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Publicado em 23/05/2012

O instigante papelzinho com anotações de Cachoeira na CPI



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Saldo da reunião da CPMI para ouvir Carlinhos Cachoeira: teve parlamentar reclamando de estar fazendo "papel de palhaço" pelo fato do bicheiro fazer silêncio diante das perguntas. Bem feito. Quem mandou se deixar pautar pela mídia, e convocar o bicheiro antes da hora, só pra fazer espetáculo pra imprensa?

Diferente de outras CPI's, onde depoentes entram como meros suspeitos e procuram se defender para evitar serem indiciados no relatório final, dessa vez  Cachoeira já entra com duas Operações da Polícia Federal nas costas e cumprindo ordem de prisão. Alguém em sã consciência acreditaria que, encrencado como está, iria se incriminar mais ainda?

Cachoeira já está preso, então, nem aquelas ameaças de prender não tem efeito. O comportamento do bicheiro foi nada além do esperado. Surpresa seria se a atitude fosse outra.

Em tempos de redes sociais, não pegou bem os sermões histriônicos do deputado Francischini (PSDB-PR) e Kátia Abreu (PSD-TO), nervosos diante de Cachoeira, tripudiando para as câmeras acima do tom, manifestando uma indignação canastrona e uma falsa ingenuidade, pela recusa do bicheiro a incriminar-se. O povo anda escaldado com discursos de bastiões da moral como foi Demóstenes Torres, e desconfia.

Talvez poucos perceberam, mas o que despertou muita curiosidade, foram anotações que Cachoeira fazia em um papel, enquanto ficava em silêncio e os parlamentares o provocavam. No final ele dobrou o papel e levou consigo. Difícil imaginar que ele estivesse anotando perguntas ou acusações, tendo excelente assessoria de advogados para cuidar disso.

 

Mais fácil imaginar que tais anotações seriam um tanto quanto pessoais, de alguém ressentido por não estar delatando ninguém ali que ele sabe ter rabo preso (direta ou indiretamente), e recebendo em troca só ofensas. Talvez o troco apareça com algum vazamento de informações constrangedoras na imprensa contra seus ex-amigos e agora algozes. Não mais na revista Veja, que não publica nada contra demotucanos, mas espalhado por aí.

Publicado em 22/05/2012

O silêncio de Cachoeira pode ser 'revelador'



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

O bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, terá de depor  nesta terça feira (22) na comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) criada para investigar as relações dele com políticos. O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou um pedido dos advogados de Cachoeira para que o depoimento fosse adiado pela segunda vez. Mas, o bicheiro tem o direito de  permanecer calado durante a sessão no Congresso.

Para se ter uma ideia do que poderá acontecer na sessão, o relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), preparou 136 perguntas para serem feitas ao bicheiro. E disse que o desafio será romper o silêncio.

De qualquer forma a sessão poderá ser curiosamente reveladora, permitindo interpretar possíveis rabos-presos de parlamentares membros da CPMI com o bicheiro, demonstrações de intimidade, recados nas entrelinhas, ameaças veladas.

Conforme o comportamento de determinados parlamentares, será possível ver quem estará levantando a bola para Cachoeira cortar, quem estará fazendo jogo combinado com Cachoeira para direcionar as investigações para outro rumo, ou "ferrar" algum desafeto, quem estará acima do tom tentando demonstrar um pseudo-afastamento do bicheiro, quem estará passando recados de correligionários etc.

Até a ausência de determinados parlamentares membros da CPMI pode ser um indicador de desconforto por ficar frente a frente com a bicheiro. Um cumprimento caloroso, como só velhos amigos fazem, pode ser revelador e decisivo para o futuro político de quem receber o carinho do bicheiro.

A conferir.

Publicado em 21/05/2012

Oposição anda para trás na hora se seguir o caminho do dinheiro na CPMI do Cachoeira



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Há um enorme esforço na velha imprensa para abortar a CPMI do Cachoeira, antes mesmo de ela ter começado na prática. Agora tentam desacreditá-la, dizendo que vai “acabar em pizza” porque, por exemplo, ainda não se justificou quebrar o sigilo bancário da matriz da Delta.

A estratégia oposicionista, abraçada pela velha imprensa, é não seguir o caminho do dinheiro rumo aos políticos, autoridades e jornalistas. Ou seja, é investigar na direção inversa à do crime, blindando Cachoeira e os políticos mais próximos dele, como Marconi Perillo (PSDB) e Demóstenes Torres (DEM). A tática é jogar uma quantidade inviável de informações para investigar de forma a embaralhar a CPMI, para não chegar a lugar nenhum.

Já se sabe pelos relatórios da Polícia Federal que a empreiteira Delta pagou empresas ligadas à turma de Cachoeira. Segundo a PF, a empresa de fachada Pantoja Construções e Transportes, recebeu R$ 26,2 milhões da matriz da Delta. Logo, até aí já se sabe o caminho do dinheiro. Falta saber para onde e para quem foi este dinheiro: se para o bolso de políticos, ou de funcionários corruptos, ou de policiais, juízes, procuradores etc.

Pois a CPMI quebrou o sigilo da Pantoja Construções e Transportes e de diversas outras empresas já identificadas como pertencendo ao esquema Cachoeira, exatamente para seguir o caminho do dinheiro em direção às atividades criminosas. 

Por ora é perda de tempo quebrar o sigilo na ponta da matriz Delta, pois o dinheiro que vem de lá já aparece nestas empresas receptoras que tiveram o sigilo bancário quebrado.

A matriz da Delta deve pagar milhares, talvez dezenas de milhares de fornecedores. Sem ter nenhuma pista, seria como procurar agulha em palheiro tentar identificar empresas ilícitas usadas para transferir dinheiro da corrupção, em meio a tantos fornecedores, a maioria lícitos, pois a empreiteira tem obras e contratos de verdade em 23 estados.

Quem quer quebrar o sigilo da matriz da Delta, neste momento da CPI, quer andar para trás. E quer embaralhar as investigações sobre o esquema Cachoeira. É como perder agulhas em meio ao palheiro de propósito, para dificultar encontrá-las.

Governadores: quem blinda quem?

É razoável, antes de convocar governadores, conhecer bem o conteúdo das operações Vegas e Monte Carlo. Sem isso, qualquer governador vai apenas repetir o que já disse na imprensa. CPMI nunca foi confessionário, onde corruptos e corruptores confessam seus pecados.

E a convocação de governadores neste momento seria meramente política, para desgastá-los. E, à exceção de Marconi Perillo, sobre quem sobram evidências, ainda não há qualquer critério racional para dizer que só três governadores devem ser chamados.

