chapa-branca”.

Enfim, ouça o áudio “tratado” pelo engenheiro de som Guilherme Gama, da Dope Áudio Design: