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Publicado em 22/11/2011

Chevron, acusada de mentir no Rio, produziu maior desastre ambiental do Equador

São Paulo – A Chevron, responsável por um vazamento calculado entre 380 mil e 477 mil litros de óleo na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, acumula em seu currículo o maior desastre ambiental da história do Equador, ocorrido na província amazônica de Sucumbíos ao longo de décadas.

A saga de 30 mil camponeses e indígenas do nordeste equatoriano, narrada na edição 38 da Revista do Brasil, teve início em 1964, quando a Texaco, empresa mais tarde rebatizada de Chevron, conquistou do governo equatoriano uma área de 1 milhão de hectares para a exploração petrolífera. Vinte e oito anos depois, deixou o país tendo retirado 1,7 bilhão de barris. 

O saldo para a população da cidade de Shushufindi foi um passivo ambiental de 18 bilhões de galões de água tóxica, resultado da extração, que deveriam ter sido reinjetados no solo. Um laudo apresentado à Corte de Justiça equatoriana mostrou que, nos últimos 15 anos, a incidência de câncer na região ultrapassa em 2 mil casos a média nacional.

Desde 1993 um grupo trabalha pela responsabilização da Chevron. Como a empresa não tem mais operações no Equador, o processo foi inicialmente apresentado à Corte de Nova York, que tardou dez anos em responder que não tinha competência para tal, atendendo ao desejo da corporação de ser julgada em solo sul-americano.

Conforme conta a Revista do Brasil, "Pablo Fajardo, que em 2003 estava se formando como advogado, assumiu o caso como o primeiro de sua carreira. Antes, esteve ligado à luta pela reparação dos danos. Era estudante de colégio em Shushufindi quando tudo começou. Trabalhou para empreiteiras que prestavam serviço às companhias petroleiras. Uma de suas tarefas era limpar vazamentos. Ao deparar com o que considerou desrespeito social e ambiental, Pablo e seu irmão José inauguraram o Comitê de Direitos Humanos de Shushufindi, que passou a concentrar as reclamações das pessoas prejudicadas pela atividade petroleira".

A Chevron passou a argumentar que, como não tem mais ativos no Equador, não tem como arcar com a indenização solicitada, de 27 bilhões de dólares. A Justiça equatoriana de primeira instância já definiu pela culpa nos vazamentos de petróleo que contaminaram a província de Sucumbíos, embora tenha definido um ressarcimento menor, de 18 bilhões de dólares, o que levou a petrolífera a conseguir em Nova York uma decisão para que a sentença não pudesse ser executada nos Estados Unidos. Em setembro, porém, a Corte de Apelações daquele país derrubou a ação que garantiria a impunidade. 

Leia a íntegra da reportagem Chernobyl Amazônica.

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