Agnelo Queiroz, do PT, talvez não tenha nada a fazer na CPMI, já que o esquema Cachoeira queria era derrubá-lo. Outros governadores, como Siqueira Campos, do Tocantins (PSDB), podem ter mais a explicar sobre o esquema Cachoeira do que o do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), cujo nome não aparece nem citado, ainda. Se o critério for ter contratos com a Delta, então deve-se convocar o ex-governador de São Paulo, José Serra, o prefeito paulistano, Gilberto Kassab (PSD) e outros.

Ao que parece, quando a oposição fixa a mira em três governadores, está querendo apenas dividir o ônus de Perillo com um governador do PT e outro do PMDB. E blindar os demais.

Publicado em 18/05/2012

Fingidos ou malandros?



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Se os parlamentares da oposição na CPMI do Cachoeira queriam "furar a fila", saltando das investigações do Centro-Oeste para priorizar a atuação da empreiteira Delta em outros cantos do Brasil, por que não usam a Lei de Acesso à Informação para analisar os contratos da empresa em nos estados e municípios que bem entenderem?

A presidenta Dilma já fez o DNIT tornar disponíveis na internet todos os contratos com a Delta, bem antes de a lei entrar em vigor, quando começaram a questionar a atuação da empresa. Então se ainda não investigaram os contratos federais, é porque a oposição – junto com a velha imprensa – quer fazer barulho e criar factóides, em vez de trabalhar de verdade.

Uma CPI com 32 parlamentares e seis meses para trabalhar jamais daria conta de desvendar eventuais maracutaias do Oiapoque ao Chuí de qualquer empreiteira que seja.

Mas a Lei de Acesso à Informação entrou em vigor. E qualquer cidadão pode acompanhar o andamento de contratos de empresas, a execução das obras e os devidos valores firmados junto ao setor público. A lei é a maior ferramenta para a sociedade combater a corrupção. Cidadãos e organizações sociais (onde se enquadram tanto os partidos políticos quanto os grupos de comunicação) podem fazer bom uso dela. Se quiserem.

Até a velha imprensa, em vez de se fazer de papagaio da oposição, pode pegar pauta e transformar em reportagens de verdade, fazendo o dever de casa. Quem diz que precisa investigar e não investiga o que está disponível, é porque se finge de arauto da moralidade, ou faz pose de vítima, quando na verdade age com malandragem. Sejam políticos, sejam jornalistas e até mesmo cidadãos.

Publicado em 17/05/2012

Serra, que 'não conhecia' Paulo Preto, agora nega ter nomeado Hussein Aref



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Diário Oficial mostra nomeação de assessor que Serra agora diz desconhecer (reprodução)

Hussain Aref Saab, o diretor responsável pela aprovação de grandes e médias construções na capital paulista durante sete anos foi nomeado para a prefeitura por José Serra, em janeiro de 2007, como mostra o Diário Oficial da Cidade de São Paulo (DOM). A nomeação foi lembrada pela Folha de S.Paulo hoje (17).

De lá pra cá, Aref Saab adquiriu 106 imóveis – enquanto sua renda declarada é de R$ 20 mil mensais. O patrimônio do funcionário inclui 118 imóveis, dos quais 24 são vagas extras de garagens (o que faz a gente pensar que ele deve ter muitos veículos).

Ainda conforme o jornal, de 2005 até 2012, Saab, de 67 anos, o valor acumulado de suas posses ultrapassa R$ 50 milhões. Suspeito de participar de esquemas de corrupção e alvo de investigações, Aref Saab deixou o cargo no mês de abril desse ano

Mas Serra nunca sabe de nada.

Apesar do registro no DOM, candidato do PSDB à prefeitura paulistana nega ter nomeado Hussein Aref Saab para o cargo que lhe deu poderes para aprovar ou desaprovar empreendimentos imobiliários na cidade. E, obviamente, também criticou a veiculação do caso.

Em 2010, Serra também negou conhecer Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto, x-diretor da estatal Dersa quando ele era governador. Paulo Preto, foi acusado por líderes do seu próprio partido de desviar pelo menos R$ 4 milhões arrecadados de forma ilegal para a campanha eleitoral de Serra candidato à presidência.

O tucano só lembrou que conhecia o ex-diretor da Dersa quando Paulo Preto, numa entrevista, mandou um recado muito claro: “Não se abandona um companheiro ferido na beira da estrada”

Dá para confiar na palavra de Serra?

Publicado em 16/05/2012

Veja fez parte da engrenagem de Cachoeirae tem que ser investigada



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Nesta quinta-feira (17) deve ser apresentado requerimento para convocação do jornalista Policarpo Júnior, da revista Veja, para depor na CPI do Cachoeira.

A CPI tem a função de compreender o esquema criminoso para desmantelá-lo. Está claro que, em alguns casos, havia um ciclo do crime que passava por desalojar pessoas de cargos, que representavam obstáculos para a organização criminosa, com o objetivo ou expectativa de que o sucessor no cargo pudesse ser cooptável, ou pelo menos mais dócil aos interesses da turma de Cachoeira. E este ciclo se fechava com o elo das reportagens na revista Veja, produzidas por Cachoeira ou seus arapongas.

Logo é impossível parlamentares alegarem que investigar a revista foge do foco da CPI. Sem a revista, o ciclo do crime não fecharia, em alguns casos.

A revista, em sua defesa, pode até alegar que foi usada de forma involuntária. Só não pode se negar a contribuir com a CPI para debelar uma organização criminosa, pois se não colaborar soa como confissão de que é integrante. Aliás tem sido este o comportamento da revista ao se colocar indevidamente como vítima de suposto cerceamento à liberdade de imprensa.

E isso nada tem a ver com cercear a liberdade de imprensa. Pelo contrário, a revista continua livre para publicar o que bem entende, e o jornalista Policarpo Júnior poderá usar até a audiência na CPI para exercer a liberdade de expressão em sua plenitude. O mesmo ocorre com o dono da revista, Roberto Civita.

Se o jornalista apenas exerceu seu ofício, não há por que espernear. Na verdade, deveria ser uma honraria contribuir com uma CPI que procura desmantelar uma organização criminosa com ramificações no poder público. Os repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein, do Washington Post, certamente não se oporiam a depor na comissão do Senado que investigou o Watergate. Falariam sobre quaisquer fatos que tivessem conhecimento, só não diriam quem contou, para preservar a fonte que exigiu anonimato.

Por isso, parlamentares membros da CPI que votarem contra a convocação do jornalista e do dono da revista, só poderão ter interesses escusos. Se não querem investigar um elo da corrente da organização criminosa, é porque não querem investigar todo o esquema e, em vez de investigadores, talvez seja melhor passar para o lado de investigados, já que a bancada de Cachoeira pode ser maior do que os nomes já vazados. Nas interceptações telefônicas, nem todas foram analisadas e transcritas, e mesmo nas transcritas, ainda tem muitos HNI (homem não identificado) para serem reconhecidos.

