Publicado em 09/03/2010
Boaventura havia advertido sobre apropriação do Bolsa Família em tempos de eleição por tucanos
PSDB tenta aprovar no Congresso projeto que aumenta base de beneficiários do programa; Antes disso, pensador português havia pontuado que governos progressistas precisam propor ruptura com atual modelo
O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos considera que a radicalização da democracia é a arma que tem a esquerda atualmente para evitar que a direita se aproprie das boas ideias (Foto: CUT)
A notícia de que o PSDB tenta aprovar no Congresso um projeto que amplia o universo de beneficiários do Bolsa Família remete imediatamente à lúcida fala do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos durante a primeira semana de Fórum Social Mundial em 2010, em Porto Alegre.
Na ocasião, ainda não estava em foco o projeto do senador Tasso Jereissatti (PSDB – CE), aprovado na Comissão de Educação do Senado, prevendo o pagamento de um adicional aos alunos beneficiários de Bolsa Família que tenham bom desempenho na escola.
Antes que se passe à fala do professor, registre-se o que disse a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, nesta terça-feira (9) sobre a proposta tucana: "Tudo o que vier de bom para a população a gente tem de acatar. Agora, para a gente ter cuidado com qualquer medida que seja simplesmente eleitoreira, a gente tem sempre que perguntar: e a fonte de recursos? Como é que se banca? Porque senão vão começar a sair por aí fazendo toda espécie de benefício num momento eleitoral para a população e não dizendo aonde a gente tira o dinheiro para cumprir".
Retornando à fala de Boaventura, nesse último janeiro o português falou sobre a facilidade de a direita aprender rapidamente com os acertos da esquerda, e pontuou que a eleição do Chile parecia o primeiro sinal negativo de uma década que pode marcar retrocessos para os sul-americanos. Em seguida, ele pontuou que os governos progressistas da região, Brasil incluído, tinham como base as políticas de transferência de renda, e isso não era suficiente.
“Eu fui um dos primeiros a apoiar este governo pelo Bolsa Família. Mas é extremamente limitado porque distribui lá embaixo, mas não mexe nos mecanismos que criam injustiça social e que criam empobrecimento”, apontou, para em seguida manifestar preocupação: “A direita vai apropriar-se dessas políticas. Estou seguro que o candidato de direita aqui no Brasil vai dizer que, se for presidente, vai manter o Bolsa Família. Não tenho dúvidas. Porque as transferências de rendimento não colocam em causa o ganho econômico (…) O que eles querem é a democracia irrelevante. Os governos progressistas precisam colocar em movimento um outro modelo civilizacional, uma nova forma de política”.











Boaventura havia advertido sobre apropriação do Bolsa Família em tempos de eleição por tucanos