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Que o Brasil não reconheça o Paraguai de Franco.
Que o Brasil não reconheça o governo Paraguaio de Federico Franco, o ex-vice de Fernando Lugo, herdeiro do golpe desta sexta-feira em Assunção, dado por um Congresso ávido desde sempre para derrubar o popular presidente que pôs fim à hegemonia conservadora no Paraguaio.
Lugo não foi um modelo de habilidade em governar. Não importa, o que hiouve foi um golpe de estado contra ele, disfarçado de impeachment constitucional. O seu direito de defesa foi claramente cerceado, e o que se quer - não importa o que Franco venha jurar - é reverter ou mesmo abortar o programa de reforma agrária de seu governo.
Mas há outras implicações. Os Estados Unidos pedem "calma". É até possível que seu governo tenha sido surpreendido pela iniciativa dos golpistas. Mas já se prepara para aproveitar da situação. Por quê? Porque antesde Lugo os Estados Unidos tinham um belo acordo com o governo paraguaio para instalar bases militares no país, inclusive na região da tríplice fronteira, quer dizer, no coração da América do Sul e do Aqüífero Guarani. Lugo denunciou isso. Caiu em desgraça.
Argentina, Bolívia, Venezuela e Equador já anunciaram que não vão reconhecer o governo golpista. Está certo. Os outros países - no âmbito da Unasul e ada OEA - devem seguir essa posição, inclusive o Brasil. Há vários motivos para isso, além da injustiça legal cometida contra Lugo.
1) Não permitir que iniciativas como essa, baseada nos novos golpes legais que assolam o continente, prosperem. O primeiro golpe legal desse tipo, é bom lembrar foi na eleição norte-americana de George Bush 2nd., através da manipulação do resultado eleitorial na Flórida, depois coonestado pela Suprema Corte daquele país numa votação de 4 x 3. Era um caso para o Tribunal Internacional de Haia. O segundo se deu em Honduras.
2) Dar um exemplo ao mundo. É claro que os Estados Unidos porão panos quentes em relação ao novo governo empossado em Assunção, e a União Européia provavelmente o reconhecerá, aparentando indiferença diplomática, mas no fundo respirando mais aliviada por este sinal que pode ser om primeiro de uma "derrocada das esquerdas latino-americanas", que, a bem da verdade, é a sua maior adversária, pela aposta num tipo de macroeconomia competamente diversa da hegemonia da escola liberal austríaca que domina Bruxelas, Frankfurt e Berlim.
3) Firmar uma posiçào também perante a nossa direita caseira, que já deve estar fazendo planos para aceitar o novo governo e contar os dias de todos os governos de esquerda no continente.
Até a Folha de S. Paulo denunciou o ocorrido no Paraguai como golpe.
Não cabe ao governo brasileiro fazer por menos.





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