Publicado em 14/05/2012

Na CPMI do Cachoeira, 'insetos' internautas vencem dinossauros da velha imprensa



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Com a democratização da informação através da internet, bastou vazar relatórios da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, para que milhares de internautas se debruçassem sobre os textos e diálogos, e publicassem informações inéditas e análises em primeira mão na imprensa alternativa, nos blogs "sujos" e nas redes sociais.

A revista Veja chegou ao vexame de escrever um artigo em defesa própria, chamando internautas – que a desmentem de forma fundamentada – de "insetos" ou "robôs".

Enquanto os "insetos" em revoada fazem as informações circular em sua íntegra, a velha imprensa se move como dinossauros, tentando ainda controlar e direcionar o fluxo de informações de acordo com seus interesses, usando a velha máxima da parabólica de Ricúpero, quando o ex-ministro tucano combinava com a Rede Globo em "off" para manipular o noticiário politicamente: "... o que é bom, a gente mostra. O que é ruim, a gente esconde... Eu não tenho escrúpulos", disse, sem saber que estava sendo ouvido nas TV's com antenas parabólicas.

O resultado é que a velha imprensa (que podemos chamar de “imprensauro”), está publicando com dias, e até semanas de atraso, o que os "insetos" já sabiam e publicavam há muito tempo, socializando a informação livremente em tempo real.

O imprensauro primeiro tentou manipular a pauta, como é de vício. Não faltaram jornalões, revistas e Redes de TV's querendo absolver sumariamente o envolvimento de uma grande revista com a organização; e querendo desviar o grosso dos fatos de Goiás para o Distrito Federal, ou para Brasília. Forçaram a pauta sobre os contratos da Delta no Estado do Rio de Janeiro, omitindo que a empreiteira tem grande atuação no Estado de São Paulo e na prefeitura da capital paulista, além dos estados de Tocantins, Mato Grosso, conexões no Paraná e Santa Catarina. Tentaram blindar o Procurador-Geral da República até de responder por falha, quando há evidências óbvias de as ter cometido.

Nada disso deu certo. Nem telejornais do porte do "Jornal Nacional", estão conseguindo controlar a pauta, com os "insetos" a todo momento dando "furos" de notícias, chegando a conclusões que o imprensauro tem que engolir dias ou semanas depois.

Exemplo foi o tratamento dado aos governadores Marconi Perillo (PSDB-GO) e Agnelo Queiroz (PT-DF). Quem acompanhou o Jornal Nacional dos últimos dias pensaria que Agnelo não resistiria ao cargo, enquanto Perillo sequer era citado. Quem leu os "insetos" na internet sabia que a situação era oposta. Os dias foram passando e o imprensauro foi sendo paulatinamente obrigado a ajustar a cobertura para algo mais próximo da realidade.

Outro caso foi do Procurador-Geral da República. O imprensauro escolheu a pauta de não cobrar explicações de Gurgel, atribuindo ao "mensalão". Os "insetos" já haviam apontado contradições nas explicações até dentro da técnica jurídica, além da politização partidária indevida.

Mais um dia se passou, e o impresauro, ao ouvir "especialistas" e se dar conta do que disseram os delegados da Polícia Federal, perceberam que os "insetos" estavam certos. No dia seguinte o "Jornal Nacional" recuou e já não colocava a mão no fogo por Gurgel, apesar de procurar mudar o foco do assunto, dentro da lógica do "o que é ruim a gente esconde".

O contraponto factual e bem fundamentado dos "insetos" tem chegado às áreas de comentários do próprio imprensauro, desmonta versões manipuladas.

A TV Record rompeu o corporativismo dos barões da mídia, e divulga as mesmas informações e análises dos blogs "sujos" e da imprensa alternativa.

A CPMI do Cachoeira mal começou, mas já está produzindo resultados. A velha imprensa virou um parque de dinossauros nesta cobertura, com notícias viciadas ou já velhas quando são publicadas.

É um ano de revolução em rede, em que a velha imprensa está “comendo poeira” e sendo pautada pelos "insetos" dos blogs "sujos", da imprensa alternativa e das redes sociais.

Publicado em 11/05/2012

CPMI do Cachoeira: Perillo em baixa, Agnelo sobe, e Gurgel sob fogo



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Com o depoimento na CPMI do Cachoeira do delegado da Polícia Federal, Matheus Mela Rodrigues, a situação do governador Marconi Perillo (PSDB-GO) se agravou. O delegado confirmou tudo o que já vinha sendo vazado na internet, desde nomeações no governo por Cachoeira, até entrega de pacote de dinheiro no palácio das Esmeraldas a assessor, e confirmou a intimidade de Perillo com Cachoeira, em telefonema de aniversário.

Disse apenas que não ficou comprovado crimes diretos do governador, até porque governadores e parlamentares não eram alvos da investigação. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) saiu assustado com o que ouviu, defendendo a convocação urgente de Perillo. Apesar de concordar com a gravidade, quem atuou como bombeiro foi o relator Odair Cunha (PT-MG). Ele acha cedo para convocar Perillo. Prefere ouvir antes o próprio Cachoeira.

Em seu depoimento, o delegado confirmou também o que já saiu nos blogs. Cachoeira infiltrou-se em assessorias do governo do Distrito Federal, em escalões inferiores, mas não conseguiu o envolvimento do governador Agnelo Queiroz (PT) em suas maracutaias. Como tem foro privilegiado, cabe a CPI e ao Procurador-Geral pedir investigações mais aprofundadas sobre o assunto.

Em entrevista à TV Record, Agnelo disse que "as tentativas de Cachoeira em entrar no DF foram frustradas. Não existe um (único) negócio deles com o governo do DF. Isso fez com que o governo se transformasse em um obstáculo para eles. Portanto, eles partiram para nos derrubar."

Mas a oposição quer convocá-lo para empatar o jogo, diante da convocação de Perillo.

Mão no fogo por Gurgel

Depois das declarações que deu ao Jornal Nacional, associações de Procuradores apoiam o Procurador-Geral da República (PGR) Roberto Gurgel. O ministro Joaquim Barbosa (STF) também.

Cabe lembrar que os senadores, em peso, também apoiaram Demóstenes Torres em seu primeiro discurso de defesa no Senado. Quando se deram conta do que ele fez de fato com Cachoeira, deu no que deu, e se sentiram enganados.

