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Debate sobre COP-16 começa pelo Fórum Social

Evento em Porto Alegre retoma discussão sobre o clima que guiará 2010 até encontro no México, em que se teme o mesmo fracasso de Copenhague
por João Peres, de Porto Alegre publicado 27/01/2010 10h20, última modificação 27/01/2010 13h33
Evento em Porto Alegre retoma discussão sobre o clima que guiará 2010 até encontro no México, em que se teme o mesmo fracasso de Copenhague

Plenária do FSM-2010, debate conjuntura ambiental em Porto Alegre. Foto: João Peres/Rede Brasil Atual

Passou-se pouco mais de um mês desde o fim da COP-15, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, até que se começasse a discutir com profundidade o que será da COP-16.

A reunião, prevista para o fim deste ano, no México, ganhou extrema importância depois que o mundo saiu da Dinamarca sem nenhum acordo concreto sobre projetos para combater o aquecimento global e evitar que catástrofes naturais atinjam milhões de pessoas.

Agora, o Fórum Social Mundial de Porto Alegre discute a questão ambiental ainda em uma espécie de refluxo do que ocorreu em Copenhague. As divisões sobre os efeitos da discussão planetária de dezembro passado vão do mais exacerbado otimismo à mais profunda desesperança com relação a mudanças.

Na terça-feira (26), quem deu início ao assunto foi o sociólogo peruano Roberto Espinoza, que abriu o debate na Usina do Gasômetro sobre conjuntura ambiental. Ele acredita que a humanidade ingressou no reino da escuridão. "O fracasso da COP-15 significa o fracasso do sistema das Nações Unidas por completo. Depois de um ano de negociações e milhares de documentos, não se chegou a nada", lamenta.

Posição mais otimista é nutrida por Nicola Bullard, pesquisadora da ONG Focus on the Global South. "Por causa de Copenhague, em que se mostraram todos os interesses egocêntricos de governos e das ligas globais, temos a oportunidade de construir um grande pacto de justiça climática", afirma sobre a expectativa para a COP-16, destacando que agora se pode resistir às falsas soluções apresentadas por empresas poluidoras e governos a elas ligados.

Sobre o papel de liderança nas negociações assumido por Brasil, Rússia, Índia e China – os chamados Bric, as nações emergentes –, Bullard mostrou-se reticente quanto à possibilidade de uma efetiva mudança. "O modelo em jogo não é ideal. Os governos do Norte devem brigar com as nações emergentes do Sul que querem apenas manter seu direito ao crescimento. Precisam entender que o crescimento perpétuo é impossível", criticou.

O sociólogo Espinoza lembrou que, neste ano, o governo da Bolívia pretende organizar em novembro uma conferência sobre crise civilizatória. Para ele, será o momento de garantir a articulação dos povos indígenas e dos movimentos sociais para chegar ao México com uma posição firme. "Se os povos indígenas são derrotados em suas lutas, toda a humanidade é derrotada", concluiu.