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MAURO SANTAYANA

Como anda a entrega do petróleo brasileiro aos estrangeiros

O governo Dilma caiu, a economia está cada vez pior, mas a manipulação midiática continua canalha, mendaz, descarada e imparável
por Mauro Santayana, no Jornal do Brasil publicado 09/01/2017 15h58, última modificação 09/01/2017 13h59
O governo Dilma caiu, a economia está cada vez pior, mas a manipulação midiática continua canalha, mendaz, descarada e imparável
Divulgação/Petrobras
entreguismo

Critica-se a Petrobras por 'incompetência estatizante', que transfere ativos para estatais estrangeiras

Não bastasse a manipulação de dados e prazos em recentes mensagens publicitárias – sem contestação, principalmente jurídica, da oposição, que prova que, no quesito estratégico, é tão incompetente fora como dentro do poder –, a última manobra de alguns jornais e emissoras particularmente hipócritas está voltada para convencer os desinformados que compõem seu público que a recuperação do preço das ações da Petrobras neste ano se deu por causa da mudança de diretoria e da "venda" de US$ 13,6 bilhões em ativos e não graças à recuperação da cotação do petróleo nos mercados internacionais, além da compra de bilhões de reais em ações quando elas estavam no fundo do poço, por parte de "investidores" estrangeiros, que nunca deram bola para o discurso catastrófico e derrotista dos inimigos da empresa. 

Os últimos três "negócios", feitos na derradeira semana de 2016, foram a transferência de uma usina de biocombustíveis para os franceses e de duas empresas (petroquímica e têxtil) para mexicanos. 

Como há que dar uma no cravo e outra na ferradura, e água mole em pedra dura tanto bate até que fura, os mesmos meios de comunicação lembram que, apesar da valorização de suas ações em mais de 100% neste ano, a Petrobras deve, ainda, quatro centenas de bilhões de reais. 

Ora, independentemente da questão do endividamento da Petrobras, constantemente exagerada para justificar seu desmonte, se uma empresa deve 400 bilhões, 13,6 bilhões de dólares, que não chegam a 10% desse montante pela cotação atual da moeda, arrecadados com a apressada venda de ativos estratégicos, longe de serem decisivos, são praticamente irrisórios em termos contábeis. 

Sendo assim, nesse contexto, sua citação triunfal a todo momento só pode ser compreendida como mais um esforço – patético – de enganação da opinião pública, para justificar a entrega, nos próximos meses e anos, de uma fatia ainda maior do patrimônio de nossa maior empresa a concorrentes estrangeiros, sem nenhum critério estratégico e a preço de banana. 

O discurso entreguista é tão contraditório, que, por um lado critica-se a "incompetência estatizante" da Petrobras, a mais premiada empresa do mundo no desenvolvimento de tecnologia para a exploração de petróleo em águas profundas, e, por outro, se transfere seus poços e empresas a estatais estrangeiras como a Statoil e para fundos de pensão também estatais como o da província de British Columbia, no Canadá, um dos novos donos dos gasodutos do Sudeste.  

A "imprensa" cita como objetivo, nesse quesito, para 2017, a "negociação", pela Petrobras, de pouco mais de US$ 23 bilhões em ativos. 

Uma quantia que equivale a cerca de 7% das reservas internacionais brasileiras, que poderiam perfeitamente ser usados pelo governo para capitalizar a empresa sem depená-la, como a uma ave natalina, para servi-la, a preço de restaurante popular, para as multinacionais, como está sendo feito agora.  

Não por outra razão, a parcela estrangeira na produção de petróleo no Brasil, depois de operações como a transferência de campos como Carcará a empresas multinacionais, cresceu 14% no último ano, para 457 mil barris diários, e deve atingir em 2017 perto de 900 mil barris, ou quase a metade do que a Petrobras produz em território nacional. 

Isso ocorrerá não apenas pela continuação da venda – se não houver contestação judicial – de ativos da Petróleo Brasileiro S.A a estrangeiros, mas também pela queda intencional e programada de investimentos em exploração por parte da empresa, cuja produção crescerá, segundo prevê o "mercado", em apenas 2% este ano. 

Enquanto isso, graças à tentativa suicida, para não dizer imbecil, de repassar, imediatamente, as cotações internacionais para o consumidor brasileiro, o preço dos combustíveis continua subindo nos postos, a quase toda semana, mesmo quando o custo do barril desce no exterior. 

Ou alguém já viu – sem tabelamento, eventual promoção, "batismo" ou falsificação – gasolina baixar de preço nas bombas, no Brasil?