Os fatos que têm vindo à público a partir do depoimento dos delegados da PF, indicam que a Operação Vegas da Polícia Federal foi sim engavetada por Gurgel. E a seguinte, operação Monte Carlo, não foi continuação da primeira, como o PGR alegou. Um documento do Ministério público de Goiás, mostra que a Monte Carlo foi iniciada por ofício do órgão goiano e não por encaminhamento da Procuradoria-Geral-da-República.

Quando o relatório da operação Monte Carlo caiu no colo de Gurgel, só então ele desengavetou a outra, e juntou as duas. Está mal explicado. Tem um hiato de 11 meses entre uma operação e outra, durante o ano de 2010, em pleno período eleitoral, em que as investigações ficaram paradas.

Até deputados do PSDB e DEM querem explicações, só que sem convocação. Aceitam por escrito, conforme sugeriu Odair Cunha.

Fogo-amigo?

Nos bastidores do judiciário, declarações de apoio de qualquer ministro do STF deve dar prestígio.

Mas colocar Gilmar Mendes no "Jornal Nacional" por longos segundos, defendendo Roberto Gurgel, aí já vira fogo-amigo contra o PGR. Se o objetivo era ganhar a opinião pública, foi um tiro no pé, já que o ex-presidente do STF não desfruta de uma popularidade alta.

Publicado em 10/05/2012

Gurgel faz papel de líder de oposição em horário nobre da TV de Jô Soares



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

O Jornal Nacional mostrou na edição da quarta (9) o Procurador Geral da República (PGR), Roberto Gurgel (aliás, teve gente que achou que a Globo estava usando o Jô Soares para falar de mensalão e atacar o PT...)

Gurgel era questionado pela reportagem sobre críticas de membros da CPMI do Cachoeira, que buscam explicações sobre por que ele, digamos assim, sentou em cima da Operação Vegas da Polícia Federal, desde 2009, e não abriu inquérito para investigar o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), e outros parlamentares, cujos malfeitos já apareciam naquela época.

Gurgel respondeu como respondem os líderes da oposição demotucana e os editores da revista Veja. Depois de falar sobre "estratégia de investigação", disparou: “... Eu já disse e repito: uma das possibilidades é que isso parta de pessoas que estão muito preocupadas com o julgamento do mensalão que deverá acontecer proximamente”.

O PGR respondeu como costuma responder José Serra quando cobrado por escândalos envolvendo o seu nome; diz que é tititi e trololó petista, além de classificar as evidências contra si de “lixo”, como fez com o livro de Amaury Ribeiro Jr, A Privataria Tucana.

Além de dissimular, a resposta de Gurgel tem um agravante. Falada no telejornal de maior audiência do Brasil, cairia bem na voz de um líder partidário do PSDB ou do DEM, mas nunca na voz de um Procurador-Geral da República, cuja compostura recomenda se conter para manter o posicionamento que dele se espera: a neutralidade. 

Se ele pensa diferente, deveria se licenciar do Ministério Público e se candidatar ao parlamento pelo DEM ou pelo PSDB, como já fez outro ex-catão da República, Demóstenes Torres.

Sua declaração partidarizada só faz aumentar a necessidade de a CPMI ouvi-lo, pois reforçou a ideia de atuação conforme simpatias partidárias. A Procuradoria seria rápida e ágil para processar membros de alguns partidos e, no mínimo, lenta para processar políticos de outros, em geral os da elite demotucana.

Detalhe: ao que consta, nenhum membro da CPMI é réu no processo do chamado "mensalão", como Gurgel sugere em sua declaração em que assume papel de líder de oposição. E parlamentares de oposição aos petistas como Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Onix Lorenzoni (DEM-RS), também cobram de Gurgel respostas convincentes, e não "morrem de medo" do "mensalão".

O senador Pedro Taques (PDT-MT), que é mais independente do que governista, também é procurador de carreira, e não entendeu que "estratégia de investigação" foi essa, optando pelo engavetamento. Ele também cobra explicações convincentes.

Gurgel diz que não pode, legalmente, ser testemunha em uma CPI a portas fechadas, mas se meteu a dar seu testemunho no Jornal Nacional para o Brasil inteiro, sobre outro processo que promove, o "mensalão"?

Se não pode comparecer como testemunha, como ele afirma, que seja convocado na condição de investigado. Afinal, o que se deseja é apurar que procedimentos foram adotados de forma completamente fora do normal, do lícito e do legal, a respeito da Operação Vegas.

Publicado em 09/05/2012

Banqueiros e Globo desafiam Dilma e o povo brasileiro contra queda nos juros



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

A Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) emitiu nota desafiadora à presidenta Dilma, na queda dos juros. E o jornal O Globo transformou essa nota (que não passa de resmungão de lobistas), em sua manchete principal, assumindo papel de porta-voz dos banqueiros. Como se a queda dos juros fosse uma "crise", e não a solução do velho problema nacional das altas taxas de juros.

Ora, se os bancos privados ameaçam a sabotar e a dificultar a concessão de crédito temos mais um motivo para os brasileiros trocarem suas contas para os bancos públicos, e era isso que um jornal decente, compromissado com seus leitores, deveria dizer em alto e bom som -  ou escrever em letras bem grandes.

É o dinheiro dos brasileiros depositado nos bancos, seja da conta-salário, seja de aplicações financeiras, que é a matéria prima para empréstimos bancários. É também o dinheiro dos impostos que pagam os juros da dívida pública.

Por que o jornalão não se opõe aos banqueiros quererem quebrar os brasileiros? Os próprios banqueiros pagam juros relativamente baixos a quem aplica em poupança e fundos, por que emprestar a juros absurdos, chegando a 10, 15, 20 vezes mais altos do que pagam a quem aplica?

Se bancos privados não dão conta de enfrentar a concorrência dos bancos públicos, são ineficientes e devem sair do ramo, como qualquer empresa onde vigora o capitalismo que tanto defendem. Tudo isso é para continuar praticando juros extorsivos contra os brasileiros, enquanto Bradesco e Itaú continuam pagando uma fortuna na hora do plim-plim do "Jornal Nacional" e do "Jornal da Globo".

A parcialidade do jornalão é tão grande, que colocou a voz dos banqueiros no título e no subtítulo, só colocando o contraponto de "interlocutores de Dilma" (segundo o jornalão) no final: "Você não pode obrigar um cavalo a beber água, mas ele também pode morrer de sede".

Pois é hora de os brasileiros não ficarem mais carregando lata d'água para os cavalos dos banqueiros que deixam seus burros na sombra, inclusive na sombra da velha imprensa que os defende e recebe anúncios em troca.

Quer saber? É hora de todo mundo mudar suas contas para a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil.

