Publicado em 17/07/2011
Romaria no Araguaia termina com luta contra violações
Ribeirão Cascalheira (MT) – Uma vela acende a outra, o fogo se multiplica por dois, por quatro, por oito, e logo são milhares as velas acesas nesta cidade do Araguaia. A fé move montanhas, mas velas não andam sozinhas: são muitos os romeiros vindos de outros estados da federação e de países da América do Sul e da Europa.
Na escuridão da noite, reinam as velas, uma imensidão a iluminar o caminho. Crianças, adolescentes, adultos, idosos são atraídos a cada cinco anos a Ribeirão Cascalheira, no Mato Grosso, para celebrar àqueles que entregaram a vida por uma causa. A Romaria dos Mártires da Caminhada não é uma celebração comum. “Não é uma festividade, não é um show. É uma memória martirial”, avisa Dom Pedro Casaldáliga, bispo que tornou famosa a Prelazia de São Félix do Araguaia ao defender ribeirinhos, indígenas, camponesas e todas as vítimas da opressão.
Aos 83 anos, retirado do comando da prelazia, é um mártir vivo desse encontro. Toda a comoção que já havia provocado ao longo do fim de semana se fez ainda mais forte aos fiéis quando afirmou que esta é sua última romaria na Terra, e que a próxima ele irá acompanhar a distância, no céu. Apesar de debilitado pelo Mal de Parkinson, Pedro enfrentou o exaustivo calor da manhã de domingo (17) para participar da celebração e cumprimentar a todos que conseguiram chegar até ele.
É, via de regra, um momento de emoção para quem o saúda. Os romeiros veem em Pedro um exemplo de entrega. Montserrat Calderó é, como o bispo, espanhola. Morando em Goiânia há quatro meses, não quis deixar passar a oportunidade de conhecer a alguém que há muitos anos admira. “Comecei a chorar. Não consegui falar nada, não me vinha nada à cabeça.” Seria difícil tentar explicar a reação de quem cumprimenta este senhor de corpo frágil e pequenino.
Energias

Quem comparece a este encontro garante sair de energias renovadas, mesmo após enfrentar uma viagem cansativa e uma rotina puxada, que inclui procissão de cinco quilômetros na noite de sábado e missa na primeira hora da manhã de domingo. O trabalho é mais árduo para os moradores desta cidade, que juntam forças durante meses para organizar a romaria. Os alimentos são plantados ou comprados pelos próprios, e todas as refeições são partilhadas na praça principal. Tudo coerente com a história da prelazia, que prima pela vida em comunidade, desapegada de bens materiais.
Essa é uma romaria revestida de forte caráter político, a começar pelo mote. O encontro é organizado desde 1986 para celebrar a memória dos mártires, em especial a do padre João Bosco Burnier. Em 1976, ao tentar fazer com que policiais militares dessem fim a uma sessão de tortura contra duas mulheres da comunidade, acabou assassinado.
Gente de vários estados do Brasil tem a oportunidade de conhecer esta história, mantida pela memória oral, e de compartilhar denúncias de violações de direitos humanos, de machismo, de racismo e de deslocamentos forçados. A terra xavante dos indígenas de Mato Grosso é ameaçada por invasores que se escoram na lentidão do Judiciário em encontrar um desfecho para a causa. “Tomaram da gente. Depois de 40 anos voltamos. Com luta, com peito aberto”, conta Carolina Rewwaptu, moradora das terras ameaçadas.
Padre Juquinha, da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de Porto Velho, reclama que continuam os maus tratos a trabalhadores das obras da hidrelétrica de Jirau, que há quatro meses se revoltaram. “Muitos são iludidos pelas construtoras a ir para lá, não conseguem emprego e não têm como voltar para casa”, acrescenta. “A romaria é uma maneira de mostrar que ninguém está só nessa luta.”

A região do Araguaia, além da questão dos Xavantes, tem problemas com exploração de mão de obra e com disputas fundiárias. Dagnon Odilon da Silva, um jovem de 21 anos, é natural de São José do Xingu, a algumas horas de Ribeirão Cascalheira, uma terra dominada por conflitos pela terra. Segundo ele, há fazendas maiores que municípios e os latifundiários contam com apoio dos poderes locais para manter áreas improdutivas e reprimir movimentos sociais. “As pessoas que cometem essas atrocidades têm poder sobre a mídia. Por que não se divulga nada sobre isso?”, indaga.
