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Publicado em 10/03/2011

Contra o aumento do ônibus, uma visita ao prefeito

Contra o aumento do ônibus, uma visita ao prefeito

Após breve passeata, os manifestantes colocaram fogo em um boneco do prefeito Kassab (Foto: Nelson Antoine/Fotoarena/Folhapress)

São Paulo - Foi pela nona quinta-feira consecutiva que ativistas críticos ao reajuste do ônibus em São Paulo foram às ruas. Os manifestantes não consideram este o nono protesto, por ter um caráter diferente, mais restrito e pontual, voltado totalmente à figura de Gilberto Kassab (DEM), prefeito da cidade.

Essa perspectiva, aliada ao feriado do carnaval, fez a marcha ter um tamanho bem menor do que nas semanas anteriores. As 150 pessoas presentes partiram do Shopping Iguatemi, no bairro de Pinheiros, zona oeste, para uma "visita" inusitada. O destino era justamente o condomínio onde mora Kassab.

A crítica é à falta de disposição de Kassab para receber os ativistas contrários aos R$ 3 cobrados dos passageiros de ônibus. Mas, nesta quinta-feira (10), o prefeito não poderia recebê-los para um café em sua casa nem se quisesse. Ele está em Paris, na França, onde participa de uma feira internacional. Só volta neste sábado (12).

Segundo informações da Polícia Militar, cerca de 150 manifestantes compareceram ao protesto pacífico. O comandante do 23º Batalhão, major Marcelo Nagy, declarou que aproximadamente 40 policiais acompanham o protesto desta quinta. "Eles têm direito à manifestação, mas a polícia tem que assegurar a integridade dos manifestantes e as pessoas em geral", contemporizou.

Murilo Rodrigues, se apresenta como ciclista que, aos 30 anos, abandonou o carro há dois. Ele estava passando na rua e se juntou à manifestação para apoiar a causa mesmo sem usar ônibus. "Acho um absurdo onerar transporte público deste jeito. Tem que fazer barulho mesmo, apoio. Tem que parar a cidade para ser notado", declarou.

Por que, então, fazer um protesto diante de uma casa vazia? "O objetivo do ato é mostrar que estamos atrás do diálogo, estando o Kassab em casa ou não", responde Mayara Vivian, integrante do Movimento Passe Livre, um dos grupos que promove as manifestações desde o início do ano. "A gente sabe onde ele mora e veio fazer uma visita", alfineta.

Ao final do protesto, por volta das 19h40, os manifestantes abriram alguns ônibus pela porta de trás na avenida Rebouças, na parada Faria Lima, para que os integrantes do movimento entrassem sem pagar.

 

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