 

Publicado em 08/05/2012

Deputado tucano ameaça jogar lama no ventilador e PSDB sente o golpe



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Uma nota publicado nesta terça-feira (8) no jornal Folha de S.Paulo, revela que o deputado Carlos Alberto Lereia (GO) – amigo de Carlinhos Cachoeira há 25 anos –, está ameaçando seu partido (PSDB) que, se for, digamos assim, conduzido a pedir licença do cargo, o que via de regra resulta em expulsão, vai "soltar o verbo." Eli disse que vai fazer com que o governador de Goiás, Marconi Perillo (também tucano) tenha o mesmo tratamento.

Apesar de farto material de gravações da Polícia Federal,  até o momento a imprensa – e o PSDB –, têm blindado o governador Perillo. Até mesmo José Serra, candidato à prefeitura de São Paulo, e o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, têm aparecido na imprensa defendendo o governador goiano.

Com a ameaça, o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE), apressou-se em declarar que  nenhum integrante da bancada pediu alguma decisão sobre o colega deputado.

Segundo ele – e apesar de fartas provas-- dentro da legenda a situação de Lereia é, tranquila. No entanto, na Corregedoria da Câmara, o deputado Jerônimo Georgen (PP-RS) anunciou que deve pedir a abertura de um processo por quebra de decoro contra o congressista.  

Isso porque, na semana passada, Lereia fez pronunciamento na Câmara parabenizando a Cachoeira, que fazia aniversário.




Publicado em 07/05/2012

CPMI tem compromisso com a própria moral



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Uma notinha publicada neste final de semana na coluna Painel, da Folha de S. Paulo, informa que, o governador Marconi Perillo (PSDB-GO) procurou caciques do PMDB para dizer que, se a deputada Iris de Araújo partir para o ataque na CPI do Cachoeira, haverá retaliação na comissão da Assembleia Legislativa contra a gestão de seu marido, Iris Rezende, na Prefeitura de Goiânia. Ou seja: segundo a nota, Perillo está fazendo clara chantagem.

Será um insulto à opinião pública se a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), instalada para investigar as conexões políticas, empresariais etc, do bicheiro Carlinhos Cachoeira, não exercer com independência suas atividades, ignorando portanto as inevitáveis e espúrias pressões de quaisquer origens.

É esperado que forças poderosas tentem interferir nos trabalhos da Comissão para proteger pessoas físicas e jurídicas envolvidas com a já óbvia extensa rede de corrupção, cujos tentáculos alcançam várias unidades da Federação.

A propósito, é estarrecedora – se for verdadeira – a notícia veiculada por uma  revista semanal, em sua edição de 2/5, dando conta de que "O Palácio do Planalto foi informado por um qualificado mensageiro das Organizações Globo que, caso o empresário Roberto Civita, dono da Abril, seja mesmo convocado para depor na CPI, o governo terá de enfrentar a fúria do baronato dos meios de comunicação, numa guerra sem limites".

Pode-se prever a indignada reação do governo à atitude desrespeitosa, insolente e descabida, sugerindo a interferência do Executivo em assunto da exclusiva competência do Congresso Nacional e ainda por cima, seguidas por ameaças desse tipo. Ou a CPI se sobrepõe a essas bravatas ou será levada à completa desmoralização. Todos estamos submetidos ao império da Lei. A busca da Verdade e da Justiça deve ser o lema da CPI, pela preservação do Estado Democrático de Direito.

 

Publicado em 04/05/2012

A missão da CPI: desmontar o POC



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Partido político é um grupo organizado legalmente para chegar ao poder (numa definição simplificada). Assim, a forma de atuação de Carlinhos Cachoeira e sua organização, se formos ver bem, passou a ser quase um partido político. No mau sentido, ilegal, informal e atuante nos subterrâneos.

Vejamos:

Tinha o objetivo de eleger bancadas de parlamentares e governantes. Daí, indicava nomeações para continuar na "base de apoio" de governos afins. Fazia disputas de poder, seja com fogo-amigo para quem fora aliado e tornara-se descartável, ou fazia oposição para derrubar adversários e conquistar espaços de poder.

Até aí poderia simplesmente registrar na Justiça Eleitoral e atuar como tantos outros partidos ditos fisiológicos (sem ideologia, com interesses apenas corporativos). O problema é que os objetivos do "partido" era atingir o poder para cometer crimes lucrativos, por isso seria, digamos, um POC (Partido da Organização Criminosa).

O POC buscava entrar nos governos para nomear pessoas em cargos-chave, que lhes facilitassem negociatas com a organização criminosa, beneficiando empresas da turminha.

Outras nomeações de interesse eram na polícia, no Ministério Público e no Judiciário, para ficarem imunes à investigação de seus crimes. O POC usava espionagem ilegal e criminosa como método de conquista de espaço político, de cooptação, chantagem e suborno. Recorria à dossiês – caluniosos ou não – para destruir adversários, e para isso usava seus canais de porta-vozes em setores da imprensa que atendiam às causas do POC.

O grande desafio da CPI não é fazer o mesmo que a Polícia Federal e o Ministério já fizeram e continuarão a fazer com os desdobramentos em curso. Não deve ser o foco da CPI enquadrar cada um dos membros da organização criminosa nos devidos artigos do código penal que infringiram. Para isso existe o Ministério Público.

A grande missão da CPI é entender, mapear, desbaratar e conter essa grande estrutura entrelaçada do POC. Por isso o mais importante para a CPI descobrir e esclarecer é o que ainda não está claro: o grau de envolvimento da organização criminosa com setores do Ministério Público e do Judiciário, além do real papel de setores da imprensa na tática da organização criminosa. Por exemplo: uma determinada revista seria membro do comitê central do POC? Seria militante do POC? Teria apenas afinidade corporativa com o POC?

Políticos e empreiteiros envolvidos todo mundo sabe o papel que desempenham neste tipo de organização: corruptores e corruptos. Basta à CPI acompanhar o trabalho do Ministério Público para não deixar engavetar nada, porque com inquéritos já em andamento, os procuradores andarão sempre na frente dos parlamentares, no que diz respeito a denunciar criminalmente governadores, políticos e empreiteiros.

Mas se a CPI não desbaratar o POC e não fizer reformas nas leis que contenham estas organizações, o POC continuará existindo nos subterrâneos com outros membros. Rei morto, rei posto. Hoje Cachoeira chegou a influir regionalmente em contratos de estados com uma grande empreiteira. Amanhã outro Cachoeira poderia vir a influir em contratos do pré-sal, de defesa das Forças Armadas, enfim colocando a própria nação sob governo do POC se houver um outro Demóstenes Torres ou, quem sabe, talvez até chegar à Presidência da República.