Após uma celebração sob o sol forte do Centro-oeste, os romeiros fizeram uma última refeição comunitária e começaram o longo caminho de regresso aos estados. “Devemos renovar nosso compromisso de seguir em caminhada rejeitando tudo quanto seja mentira, corrupção, morte”, aconselhou Pedro. Em cinco anos, tudo começa outra vez.
João Peres e Douglas Mansur viajaram a Ribeirão Cascalheira (MT) para acompanhar a Romaria dos Mártires. Os relatos e fotografias são publicados neste blogue, criado exclusivamente para a cobertura
Publicado em 16/07/2011
Dom Pedro Casaldáliga pensa que crise europeia se resolve com solidariedade
Encontro de Dom Pedro Casaldáliga com Dom Leonardo Steiner, bispo de São Félix e secretário geral da CNBB. Pedro viajou 300 km em estradas precárias para acompanhar romaria (Foto: Douglas Mansur)
Ribeirão Cascalheira (MT) – A notícia de que Dom Pedro Casaldáliga enfrentou as limitações de saúde e veio a Ribeirão Cascalheira participar de mais uma Romaria dos Mártires da Caminhada dá novo ânimo aos fiéis que chegam de todas as partes do país.
Após enfrentar jornadas que ultrapassam 30 horas até esta cidade do Araguaia, os romeiros expõem um afeto quase devocional a este bispo que fortaleceu a luta dos oprimidos da região e assegurou que os conflitos de terra não vitimassem ainda mais pessoas. Aos 83 anos, Casaldáliga segue vivendo em São Félix do Araguaia, mas já não comanda a prelazia de mesmo nome, na qual se notabilizou pela luta a favor de ribeirinhos, camponeses e indígenas.
A viagem de menos de trezentos quilômetros entre São Félix e Ribeirão Cascalheira seria uma operação simples, não fossem as estradas precárias e o estado de saúde do religioso nascido na Espanha em 1928. “Fora meu parkinson, está tudo bem. O parkinson não dói, não mata, mas limita, me faz depender dos outros”, constata Pedro, como prefere ser chamado, dispensando o “dom” e o “senhor”. À parte isso, ele leva com aparente tranquilidade a doença, segue com hábitos de leitura e encontra espaço para brincadeiras. “A bengala não gosta de mim. Onde vou, ela me esquece.”
História
Após 32 horas na estrada e muitos desencontros de caminho por São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso, o ônibus transportando romeiros da capital paulista chegou a Ribeirão Cascalheira. Foi uma viagem cansativa, que passou por pontos que não estavam exatamente no roteiro, como o Parque das Emas, e que foi superada com tranquilidade pelos romeiros.
Logo após a chegada, a reportagem da Rede Brasil Atual teve acesso a Pedro durante alguns minutos, na manhã deste sábado (16). Embora faça questão de manter os hábitos simples e de receber a tantos quanto possa, o bispo já não tem condições de ficar à disposição dos romeiros o tempo todo. Por isso, o encontro com algumas pessoas se dá em um espaço reservado da paróquia.
A religiosos ingleses, Pedro afirmou que a solução para a crise europeia será encontrada na solidariedade, e reiterou sua fé na união da América Latina, uma antiga bandeira que empunha e que se vê fortalecida pela presença de governos progressistas na região. “Está sendo um momento muito importante para nossa América Latina. Porque está mais forte, está mais autônoma.”
Pedro aproveitou para contar aos estrangeiros a história da Romaria dos Mártires, organizada a cada cinco anos, desde 1986, para lembrar quem foi morto defendendo a vida. A primeira edição marcou uma década do assassinato de João Bosco Burnier, um padre local. O bispo confirmou a versão mantida viva pela memória oral de que Burnier havia ido, em sua companhia, defender duas mulheres que estavam sendo torturadas por policiais militares. Os agentes queriam saber o destino do marido de uma delas, que havia atirado contra um soldado para defender seu filho, ameaçado por um conflito fundiário.

