Você está aqui: Página Inicial Blog Na Rede | Política, internet, economia As pessoas não morrem, ficam encantadas
Ferramentas Pessoais

Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

Na Rede 

Publicado em 03/03/2011

As pessoas não morrem, ficam encantadas

Mulher de Guimarães Rosa, dona Aracy morreu aos 102 anos. Durante a segunda metade do século 20, ela ajudou judeus a escapar do nazismo e protegeu perseguidos políticos

Aos 102 anos – completaria 103 em abril –, morreu dona Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, viúva do escritor Guimarães Rosa. Ela sofria de mal de Alzheimer. Com mãe alemã e pai brasileiro, paranaense, foi criada em São Paulo. Casou, desquitou-se e foi morar na Alemanha, ainda nos anos 1930, com o filho Eduardo, então com 5 anos. Arrumou emprego no consulado brasileiro em Hamburgo. O vice-cônsul era Guimarães Rosa, que depois seria chamado por ela de "Joãozinho". Casaram no México e voltaram ao Brasil em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial.

E foi nesse período que dona Aracy, responsável pelos vistos, se acostumou a auxiliar judeus. Por isso, é a única brasileira citada no Museu do Holocausto. Mas ela ajudava, na verdade, todo tipo de perseguidos. Um dos acolhidos por ela, após o Ato Institucional 5 (AI-5), de dezembro de 1968, foi o compositor Geraldo Vandré. Procurado pelo governo militar por causa da canção Pra não Dizer que não Falei das Flores (Caminhando), ele se escondeu durante quase um mês no apartamento de dona Aracy, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

"Era até gozado porque a vista do apartamento era para o Forte de Copacabana", contou anos atrás Eduardo Tess, filho de dona Aracy. "Eu me lembro que ali, com as cortinas abaixadas, a gente chegava a ver, pertíssimo mesmo, os soldados fazendo guarda", acrescentou o jornalista Arthur Poerner.

A ela, agradecido, Vandré dedicaria um poema escrito já no exílio, em livro lançado no Chile em 1973 e até hoje inédito no Brasil:
 
A graça já se fez, amiga,
E não vai se perder.
Só falta que eu bendiga
e vou me preparar para cumprir
a missão de agradecer
além do verso e da palavra.
Para tanto a poesia
tem muito que crescer.
O tempo eu não digo
porque me engano e vou desmerecer.
Garantido é que hoje sigo
mais seguro e mais forte
porque vais comigo
e mais posso fazer.
Porém além do verso e da palavra
Tem de ser
E ainda não sei quando
Irei bendizer
Da graça que foi tanta
De te conhecer


O mineiro de Cordisburgo João Guimarães Rosa morreu em 19 de novembro de 1967, três dias depois de tomar posse na Academia Brasileira de Letras. Foi ele que disse que "as pessoas não morrem, ficam encantadas". E que "aprender a viver é que é o viver mesmo".

 

Ações do documento
Powered by DISQUS comment system
Comentários
Sobre este blog

A equipe da Rede Brasil Atual e da Revista do Brasil revela os bastidores do mundo da política, economia, esportes e muito mais

Twitter Facebook Orkut Youtube Identica Flickr

null

null

null


Rádio Brasil Atual

Ouça o Jornal Brasil Atual de segunda a sexta, das 7h às 9h. Ou confira aqui, a qualquer hora, a programação completa.

Twitter Facebook Orkut Youtube Identica Flickr
Boletim

Cadastre-se e receba em seu e-mail

assineagora.jpg


 
Clicky Web Analytics