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O movimento dos caminhoneiros, visto de longe

No novo estilo de golpe, os civis e seu tumulto assumem a vanguarda e o resultado é a presente confusão. Tudo parece perdido no meio do tiroteio entre várias narrativas discordantes, sem se saber pra onde o barco vai
por Flavio Aguiar publicado 25/05/2018 11h39, última modificação 25/05/2018 12h27
No novo estilo de golpe, os civis e seu tumulto assumem a vanguarda e o resultado é a presente confusão. Tudo parece perdido no meio do tiroteio entre várias narrativas discordantes, sem se saber pra onde o barco vai
Rodrigues Pozzebom/ABr
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Movimento de caminhoneiros levanta reivindicações pouco claras e provoca discussões e conclusões de todos os lados

Nem sempre o que é, parece. Mas o que parece, seguramente é. Esta ditado brasileiro se aplica ao atual movimento dos caminhoneiros no Brasil. Parece originário de um sentimento de direitos. E é. Um dos líderes do movimento pedia o voto impresso ou “a intervenção militar”. O conteúdo de direita não estaria propriamente na reivindicação, mas na radicalidade da resposta caso ela seja negada.

Aqui em Berlim volta e meia cruzo com coxinhas viajantes ou não, ou ainda através de narrativas de [email protected] É sempre assim: a radicalidade das respostas e reações resulta em palavrões, agressões (felizmente até agora apenas verbais, com a execução de um caso), faces convulsionadas… Naquela exceção, o coxinha exaltado agrediu uma militante que levava nas costas uma foto do Lula com os fizeres “Lula Livre” e ainda empurrava uma cadeira de rodas com sua mãe. Deu-lhe um tapa nas costas e pôs-se a vociferar impropérios.

Nós estamos no campo derrotado; mas parece que são eles os “esmagados”. Quem sabe, por sua “derrota interior”? Muitos sabem a besteira que fizeram, mas não podem reconhecer.

No metrô, outro dia, uma coxinha se exaltou e gritou que “era contra o povo”. 

Conversando sobre o caso dos caminhoneiros com uma amiga de visita a Berlim, outra faceta deste complicado jogo veio à tona. Ela comentou: “esta greve é um plano deles para fechar a eleição em outubro”. Retruquei: “Eles? Há eles, eles, eles e mais eles, ad infinitum”. Não há uma narrativa unitária do golpe.

Este é um problema para eles. No golpe tradicional, de antigamente, os civis insuflavam os militares ate que estes se dispusessem a por os tanques nas ruas. Saindo a corporação fardada na frente, atrás iam os civis - muitas vezes “liberais” - se acotovelando para disputar as benesses do golpe.

Neste novo estilo de golpe, articulado a partir do favorecimento de Bush filho diante de Al Gore, em 2000, na Suprema Corte dos EUA, não há esta “disciplina”. Os civis e seu tumulto assumem a vanguarda do golpe. E o resultado é a presente confusão. Há uma composição de setores que quer ditar a narrativa principal do golpe: parte do alto escalão do Judiciário, da PF, da mídia corporativa e de alguns generais de pijama. Mas não estamos mais em 1964, quando os jornalões podiam, por exemplo, ocultar da população que a sua maioria apoiava as reformas de base de Goulart.

Não pensem que sou saudoso em relação aos golpes militares.

Mas o atual me parce perdido no meio do tiroteio entre várias narrativas discordantes, cada uma atirando prum  lado, sem saber pra onde o barco vai...