Pedro, talvez por falta de tempo, não contou a versão segundo a qual deveria ter sido ele o morto. Dizem as testemunhas que o policial, que nunca foi preso, julgou que o bispo era o homem mais corpulento e alto – no caso, Burnier –, o que poupou a vida do bispo, esguio e baixo.
Ribeirão Cascalheira foi, com o tempo, adquirindo o caráter de um ponto de romaria em prol dos mártires. A cidade de 8.800 habitantes fica no norte de Mato Grosso, mais próximo de Goiânia que de Cuiabá, e nesta época sofre com a seca (também usada como desculpa para queimadas criminosas). Suas ruas, muitas de terra ou de areia, estão movimentadas por conta da romaria, que traz entre quatro mil e cinco mil pessoas de todas as partes do Brasil, de nações sul-americanas e da Europa. As famílias acolhem os romeiros, que também ficam em escolas.
O Santuário dos Mártires é arrumado com carinho para receber o fim da procissão que marca um dos pontos altos da festa. É uma construção simples, mas que guarda um interior bonito, todo de homenagem à população excluída. Atrás do altar de madeira há uma grande pintura com trabalhadores que lutam por vida digna e terra. Logo na entrada há uma exposição fotográfica com mártires mundiais. Chico Mendes, irmã Dorothy Stang, o pataxó Galdino Jesus dos Santos, Vladimir Herzog, Zumbi e Antônio Conselheiro são alguns dos nomes brasileiros. Os painéis guardam também preocupação especial com os latino-americanos: o bispo argentino Enrique Angeleli, vitimado pela ditadura da década de 1970, Florinda Muñoz, camponesa da República Dominicana e Frank Pais, revolucionário cubano, entre outros, são homenageados.
João Peres e Douglas Mansur viajaram a Ribeirão Cascalheira (MT) para acompanhar a Romaria dos Mártires. Os relatos e fotografias são publicados neste blogue, criado exclusivamente para a cobertura
Publicado em 15/07/2011
Estrada longa, com pão de queijo e cachaça
Ivanilde é uma veterana militante que dá a impressão de ser durona. Mas a primeira leitura se desfaz logo nos primeiros quilômetros (Foto: © Douglas Mansur)
Mineiros (GO) – Escolher o parceiro de poltrona parece tarefa tola, mas é crucial em se tratando de uma viagem de mais de 30 horas. Por sorte, Ivanilde Jardim é de prosa boa e ajuda a passar mais rápido o trajeto de 1.600 quilômetros entre São Paulo e Ribeirão Cascalheira, no Mato Grosso, onde se realiza no fim de semana a Romaria dos Mártires da Caminhada.
Ivanilde é uma veterana militante que dá a impressão de ser durona. Mas a primeira leitura se desfaz logo nos primeiros quilômetros, ainda na capital paulista, quando ela saca do meio dos embrulhos uma branquinha curtida com banana. “É para a celebração”, explica – e não toma. Justo. A cachaça é do coletivo, como tudo que se abre neste ônibus que transporta integrantes das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) a caminho do Araguaia.
Tudo começou pela esfirra, e logo vieram pão de queijo, goiabinha, torta, cerveja, refrigerante, água, e se recomeça com nova rodada, e assim sucessivamente, sem que a mão e o estômago fiquem vazios. Ao fim de cada refeição, gengibre para, digamos, refrescar a boca – há um certo know how para a vida de romeiro.
Nisso, Ivanilde acumula expertise. Vem pela quarta vez à Romaria dos Mártires, e aos 66 anos tem disposição de viajar o Brasil em caravanas para vários eventos religiosos e sociais. Desta vez, viaja-se em ônibus fretado e bem equipado. Há 15 anos, na primeira viagem a Ribeirão Cascalheira, o transporte foi feito por ônibus de linha comuns, em mais de 60 horas. Vai ver que é por isso que encara com olímpica tranquilidade a atual jornada. “É uma troca de experiências muito interessante”, resume ao comentar o que virá.
