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Déficit de caráter

Demissão de secretário ‘meio coxinha’ não basta. Ele precisa responder à lei

Para ex-secretário do governo Dilma, responsável pela pasta da Juventude no governo Temer, Bruno Júlio, fez apologia ao crime e deve responder à Justiça. Bruno Júlio é a cara do golpe, e do PMDB
por Paulo Donizetti de Souza publicado 07/01/2017 12h38, última modificação 08/01/2017 12h48
Para ex-secretário do governo Dilma, responsável pela pasta da Juventude no governo Temer, Bruno Júlio, fez apologia ao crime e deve responder à Justiça. Bruno Júlio é a cara do golpe, e do PMDB
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Bruno e Temer

PMDB, de modelo de centro político e de resistência democrática, a partido dos sem projeto, sem ideologia e sem caráter

A demissão do secretário Nacional da Juventude, Bruno Júlio, anunciada neste sábado (7), é insuficiente para que ele responda pelas palavras infelizes que empregou. A secretaria foi criada durante o governo Lula, no âmbito da Presidência da República. Tem como objetivo articular políticas públicas transversais, que envolvam os demais ministérios por onde possam passar ações dirigidas a atender demandas dos brasileiros entre 16 e 27 anos de idade – Trabalho, Cultura, Educação, Desenvolvimento Social, Desenvolvimento Agrário, Ciência e Tecnologia etc. E, claro, Justiça também.

Especialmente estimular o protagonismo social das camadas mais pobres da população e, por meio da promoção de oportunidades de acesso a qualificação, emprego, renda, cultura, diversão e esperança, proteger essa população da vulnerabilidade ao crime e à violência.

Ao nomear para a pasta uma pessoa com a mentalidade de Bruno Júlio, Michel Temer expôs, mais do que uma caricatura, um retrato falado do que é seu governo e também o seu partido. O PMDB, do qual Bruno é secretário da juventude licenciado, que simbolizou no passado uma referência de centro político e de resistência democrática, tornou-se o grande partido dos sem projeto nacional, sem ideologia e, ao que parece, sem caráter.

“Eu sou meio coxinha sobre isso. Sou filho de polícia, né? Tinha era que matar mais. Tinha que fazer uma chacina por semana”, disse Bruno Júlio. Sendo filho de polícia, o demissionário deveria saber o que acontece com a população negra, pobre e jovem. Tinha de matar mais do que já se mata hoje todos os dias, secretário? E não sabe que este país não está nem um pouco longe de ter uma chacina todos os dias nas periferias?

Talvez tenha sido essa a razão que levou o presidente da República a silenciar por tantos dias depois do massacre de Manaus. O alto risco de dizer asneiras, às quais seu secretário de juventude, de governo e de partido, não se conteve.

Para Jeferson Lima, ex-secretário nacional de Juventude do governo de Dilma Rousseff, a demissão de Bruno Júlio não basta, é preciso que seja objeto de investigação judicial por apologia ao crime. “As palavras usadas pelo sr. Bruno Júlio para comentar o massacre ocorrido em Manaus são apologia ao crime, e, portanto, merecem ser repudiadas politicamente e investigadas do ponto de vista judicial. Ao defender a recente chacina e o massacre de presos no Brasil, o sr. Bruno Júlio afasta-se da figura de um gestor público e aproxima-se de um agitador que estimula o ódio, ataca pessoas e estimula práticas ilícitas”, afirmou Lima, em nota divulgada nesta sexta-feira.

Segundo Lima, não é a primeira vez que o secretário nacional de juventude do governo Temer comete crime. “O mesmo, Bruno Júlio, possui uma longa ficha corrida, e é alvo de duas graves acusações, de agressão à ex-mulher e de assédio sexual contra ex-funcionária. Ele foi acusado de agressão, ameaça e assédio sexual por duas mulheres. Em um dos boletins de ocorrência registrados contra Bruno, sua ex-companheira Vitoria Abreu Alves da Costa diz que ele a agrediu com ‘socos, tapas, chutes e puxões de cabelo, além de ameaçá-la com uma faca’”, relata.

As informações constam em dois boletins de ocorrência registrados em delegacias de Belo Horizonte.

Para Jeferson Lima, a fala irresponsável e criminosa de Bruno Júlio é alinhada com perfil de quem defende o extermínio da juventude negra, alinhada com o governo que acabou com o programa Juventude Viva e com a política de direitos humanos. “Essa declaração é uma incitação aos massacres e as chacinas. O secretário Bruno Júlio deverá responder à Justiça por sua apologia aos massacres, chacinas, bem como é urgente e necessário a abertura de um inquérito contra ele, na Comissão de Ética Pública da Presidência da República.”