Publicado em 02/05/2012

Tucanos longe dos trabalhadores no 1º de Maio



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Nas duas maiores festas do 1º de Maio em São Paulo, uma da CUT e outra da Força Sindical (com quatro outras centrais), estiveram presentes o novo ministro do Trabalho, Brizola Neto (PDT), o ministro Gilberto Carvalho (PT), o presidente da Câmara, Marco Maia (PT), os pré-candidatos a prefeito Fernando Haddad (PT), Netinho de Paula (PCdoB) e Celso Russomano (PRB), e até o prefeito Gilberto Kassab (PSD) – uns deles em ambas.

O governador Geraldo Alckmin, que discursou no ano passado e recebeu vaias, este ano enviou uma nota dizendo-se gripado. O pré-candidato tucano José Serra havia anunciado que iria ao evento da Força, mas não apareceu. O senador tucano Aécio Neves, cuja presença era anunciada no noticiário da velha imprensa como "atração", também não deu ar da graça.

Havia expectativa do tucanato em atrair a Força Sindical para a oposição ao governo Dilma. Com a nomeação de Brizola Neto para o ministério do Trabalho, esse movimento foi esvaziado, já que o presidente da central, deputado Paulinho (PDT) apoia o novo ministro de seu partido.

Nesse contexto, e com a popularidade da Presidenta Dilma em alta, inclusive agora que está atendendo a pauta dos trabalhadores para atacar os juros altos cobrados pelos bancos, o que restaria aos tucanos, se comparecessem com seus discursos? As vaias.

E FHC nas Arábias...

Enquanto isso, o ex-presidente Fernando Henrique passou o feriado do Dia do Trabalho em Paris. Ele está na capital francesa desde quinta-feira, 26, depois de passar uma semana no Qatar e nos Emirados Árabes, onde teve encontros com investidores e autoridades locais, organizados pelo Itaú Unibanco. Antes de partir para Paris, ele concedeu entrevista à Folha de S. Paulo divulgada nesta quarta-feira (2) no caderno Mercado.

A entrevista foi dada no hotel Jumeirah at Etihad Towers, onde se hospedou em Abu Dhabi.Tudo pago pelo Itaú

No texto, o que mais chama atenção é a ousadia do ex-presidente que, mesmo viajando a convite de donos de bancos, tem a coragem de tentar criticar o governo pela decisão de derrubar as taxas de juros. "Hoje me perguntaram se o governo não está derrapando, forçando a taxa de juros baixar, com protecionismo aqui e ali", afirmou FHC, provando que não existe mesmo almoço de graça.

Nem os bancos, que o escalaram para a viagem, esperam receber o pagamento do banquete de forma tão rápida...Pois é, mas além de incluir na pauta da entrevista o assunto dos juros — que ele deveria se declarar impedido de comentar —  o ex-presidente cometeu outras impropriedades. Exemplo: sem qualquer fato objetivo que possa comprovar o que diz, afirmou que a corrupção cresceu em relação ao governo dele.

Ele reclamou da falta de planejamento de longo prazo no Brasil, como se essa afirmação não conspirasse contra sua falta de ação política. E ainda fala em sua "experiência" com as CPIs. Que experiência e com quais CPIs? Ninguém sabe, ninguém viu...

Publicado em 26/04/2012

Lula e Dilma conversam por quatro horas e deixam orelha da velha imprensa ardendo



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Enquanto velha imprensa se perde em picuinhas, Lula e Dilma veem o país com outros olhos (José Cruz/ABr)

A presidenta Dilma almoçou com o ex-presidente Lula em Brasília no Palácio da Alvorada na quarta-feira (25). Esticaram a prosa por mais de quatro horas. No encontro estavam os ministros Aloizio Mercadante (Educação), Guido Mantega (Fazenda) e Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência), além do ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins.

Com um grupo destes reunido, o que conversaram? Evidentemente sobre política, conjuntura nacional, internacional, economia e eleições, além de amenidades pessoais entre velhos amigos. Mas certamente nenhum deles é fonte que falaria confidências em off para jornalistas da velha imprensa.

Mas sabem como é... jornalista em Brasília, do lado de fora, fica com a "orelha ardendo", imaginando se estariam falando mal de seus amados patrões ou de correligionários políticos de oposição.

Mas mesmo sem ter como saber o que conversaram lá dentro, a gente vê publicada no jornal O Globo uma baboseira destas abaixo, ao gosto do chefe deles, que nem com muito boa vontade a gente consegue acreditar. Aliás a matéria nem foi assinada. O título da nota é " No primeiro dia da CPI, Lula se reúne com Dilma e ministros".

Acompanhe alguns trechos, devidamente comentados:

“Para acertar os ponteiros da Comissão que vai investigar Carlinhos Cachoeira...”

A CPI já tinha feito sua primeira reunião pela manhã e já havia aprovado os requerimentos, enquanto Dilma e Lula só se reuniram à tarde, o que demonstra o quanto a notícia é inventada.

“No primeiro dia de funcionamento da CPI mista do caso Cachoeira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou quatro horas reunido com a presidente Dilma Rousseff ... para defender sua posição favorável à investigação e unificar o discurso do PT e do governo no Congresso.”

Ai, ai, ai... Lula, se tivesse que "defender sua posição" sobre a CPI junto a Dilma, faria isso em um telefonema de dois minutos, jamais precisaria ir a Brasília, se reunir por quatro horas com a presidenta, três ministros e um ex-ministro, depois que a CPI já havia começado a funcionar, pela manhã.

“Nas conversas desta quarta-feira, Lula repetiu sua tese de que a investigação será a oportunidade de atacar os opositores do governo que estão sob suspeita, ainda que isso represente eventuais perdas no próprio PT.”

Como "chutam" esses jornalistas. A CPI é uma oportunidade para levar o país a reformas moralizantes, tais como eliminar o financiamento de campanha por empreiteiras, bicheiros e bancos, e para esclarecer suposta corrupção na imprensa, através de espionagem clandestina, empresarial e partidária.

“Paralelamente à reunião de Lula com Dilma, o presidente do PT, Rui Falcão, teve reuniões com o governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), um dos alvos da oposição na CPI Mista, e depois com parlamentares do partido que integram a comissão, também para unificar o discurso. Falcão negou que o PT não esteja apoiando Agnelo, mas nos bastidores já se fez o cálculo: se Agnelo tiver problemas com Cachoeira, não terá como ser preservado.”

Falcão visitou Agnelo, manifestou apoio público, desmentiu boatos plantados de que teria pregado a renúncia do governador na semana passada, e a "fonte nos bastidores" de O Globo deve ser gente da tropa de choque de Joaquim Roriz ou José Roberto Arruda.

