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Publicado em 11/11/2011

EUA: sinais de vida inteligente

EUA: sinais de vida inteligente

Pentágono: advertência contra um ataque ao Irã (Foto: Sgt. Ken Hammond/Força Aérea dos EUA Divulgação)

Há sinais de vida inteligente ao norte do Rio Bravo.

O Rio Bravo, que os norte-americanos chamam de Rio Grande, divide o México dos Estados Unidos, na altura do Texas. Pois ao norte do Rio Bravo surgiram sinais de vida inteligente na semana que passou, além dos movimentos Occupy a sua cidade.

No plano institucional, o Pentágono e o secretário da Defesa em Washington lançaram um alerta, advertindo que um ataque militar contra as instalações nucleares do Irã criaria uma situação “imprevisível”. Leia-se: a retaliação iraniana poderia ser contundente, a eficácia da ação não seria garantida, poderia surgir daí uma guerra prolongada ao invés de uma cirurgia localizada, como foi o bombardeio de instalações semelhantes no Iraque no século passado. Sem falar na situação das tropas norte-americanas ainda neste país e no Afeganistão e na dos civis israelenses. Esse alerta soa como uma advertência ao governo de Benyamin Netanyahu, aos sauditas e outras monarquias ou autocracias do Oriente Médio, e também... aos falcões de Washington, remanescentes da era e das táticas de George Bush, hoje ainda entrincheirados em setores do Departamento de Estado.

Já no plano político stricu sensu, houve alguns movimentos e resultados muito interessantes. No estado do Mississipi uma legislação que praticamente colocava fora da lei toda e qualquer forma de aborto foi rejeitada, em plebiscito. Apesar da declaração dos mentores do projeto de lei – sobretudo republicanos – de que vão continuar lutando pela sua aprovação, o resultado foi um banho de água fria nas suas pretensões. 

No estado de Ohio, também um plebiscito rejeitou o projeto de lei do governador republicano que tornava ilegal a atuação de sindicatos de trabalhadores de funcionários públicos, bem como greves nesse setor. A derrota foi considerada um duro revés para o governador, que pretendia seguir os passos de seu colega também republicano no estado de Wisconsin. Pode ser que esse resultado signifique uma reversão da tendência de endurecimento anti-sindical que em todas as frentes os republicanos vinham tentando implementar.

No estado do Arizona, que hoje tem uma das legislações mais duras anti-imigrantes ilegais, o principal mentor dessas leis, senador estadual Russel Pearce, perdeu sua cadeira para o também republicano, mas mais moderado, Jerry Lewis (sic!), numa votação de 53% x 45%, com os demais votos em branco ou nulos.  O senador Pearce foi o autor da lei 1070, que permite revistas indiscriminadas de pessoas com aparência de imigrantes, pedidos de documento sem razão aparente, devassa nas escolas e consultórios médicos atrás de filhos de imigrantes ilegais, etc.Tanto o governador de Ohio quanto o senador Pearce eram próximos do Movimento Tea Party que assim, por tabela, também foi derrotado nessas votações.

Como disse o líder João Amazonas, mas por motivos muito diferentes: “notícias alvissareiras”!

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Flavio Aguiar

Flávio Aguiar

É colaborador em Berlim. Toda semana traz suas análises nada convencionais sobre o que acontece na Europa e no mundo. Leia mais.

 
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