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Publicado em 23/09/2010

Defesa da democracia sem antipetismo e protesto contra o golpismo sem censura

Protagonistas de protestos contra golpismo de mídia antagônicos, em entrevistas, negam que alvo seja

Vagner Freitas, secretário nacional de Administração e Finanças da CUT, e José Arthur Giannotti, cientista político, negam que as manifestações de que participam nesta quinta-feira (23) e na véspera (22) tenham respectivamente conotação de censura e golpismo. Em entrevistas ao Terra Magazine, os expoentes do protesto contra o "golpismo midiático" e em "defesa da democracia" reiteraram as críticas que norteiam a mobilização, mas contemporizaram.

Ambos os eventos alegam defender a liberdade de expressão. De um lado, partidários da candidatura de Dilma Rousseff (PT) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusam o oligopólio dos meios de comunicação para apontar o controle da informação. Com isso, dizem, criam factóides e direcionam o noticiário por conveniência.

 O manifesto assinado por juristas e personalidades em defesa da democracia vê sinais de autoritarismo. Acusam o governo federal de querer cercear a liberdade de imprensa e de ameaçar o processo democrático.

Para Giannotti, o PT não ameaça as liberdades de expressão nem de imprensa, mas apenas "um grupo que está encastelado no PT e em outros partidos". Por isso, ele descarta a hipótese de que a manifestação realizada na tarde de quarta-feira no Largo São Francisco, no centro de São Paulo, tivesse conotação antipetista.

Ele é um dos signatários de um manifesto que aponta ameaças à democracia no Brasil, incluindo riscos à liberdade de expressão e de imprensa. O cientista político critica, porém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando-o de descumprir  a lei eleitoral. Lamenta ainda que o governo reclame "que a mídia é muito independente".

O dirigente sindical, por sua vez, rechaça a possibilidade de se tratar de um ato em defesa do governo Lula ou da candidata Dilma. "O que nós estamos preocupados é que o pleito transcorra de maneira natural, que não sejam criados factoides a cada instante para fazer terrorismo com a opinião pública, sempre direcionados para a mesma candidatura, que ocasionalmente é a candidatura governista", contesta.

"Acho que seja importante que haja um equilíbrio de forças no poder, desde que isso seja vontade da sociedade. Mas não pode ser forjado por uma parcela da mídia", critica Freitas. Por isso, ele garante que o sentimento dos manifestantes será o de "defender a democracia".


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