“À noite, no Congresso, os líderes petistas foram orientados pelo Palácio do Planalto a ter sobriedade e conter os arroubos na CPI, mantendo o foco já estabelecido. Delimitar, por exemplo, a investigação a contratos da Delta que já estão sob suspeitas.”

De novo: a reunião da CPI foi de manhã, portanto não havia mais o que recomendar de noite, pois já estava feito. E, desde as denúncias contra Demóstenes, a maioria dos líderes petistas tem demonstrado bastante seriedade, evitando tripudiar e evitando tornar a CPI um circo de especulações como quer a oposição. Quanto à investigação sobre a Delta, o governo federal já disponibilizou os contratos na Internet no site do DNIT, portanto sequer faz sentido falar em "delimitar" investigações sobre estes contratos.

“O ministro da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, que esteve no almoço e é considerado um interlocutor de Lula no Planalto, já estaria trabalhando para convencer o ex-presidente a se acalmar e “tirar a faca dos dentes”.

Aqui O Globo se enrola todo na invencionice e cai em contradição: se escreveu no primeiro parágrafo que houve uma reunião de quatro horas "para aparar arestas", e se Carvalho é "interlocutor de Lula no Planalto", como diz acima, como ele poderia estar trabalhando para "acalmar" Lula? Trabalhando a serviço de quem? De Dilma? Mas a Presidenta estava na reunião. Para quê interlocutores? Fica claro que é tudo inventado. Aliás, Lula tem demonstrado bastante calma. Quem tem demonstrado estar à beira de um ataque de nervos são jornalistas de determinados veículos da imprensa.

“Um dos maiores temores do governo e do PT é em relação ao magoado ex-diretor do Dnit, Luiz Antonio Pagot, que pode comprometer o governo, ao escancarar detalhes de contratos do Ministério dos Transportes com a construtora Delta. Foi diante de argumentos como esses que Lula estaria moderando o tom beligerante em relação à CPI.”

Mais um "chute". Pagot já prestou esclarecimentos em duas comissões no Congresso antes de deixar o cargo no DNIT. O órgão já passou por auditorias e foi investigado. Se há mágoa agora é contra seus algozes: a turma da revista Veja com a turma de Cachoeira, que planejaram matérias na revista contra ele e comemoraram sua queda por estar atrapalhando interesses do grupo de Cachoeira em contratos da Delta.

“Outra suposta divergência entre Lula e Dilma foi na escolha do relator da CPI. Enquanto Lula brigou pela indicação do ex-líder Cândido Vaccarezza (PT-SP), considerado incendiário, Dilma queria o líder do PT na Câmara Paulo Teixeira (PT-SP). Com o impasse, a escolha recaiu sobre o mineiro Odair Cunha.”

Outra contradição: a divergência é "suposta", mas o jornalista advinha tudo dentro da suposição. É difícil acreditar que Lula e Dilma tenham entrado em disputas internas da bancada do PT, onde qualquer dos três nomes eram bem qualificados. No máximo, podem ter conversado sobre qual nome seria mais adequado. Daqui a pouco vão dizer que disputas de vereadores de qualquer município do Brasil é uma briga entre Lula de um lado e Dilma do outro. Além disso, qualquer jornalista bem informado sabe que Vaccarezza tem desempenhado nos últimos tempos papeis de articulação e conciliação, o que não tem nada incendiário.

“A conclusão hoje é que a escolha do Odair Cunha para relator da CPI foi a melhor, justamente por causa da sua sobriedade – disse um dos participantes da reunião no Alvorada.”

O único parágrafo da matéria que foi fiel à verdade, apesar de a conclusão não ter sido fruto dos motivos expostos 


E tem mais

A matéria do jornal ainda fala do lançamento do documentário sobre a transmissão do cargo presidencial de Lula para Dilma, motivo da viagem de Lula, e termina quebrando a cara ao patrulhar o ex-presidente, quando conclui: "O ex-presidente foi a Brasília em jato fretado pelo Instituto Lula. O aluguel estimado é de cerca de R$ 30 mil."

O Instituto Lula se capitalizou no ano passado com as palestras do ex-presidente para empresas no Brasil e no exterior, portanto teve receitas de sobra para este gasto – que de resto também carece de comprovação. Mas não se vê o jornal ter a mesma preocupação com os vôos de líderes tucanos como José Serra e o senador Aécio Neves.

Publicado em 25/04/2012

Tucanos são contra Instituto Lula, mas deram terrenos para a Globo



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Os tucanos paulistanos, que sempre defenderam parcerias público-privadas, principalmente quando são mais privadas do que públicas, divulgaram um estranho manifesto contrário à cessão do terreno da prefeitura de São Paulo para o Instituto Lula, alegando que este seria uma organização de direito privado.

O projeto já foi aprovado pela Câmara de Vereadores, e o Instituto terá obrigação de construir o Memorial da Democracia, um espaço para visitação pública. Logo, o interesse público é evidente para a população, que ganhará mais um espaço na cidade para frequentar.

Mas o mais curioso é que estes tucanos não se opuseram quando a TV Globo anexou um terreno público à sua sede paulista como se fosse um jardim privativo da emissora.

Após a emissora concorrente Record denunciar, o governo tucano cedeu o terreno para a construção da escola técnica Roberto Marinho. Matéria de total interesse da Globo, que pretende formar mão-de-obra para a ela mesma.

Também não se opuseram quando a prefeitura e governo do Estado entregaram para a Fundação Roberto Marinho, o museu do futebol no estádio do Pacaembu, que é municipal. Nem foram contra entregar à mesma Fundação parte da gestão do Museu da Língua Portuguesa.

Como se vê, o manifesto do tucanato não passa de ciúmes e gesto político meramente para marcar posição.

Publicado em 24/04/2012

A 'embromation' do JN



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

A queda das taxas de juros nos empréstimos bancários já caiu na boca do povo, virou a principal notícia econômica popular, e o último telejornal que ainda censurava a notícia era o Jornal Nacional, da TV Globo. Não por acaso é patrocinado por um banco privado, que tentou resistir à redução dos juros o quanto pôde.

O JN passou toda a semana passada sem tocar no assunto, mesmo quando os clientes já corriam aos bancos em busca de renegociar suas dívidas em condições melhores, e mesmo após o patrocinador do telejornal aderir (a contragosto) às medidas. 

Já estava pegando mal quando, na segunda-feira (23), resolveu noticiar, mas deu ênfase completamente enviesada do assunto, a ponto de dar a entender que a corrida aos bancos seria nociva para o cliente, pois aumentaria o endividamento e comprometeria a renda, quando a realidade geralmente é a oposta.

