Publicado em 21/06/2010
Blogueiro critica Veja por preferir Twitter a Saramago
"Discutir uma 'hashtag' de Twitter é como sugerir um seminário para analisar a musicalidade de uma vuvuzela", critica blogueiro (Foto: Reprodução)
O blogueiro Flávio Gomes, autor do Blog da Copa, disparou no sábado contra a revista Veja por ter dedicado uma página ao escritor português José Saramago na edição desta semana da publicação. Ele critica ainda a opção por destacar a relação entre o locutor Galvão Bueno e os usuários do Twitter, rede social de microblogues.
"Ontem (sexta-feira, 18) morreu José Saramago. O maior escritor da língua portuguesa mereceu desse semanário indefensável meia página, com uma foto e uma legenda editorializada, porque ”Veja” tem opiniões formadas até sobre índice e numeração de páginas", lamenta. "Diz a legenda: 'Estilo e equívoco", reduzindo Saramago a isso, a alguém que tinha estilo e era equivocado, para atacar as posições políticas e religiosas do escritor, comunista e ateu", aponta.
"Pois todas as palavras ditas e escritas por Saramago (...) mereceram da 'Veja' meia página, enquanto três palavras bobas espalhadas pelo Twitter foram parar na capa da revista e em sete de suas páginas", lamentou. A referência era à capa sobre o 'Cala boca Galvão', fenômeno no Twitter.
Segundo ele, são sete páginas sobre o tema, "uma bobagem infanto-juvenil que nem os 'tuiteiros' levam muito a sério, lançada no dia da abertura da Copa", descreve. "Aliás, nem o Galvão levou a sério, claro, porque discutir uma 'hashtag' de Twitter é como sugerir um seminário para analisar a musicalidade de uma vuvuzela, ou um congresso sobre comunidades bizarras do Orkut", ironiza.
Gomes acredita que a revista perdeu relevância depois da queda de Fernando Collor de Mello da Presidência, em 1992. "Naqueles anos de impeachment, as semanais deram vários furos, foram importantes, descobriram coisas. Depois, sumiram", registrou.
Ele conclui citando a avaliação de Saramago sobre a rede de microblogues. "Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido", disse Saramago. "Pois a 'Veja', hoje, inaugurou a era do grunhido impresso", concluiu.
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