
Publicado em 07/09/2011
"CataDores" retrata com bom humor o valor da amizade
Algumas folhas de jornal espalhadas pelo chão, um pano no fundo do palco com o desenho de alguns prédios e dois latões de lixo. Esse é o cenário aparentemente simples, mas extremamente funcional, do espetáculo “CataDores”, em cartaz no Teatro Eva Herz, em São Paulo, e que segue temporada até 9 de outubro, com sessões às sextas-feiras e sábados, às 21h, e domingos, às 19h.
Os conhecidos atores Paulo Gorgulho e Jairo Mattos, também responsável pela direção, estão muito bem como dois velhos palhaços, que vivem dias absolutamente iguais uns aos outros e não conseguem escapar do mesmo ambiente de abandono e esquecimento, inclusive profissional. Logo no primeiro ato, o personagem de Gorgulho se livra da barba e do cabelo brancos, assim como da corcunda e dos calos nos pés, em busca do rejuvenescimento, o que não lhe traz, no entanto, uma nova rotina.
Se, no início, as piadas contadas pelos atores parecem bastante infantis e provocam o riso em alguns, mas o silêncio em outros, e parece ser o ponto fraco do espetáculo, aos poucos, a plateia é conquistada pela singeleza de personagens tão antagônicos. Um quer ser jovem e também parece ser mais ingênuo. O outro aparenta mais dificuldades físicas e emocionais, o que lhe deixa bastante mal-humorado, mas parece ser o mais sensato.
Os efeitos visuais, como o “cair da noite”, são encantadores. Porém, a força do espetáculo está mesmo nos efeitos sonoros produzidos pelo maestro Marcello Amalfi, que possui vários instrumentos ligados ao corpo, como percussão, trompete, acordeão e guitarra elétrica. Muito bem ensaiado e versátil, a ponto de ter sido eleito um dos 200 músicos mais importantes do Brasil em 1997, ele se envolve com o espetáculo, se emociona em alguns momentos, não controla a risada em outros, e, no final, se transforma praticamente em mais um personagem.
Com texto da dramaturga Cláudia Maria de Vasconcelos, o espetáculo mostra o imenso amor entre dois amigos extremamente diferentes, mas, ao mesmo tempo, tão complementares. Porém, a repetição de algumas gagues, que não funcionam tão bem e não criam o impacto desejado com a plateia, faz com que a peça perca um pouco da força dramática e não consiga se juntar ao panteão de obras-primas recentes, encenadas em dupla e que tratam de trabalho, miséria e a força da amizade, caso de “Andaime”, de Sérgio Roveri, e “Pamonha & Panaca”, de Rogério Blat.
Serviço
Até 9 de outubro, com sessões as sextas-feiras e sábados, às 21h, e domingos, às 19h.
Ingressos de R$ 40 a R$ 50.
Teatro Eva Herz – Livraria Cultura Conjunto Nacional – Avenida Paulista, 2.073. T: (11) 31704059