Quem está correndo aos bancos, em sua maioria, está buscando refinanciar dívidas caras, trocando por condições mais baratas, o que alivia o peso da dívida na renda familiar, pois passa a pagar uma mensalidade menor.

O telejornal faltou com o compromisso de informar ao telespectador, o que é do interesse público. Os bancos estão competindo pela conta-salário dos clientes, oferecendo vantagens como taxas melhores. E estão competindo também através da portabilidade dos financiamentos, ou seja, se um cliente tem um financiamento em um banco, ele pode levá-lo para outro banco onde ele pague uma prestação mais baixa.

Curioso é que, se a reportagem mais confundiu do que explicou, nos intervalos comerciais aparecia a atriz Camila Pitanga fazendo propaganda da Caixa Econômica Federal, explicando com uma clareza cristalina a transferência da conta corrente e da dívida em outro banco. Continuou pegando mal para o JN.

Publicado em 20/04/2012

Julgamento de Serra está na fila, na frente do 'mensalão'



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

Seria compreensível se a velha imprensa cobrasse celeridade do Judiciário como um todo. Mas causa estranheza quando, em ano eleitoral, essa velha imprensa só bate o bumbo sobre o processo do chamado "mensalão".

Por que então não cobrar o julgamento também do processo que José Serra responde por atos praticados ainda no governo FHC e que se arrasta até hoje? Em termos de réus ilustres supera o chamado "mensalão", e em termos de valores também, além de ser bem mais antigo, pois se arrasta desde 2003.

Não é um processo qualquer. Trata-se do rombo no Banco Econômico, socorrido com R$ 3 bilhões no âmbito do PROER, quando Serra era ministro do planejamento. São réus também praticamente toda a equipe econômica do governo FHC, incluindo o ex-ministro Pedro Malan, ex-ministro e banqueiro Ângelo Calmon de Sá e os ex-presidentes do Banco Central Gustavo Loyola e Gustavo Franco.

A juíza Daniele Maranhão Costa, da 5ª Vara da Seção Judiciária do Distrito Federal, acatou a denúncia apontando dano ao erário, enriquecimento ilícito e violação aos princípios administrativos no caso.

Note-se que Serra é o candidato mais célebre destas eleições de 2012, e a celeridade no julgamento seria uma oportunidade para o tucano sair inocentado, ou para o eleitor saber se estará votando em alguém condenado em primeira instância.

O processo corre no TRF1-DF, e os detalhes da ação estão aqui, íntegra:




Publicado em 19/04/2012

Campanha Aécio-2014 aparelha comunicação da LIGHT



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

A Light, empresa distribuidora de energia elétrica, tem como maior acionista a CEMIG, do governo de Minas. Depois das explosões de bueiros nas ruas do Rio de Janeiro, o que a empresa mais precisa é de técnicos, engenheiros e manutenção da rede. Certo?

Mas a turma do senador Aécio Neves (PSDB/MG) resolveu criar uma nova diretoria para a área de... comunicação. Ora, a Light é concessionária de uma área exclusiva e não tem concorrentes. Por que precisaria de uma diretoria de comunicação para fazer propaganda?

Talvez seja pelo mesmo motivo que José Serra, quando era governador de São Paulo, fez uma enorme campanha publicitária da SABESP (empresa de água e saneamento básico) do Oiapoque ao Chuí. Serra era candidato a Presidente naquela época (na verdade ainda é). Aécio é candidato a Presidente hoje.

Para piorar o caso, o nome indicado não é um quadro técnico, é Ziza Valadares, ex-deputado estadual e ex-presidente do Clube Atlético Mineiro.

Só pode ter uma explicação: mesmo ainda impedida de publicar anúncios de campanha eleitoral, os gastos com propaganda tornam parte da imprensa mais dócil com o candidato. Além disso, publicitários bem remunerados para fazer as peças dessas empresas, podem resolver trabalhar "voluntariamente" na campanha eleitoral, se é que vocês me entendem.

Publicado em 18/04/2012

CPI é fato consumado, mas Bonner ainda avisa que parlamentares podem recuar



Por Helena Sthephanowitz, especial para a Rede Brasil Atual

O noticiário da TV Globo agiu para tentar abortar a CPI do Cachoeira nos últimos dias, aliás em conjunto com os outros dos maiores veículos de comunicação do Brasil: Veja, Folha e Estadão.
O noticiário inverteu os fatos. Senadores e deputados petistas, inclusive os líderes que falam pela bancada, davam declarações, faziam discursos e emitiam notas contundentes exigindo a instalação da CPI do Cachoeira.

Mas o Jornal Nacional noticiava que o PT estava recuando. O Palácio do Planalto não interferiu de fato na instalação da CPI, pelo contrário. Falou que era assunto do Congresso, mas o noticiário plantava notas dizendo que o Planalto pressionava contra. Talvez o JN quisesse dar a desculpa necessária aos parlamentares que estavam receosos de assinar o requerimento pela investigação, para não assinarem.

Além disso, o telejornal tentou intimidar com denuncismo. Requentou factóides antigos, endossou boatos como se já fossem "graves denúncias", inverteu interpretação de diálogos gravados pela Polícia Federal, cortou trechos para mudar o contexto, como se desse uma prévia do que viria a ser o ambiente midiático caso a CPI fosse instalada, tudo para assustar parlamentares receosos de escândalos respingarem neles.

Não adiantou. Na noite de terça-feira (17), o pedido de abertura da CPI mista foi protocolado com a assinatura de 330 deputados e 67 senadores.

E o Jornal Nacional parou? Que nada. Ele deu a notícia, e continuou especulando ao dizer que o governo trabalha para ter controle sobre os principais cargos na comissão.

O telejornal sonegou do telespectador a informação de que, pelas regras de sempre, numa CPMI, a maior bancada no Senado fica com a presidência, portanto cabe ao PMDB, e a maior bancada da Câmara fica com a relatoria, portanto será do PT. Isso é regra criada pelos parlamentares há muito tempo, nada tendo a ver com interferência do governo.

O JN também procurou desviar o foco da CPMI apenas para empreiteira Delta, que é apenas parte do todo.

O cômico foram as palavras finais de William Bonner. Mesmo com assinaturas de sobra para tornar a CPI irreversível, e sabendo que os segundos em um telejornal são preciosos para serem ocupados com frases supérfluas, o apresentador fechou com a frase: "Até a leitura do pedido de criação da CPI no plenário, prevista para quinta-feira (19), os deputados e senadores podem assinar ou retirar as assinaturas".

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Helena Sthephanowitz escreve sobre política, mídia e outros temas. Ela é autora dos blogues Os Amigos do Presidente Lula e Os Amigos do Brasil

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