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Publicado em 28/06/2010

G-20: dois pra lá, nenhum pra cá

G-20: dois pra lá, nenhum pra cá

Obama chega para encontro do G8. Por que eles não têm um BB, CEF ou BNDES? (Foto: Reuters/Eric Feferberg/Pool)

Essa reunião do G-20, terminada no domingo, acabou como se esperava desde sempre: sem decisões dramáticas, muito antes pelo contrário.

Não havia mesmo clima para muito mais. O momento é, digamos, de “estudos internos”. Ou seja, cada país está fazendo as contas e os ajustes dentro de suas fronteiras para ver como vai contar com a saída da situação de aperto. Não há clima, portanto, nem para grandes decisões conjuntas, nem para alimentar grandes discordâncias e polêmicas.

A única certeza que cresce a cada reunião é a de que, com 6 países do G-8 no estaleiro, esse grupo virou um convescote onde seus membros procuram acertar estratégias para enfrentar a plenária maior. Mas nem isso funciona muito, porque hoje há uma oposição entre os Estados Unidos e os líderes da União Européia. Estes – Ângela Merkel à frente – querem afirmar e reafirmar seus pacotes recessivos como o remédio para a crise, sem o qual não há saída possível. E os Estados Unidos – assim como em outra ponta o Brasil – afirmam seu temor de que estes pacotes aprofundem mais a recessão na União Europeia e com isso aprofundem mais ainda a recessão mundial. Obama precisa de empregos; a U. E., sobretudo a Alemanha, precisa restringir o poder aquisitivo, enfraquecer os salários, conter os investimentos sociais para, com isso, assegurar o que gasta com o serviço de suas dívidas.

Por isso, sem que se registrassem grandes avanços em nenhuma direção, a reunião no Canadá acabou delineando, além das medidas de cortar déficits públicos pela metade até 2013 e estabilizar a relação déficit/PIB até 2016, apenas duas grandes certezas, ambas de natureza conservadora.

A primeira, já abordada, é a de que parte do G-8 (França, Itália, Alemanha, Reino Unido, Japão) vai jogar o seu peso no mundo para provocar mesmo um clima recessivo. Não adianta considerar que as medidas preconizadas têm um caráter indicativo e os prazos não são, na verdade, rígidos. Importa mais ver para onde eles apontam, o que sinalizam.

A segunda certeza é a de que, por necessidade desses mesmos devedores que torraram sua capacidade de investimento e agora exigem que os trabalhadores e pensionistas paguem a conta, assim como países menos poderosos desse mundo, ainda não chegou o momento, se é que chegará um dia, de colocar-se um freio eficaz na boca dos bancos e instituições financeiras que atuam internacionalmente. Não se trata de impor novos impostos internacionais sobre as movimentações financeiras. Trata-se isso sim de criar condições (de acordo com as recomendações do Comitê da Basiléia)  para que os bancos deixem de ser tão vulneráveis a perdas, que possam suporta-las e socializa-las entre seus acionistas, ao invés de penalizarem o sistema como um todo.

Para dar um exemplo, veja-se a recente observação do economista Joseph Stiglitz, segundo quem os EUA poderiam, com o capital usado para socorrer o sistema financeiro, ter fundado um novo banco [público] e com ele remanejar as condições de funcionamento do mercado financeiro. O que equivale a dizer algo mais ou menos assim: por que vocês, da economia mais poderosa do mundo, não têm um Banco do Brasil, uma CEF, um BNDES?

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Flavio Aguiar

Flávio Aguiar

É colaborador em Berlim. Toda semana traz suas análises nada convencionais sobre o que acontece na Europa e no mundo. Leia mais.

 
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