Você está aqui: Página Inicial Blog Blog do Velho Mundo | Por Flavio Aguiar Eleições na Dinamarca: nova tendência na Europa?
Ferramentas Pessoais

Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

velho mundo header

Publicado em 16/09/2011

Eleições na Dinamarca: nova tendência na Europa?

Eleições na Dinamarca: nova tendência na Europa?

Hellen Thorne-Schmidt, líder do Partido Social Democrata, vai se tornar a primeira mulher a ser chefe de governo naquele país (Foto: Nils Meilvang/Scanpix/Reuters)

A eleição nacional na Dinamarca, realizada nesta quinta-feira, confirmou o resultado que se esperava. Hellen Thorne-Schmidt, líder do Partido Social Democrata, vai se tornar a primeira mulher a ser chefe de governo naquele país. Uma coalizão descrita como de centro-esquerda, liderada por ela e por seu partido, derrotou a do atual governo, liderada por Lars Lokke Rasmussen, que tinha a participação do Partido do Povo Dinamarquês, anti-muçulmano, xenófobo, anti-imigrante, etc.

A maioria conseguida deve ficar em torno de 5 votos em 179 do parlamento dinamarquês. É pouco, mais significativo, pois a coalizão de direita governava a Dinamarca há dez anos. As medidas de direita que Lars liderava garantiram apoio a seu governo numa época de crise econômica e crescimento da imigração em toda a Europa, alinhando o país ao lado de outros como a Áustria, Hungria, Suíça, Holanda, Finlândia, que são ou foram governados recentemente por partidos ou coligações de extrema-direita.

A Dinamarca chegou a romper unilateralmente com o acordo de Schengen, que prevê a livre circulação de cidadãos entre os países da União Européia, ou de viajantes admitidos num deles, restabelecendo a possibilidade do controle policial em suas fronteiras independentemente da dos outros. Entretanto, o governo não se sustentou diante de uma economia estagnada e do crescimento da dívida pública, o que também ameaça outros governos no continente.

Também na Noruega houve eleições recentemente. No fim de semana de 12 de setembro houve eleições municipais e regionais, pela primeira vez desde que Anders Behring Breivik, o terrorista neo-nazi, perpetrou um massacre em que morreram 77 pessoas, na maioria jovens pertencentes à juventude do Partido Trabalhista. Este partido saiu-se bem, com cerca de 33% dos votos, num resultado descrito como o melhor de sua história neste tipo de eleição. O Partido Conservador, de direita, veio em segundo, com 27 %, num crescimento significativo em relação a desempenhos anteriores. Mas isso foi obtido, em parte, devido à queda vertiginosa da votação no Partido do Progresso, de que Breivik foi membro durante alguns anos, de cerca de oito pontos percentuais, para 11 %. Este Partido, de pregação anti-islâmica e de extrema-direita, tentou se desvincular sem sucesso de Breivik.

Na Alemanha haverá eleição no domingo em Berlim. Espera-se a recondução do atual prefeito, Klaus Wowereit, da esquerda do Partido Social Democrata. Não se sabe ainda, no entanto, com que configuração geral o resultado vai se apresentar. O Partido Verde, que crescera vertiginosamente depois do desastre de Fukushima, a ponto de desafiar, com Renate Künste, a liderança de Wowereit, na prefeitura há dez anos, está caindo, e foi ultrapassado pela CDU, União Democrata Cristã, da chanceler Ângela Merkel. A Linke, a Esquerda, também está caindo nas intenções de voto. O FDP, que faz parte da coalizão governante na Alemanha, caiu tanto que deve ficar fora do parlamento berlinense (para participar do parlamento um partido deve obter pelo menos 5% dos votos).

Mas a sensação na votação berlinense é o Partido Pirata, que ultrapassou a marca dos 5 % das intenções de voto e pode, pela primeira vez, ter assentos num parlamento alemão. Se isso se confirmar, serão poucos os assentos, de três a cinco em mais de uma centena e meia. Mas serão preciosos, devido ao ineditismo do fato.

Tradicionalmente os Partidos Piratas, de atuação mundial, mas concentrada na Europa, se caracterizavam por terem propostas apenas relativas à liberdade na internet. Eram de jovens tidos como simpáticos, alternativos e quase nada mais. Em 2007 conquistaram pela primeira vez um assento no Parlamento Europeu, a partir da Suécia, e agora estão em vias de ganhar uma segunda, devido ao aumento de representantes pela reforma do Acordo de Lisboa. Sempre se recusavam a definir propostas em outros campos, pois, argumentavam muitos, avançar em outras áreas poderia acarretar perda de votos, já que tinham eleitores de todos os matizes ideológicos.

Não foi o que aconteceu em Berlim. Assumindo propostas aqui consideradas ousadas, como a do estabelecimento de um salário mínimo, ou a do fim do imposto que as igrejas podem cobrar de seus adeptos, além de bandeiras ecológicas, o Partido Pirata começou a “saquear” votos dos outros, sobretudo da Linke, dos Verdes e do próprio SPD. Com uma campanha criativa e bem humorada, passaram a crescer e podem crescer ainda mais nessa reta final.

Resta saber se isso que aconteceu na Noruega, na Dinamarca e deve acontecer agora em Berlim é uma nova tendência ou apenas fatos episódicos numa Europa dominada por perspectivas conservadoras em todas as frentes.

PS - Por uma dessas bruxarias do destino alguns dos posts anteriores sumiram do blog. Pedimos desculpas aos leitores pelo inconveniente.

Ações do documento
Powered by DISQUS comment system
Comentários

Flavio Aguiar

Flávio Aguiar

É colaborador em Berlim. Toda semana traz suas análises nada convencionais sobre o que acontece na Europa e no mundo. Leia mais.

 
Twitter Facebook Orkut Youtube Identica Flickr

null

null

null

null

Rádio Brasil Atual

Ouça o Jornal Brasil Atual de segunda a sexta, das 7h às 9h. Ou confira aqui, a qualquer hora, a programação completa.

Twitter Facebook Orkut Youtube Identica Flickr
Boletim

Cadastre-se e receba em seu e-mail

assineagora.jpg


 
Clicky Web Analytics