Caminho longo
Custa chegar ao destino. Na noite desta sexta-feira (15), enquanto se redige esta matéria, aproximam-se as 24 horas do começo da viagem, e entre idas e vindas calcula-se haver mais 12 de chão. O Mato Grosso ainda nem chegou. O caminho de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás é de pouco mato, muito pasto, cana-de-açúcar, milho e algodão. Os romeiros não deixam de registrar que passam por áreas afetadas por trabalho degradante e um modelo de desenvolvimento que prefere o lucro à segurança alimentar. Um dos motivos da celebração em Ribeirão Cascalheira é a disputa de terras, que acabou por vitimar, em 1976, o padre João Bosco Burnier, uma das muitas vítimas da luta fundiária no Araguaia.
Para os romeiros, o grande exemplo é dom Pedro Casaldáliga, durante décadas o responsável pela Prelazia de São Félix do Araguaia, ponto de resistência e de apoio a indígenas, camponeses e ribeirinhos. Os integrantes do ônibus que deixou São Paulo dispostos a cruzar parte do Brasil organizam uma carta coletiva a ser entregue a Casaldáliga. O importante, apesar do imenso trajeto, é chegar para a celebração do sábado, e todos levam com paciência a viagem. Conversa, cantos e reza compõem o trajeto.
Ivanilde troca experiências há três décadas. O falecimento precoce do marido, quando tinha 31 anos e três filhos pequenos, provocou a mudança do Rio Grande do Sul para a zona leste de São Paulo. “Com o dinheiro era o que dava para comprar”, pontua. O pai e o sogro não se conformavam que uma moça com crianças fosse morar sozinha em uma região que consideravam “de comunista”. Valeu a pena. Lá, praticava naturalmente a vizinhança solidária, comum para quem cresceu na roça em Jacarezinho, no Paraná. Foi simples também que começasse a atuar nas comunidades eclesiais.
Tempos difíceis
Boa parte dos romeiros tem críticas à maneira como a Igreja Católica, enquanto instituição, vem sendo conduzida. Gostariam que fosse mais receptiva à participação popular e aberta a um trabalho de base. Ivanilde não vê bom bons olhos as correntes carismáticas, que pregam uma igreja desligada da política, e lamenta também o fechamento na sacristia, desconectada de contato da porta para a fora. Quando os carismáticos chegaram à paróquia na qual atuava, decidiu marchar para outra. “Não vou ficar de tarefeira de paróquia. Que sentido tem isso?”, indaga.
Ela acumula desapontamentos ao longo da vida de batalhas – reforma agrária, barragens, PT, guerra do Iraque –, mas não se dá por vencida. “A gente precisa pensar no projeto de país que queremos deixar. Hoje é só barganha política, não se tem um projeto”.
Essa militante prima pela coerência. Escolheu o Corinthians como time. “É popular. Quando ganha, para o corintiano é o que basta.” O Corinthians perde, o Corinthians ganha, mas a caravana não para. O Araguaia é a próxima parada.
João Peres e Douglas Mansur viajam a Ribeirão Cascalheira (MT) para acompanhar a Romaria dos Mártires. Os relatos e fotografias são publicados neste blogue, criado exclusivamente para a cobertura
Publicado em 15/07/2011
Primeiros mártires homenageados são os da luta pela terra
Após uma década da morte do padre João Bosco Penido Burnier, romaria passou a ser organizada a cada cinco anos (Foto: Douglas Mansur)
Em 1976, o padre João Bosco Penido Burnier e o bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, retornavam de um enconto com indígenas quando foram informados que duas mulheres estavam sendo torturadas. Uma era irmã e, a outra, a nora de um sitiante que atirou contra um soldado que viera assassinar seu filho.
Um conflito que, como muitos na história do Brasil, teve como início a disputa pela terra. Presas, foram forçadas a ajoelhar no milho e em tampas de garrafa para que confessassem o paradeiro do sitiante. Quando Burnier foi à delegacia cobrar a liberdade das mulheres, foi chamado de “comunista” e “subversivo”, e sofreu um tiro. Socorrido por Casaldáliga, não resistiu aos ferimentos e morreu.
