Você está aqui: Página Inicial Blog Curta essa dica | Blog de Cultura Coletânea de crônicas mostra força e graça de Humberto Werneck
Ferramentas Pessoais

Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

Curta essa Dica

Publicado em 04/01/2012

Coletânea de crônicas mostra força e graça de Humberto Werneck

Coletânea de crônicas mostra força e graça de Humberto Werneck

Humberto Werneck, escritor mineiro, durante participação na Flip 2009 (Foto: ©paraty.com.br/divulgação)

Nascido em Belo Horizonte, em 1945, Humberto Werneck, que escreve aos domingos em O Estado de S. Paulo, dá continuidade a uma linhagem preciosa de cronistas mineiros, que inclui os muito citados por ele Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Hélio Pellegrino. É o que pode ser conferido na ótima e recém-lançada coletânea "Esse Inferno Vai Acabar", que faz parte da coleção "Arte da Crônica", da Arquipélago Editorial. As crônicas foram publicadas nos jornais O Estado de S. Paulo e Brasil Econômico entre 10 de agosto de 2008 e 3 de julho de 2011

Com uma linguagem extremamente envolvente, que só os grandes contadores de casos são capazes, Humberto Werneck conquista e diverte com histórias saborosíssimas, como a de um casal que apostou tanto no fim do mundo que acabou se separando quando ele não veio. E o que dizer então dos vários textos dedicados à tia Alzira, e o escudo de "eucatex" para se proteger de tarados; e à prima Solange, que adorava recuperar palavras esquecidas nos dicionários. Ou então do homem que adorava frequentar enterros até que o da própria esposa se transformou num grande evento.

Boa parte dos melhores textos se refere à infância do cronista, caso dos dois dedicados àquela que considera a legítima "coxa de catupiry", da relação com o futuro presidente Juscelino Kubitschek; e da festa de aniversário de oito anos, que nunca ocorreu e que o faz se remeter ao clássico poema de Casimiro de Abreu.

Igualmente saborosa é a série a respeito dos vizinhos inesquecíveis e "Do caderno de um repórter", em que relata trechos de reportagens com, entre outros, Nelson Rodrigues, Eduardo Bueno, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto.

Porém, nada se compara ao arrependimento de Humberto Werneck por não ter tentado ao menos dançar com a atual presidenta Dilma Roussef, no tempo de mocidade dos dois. "Dependendo das eleições presidenciais de 2010, corro o risco de passar à história como aquele panaca que, tendo tido a chance, não tirou a Dilminha para dançar. Poderia, no mínimo, ter sido o pai do PAC, o tão alardeado Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal. Agora é tarde: um outro, Luiz Inácio Lula da Silva, já tirou a moça – e, em certo sentido, talvez eu é que tenha dançado", lamentou em "A escolhida", crônica publicada em O Estado de S. Paulo em 10 de agosto de 2008.

A única coisa que cansa um pouco é essa falsa, ou não, modéstia desse fantástico cronista em se reconhecer um grande escritor.

guibryan1@redebrasilatual.com.br

Ações do documento
Powered by DISQUS comment system
Comentários
Sobre este blog

Dicas de livros, filmes, teatro, dança, música, sites, exposições

Twitter Facebook Orkut Youtube Identica Flickr

null

null

null


Rádio Brasil Atual

Ouça o Jornal Brasil Atual de segunda a sexta, das 7h às 9h. Ou confira aqui, a qualquer hora, a programação completa.

Twitter Facebook Orkut Youtube Identica Flickr
Boletim

Cadastre-se e receba em seu e-mail

assineagora.jpg


 
Clicky Web Analytics