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Casal leva empregada a protesto e expõe parte da motivação contra o governo Dilma

por Redação RBA publicado 13/03/2016 23:04, última modificação 14/03/2016 12:48
João Valadares / Facebook
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A família e a empregada "em seu lugar". Imagem foi um dos destaques nas redes em dia de protestos da direita

Entre as muitas imagens das manifestações deste domingo (13), cujos motes principais foram "contra a corrupção", "fora Dilma" e "fora PT", uma viralizou nas redes sociais como simbólica da resistência de uma parcela da população às políticas sociais que são marcas dos governos petistas – e deixam muitos setores da direita insatisfeitos. A imagem, registrada num bairro da zona sul carioca, mostra um casal vestido a caráter para participar da manifestação acompanhado de seus dois filhos bebês, ambos em carrinhos empurrados por uma mulher negra usando um uniforme de doméstica.

Nas redes, a foto inspirou muitos "memes" remetendo aos tempos da escravidão, ao reconhecimento dos direitos trabalhistas dos empregados domésticos etc.

Segundo o jornalista e blogueiro Renato Rovai, o personagem da foto é Cláudio Pracownik, vice-diretor de Finanças do Flamengo. Ele também é sócio diretor do Banco Brasil Plural.

Ainda segundo Rovai, antes disso Pracownik foi membro do Conselho de Administração da Terra Brasis Resseguros, sócio e diretor executivo da Ágora Corretora e do Banco Pactual, além de vice-presidente financeiro das empresas Brasif e diretor de Operações do Banco Santander Brasil, Banco Bozano-Simonsen e Banco Meridional.

A Brasif é a empresa que, segundo Mirian Dutra, a jornalista que teve um relacionamento amoroso com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, lhe pagou durante quatro anos US$ 3 mil por mês para ficar “exilada” na Espanha. Mirian diz que durante aquele período não trabalhou para a empresa.

A Brasif também é a empresa que teve todos os documentos queimados num incêndio em Contagem (MG), há três dias antes do primeiro turno da eleição de 2014.

Ao notar a repercussão que a foto alcançou, Cláudio postou uma resposta em seu perfil no Facebook, na qual usa as relações de trabalho para justificar seu "direito" .

"Ganho meu dinheiro honestamente, meus bens estão em meu nome, não recebi presentes de construtoras, pago impostos (não, propinas), emprego centenas de pessoas no meu trabalho e na minha casa, mais 04 (sic) funcionários. Todos recebem em dia. Todos têm carteira assinada e para todos eu pago seus direitos sociais", escreveu.

Disse ainda que "a babá da foto só trabalha aos finais de semana e recebe a mais por isto. Na manifestação ela está usando sua roupa de trabalho e, com dignidade, ganhando seu dinheiro."

E expôs seu entendimento para explicar que sua relação com a doméstica não remete, nem tem analogia com a escravidão. "A profissão dela é regulamentada. Trata-se de uma ótima funcionária de quem, a propósito, gostamos muito. Ela é, no entanto, livre para pedir demissão se achar que prefere outra ocupação ou empregador."