Dez anos após a morte de Burnier, o Casaldáliga deu início à romaria, que celebra sua sexta edição neste fim
de semana em Ribeirão Cascalheira, no Mato Grosso. Neste ano, também são lembrados os 40 anos da prelazia, responsável por lutar pelos direitos de indígenas, ribeirinhos e camponeses.
“É o sonho de um outro mundo, de um outro país, de uma outra igreja onde os povos possam viver em justiça, em igualdade, com acesso a comida, a água”, conta o padre Laudimiro Borges Mirim, que viveu em Ribeirão Cascalheira entre 1986 e 2001.
Ele está na cidade há três meses para ajudar nos preparativos da romaria, que mobiliza toda a cidade de 8.800 habitantes e trará até cinco mil pessoas de outros estados e países à região do Araguaia, famosa pelos grupos de resistência à ditadura militar. Durante alguns dias, todos os cidadãos abrem suas casas para acolher os visitantes e as refeições são feitas de maneira comunitária, na praça central do povoado.
É também um momento para que as crianças tenham contato com a história local por meio do resgate da memória oral. Ao longo da semana, durante todas as noites há encontros em pontos que contam a história da cidade. Lá, as pessoas com mais idade narram aquilo que se lembram sobre os episódios de repressão. “A romaria é o momento de fazer memória, contar essa história e não deixar que seja esquecida”, analisa Mirim.
Além de Burnier, os romeiros celebram a memória de todos que tenham caído lutando pelo respeito à vida. O tema deste ano convoca a lembrar que, sob o ponto de vista do catolicismo, todos são testemunhas de Deus na Terra. “Isso é ir até as últimas consequências para que haja Justiça, para que os direitos dos povos, da juventude, do povo da roça, dos negros, dos indígenas sejam respeitados.”
A execução do padre Burnier foi reconhecida pelo Estado brasileiro apenas no fim da última década. Os assassinos, apesar de haver testemunhas dos fatos, continuam soltos.
João Peres e Douglas Mansur viajam a Ribeirão Cascalheira (MT) para acompanhar a Romaria dos Mártires. Os relatos e fotografias são publicados neste blogue, criado exclusivamente para a cobertura
Publicado em 14/07/2011
Araguaia tem romaria em homenagem a mártires
São Paulo - Quatro mil pessoas de diferentes partes do país rumam para Ribeirão Cascalheira (MT), na região do Araguaia, para participar da Romaria dos Mártires da Caminhada, organizada a cada cinco anos em memória daqueles que morreram defendendo a vida. A Rede Brasil Atual acompanha o trajeto dos romeiros e conta detalhes sobre a celebração neste blogue, criado exclusivamente para a cobertura.
A primeira romaria foi realizada há 25 anos pela Prelazia de São Félix do Araguaia, dez anos após a morte do padre João Bosco Penido Burnier por militares. Em 1976, ele foi assassinado a tiros por pedir a libertação de duas indígenas torturadas por agentes da Ditadura Militar. Além de Burnier, a romaria rende homenagens a todos os que caíram lutando pelo respeito aos direitos dos cidadãos, pela dignidade humana e contra toda e qualquer forma de violência ou discriminação.
O encontro, que reúne milhares de pessoas do Brasil e da América do Sul, em uma cidade pequena, cidade de 8,8 mil habitantes localizada a 720 quilômetros da capital matogrossense, Cuiabá, a 780 de Brasília e a 1,6 mil quilômetros de São Paulo – de onde partem os repórteres que acompanharão a peregrinação. O evento se concentra neste sábado (16) e domingo (17).
A viagem de 35 horas tem início na noite desta quinta-feira (14). Os jornalistas, assim como os romeiros, serão abrigados em escolas ou em casas de famílias da região.
Caravanas do Paraná, Rio de Janeiro, Amazonas, Rondônia, Distrito Federal, Goiânia, Mato Grosso do Sul e do próprio Mato Grosso já chegam ao local. Além disso, haverá representantes de algumas etnias indígenas e de países da América do Sul e da Europa, para levar sua palavra de louvação pelos mártires.
Confira no mapa, onde fica a cidade de Ribeirão Cascalheira
Exibir mapa ampliado

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