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Publicado em 18/01/2010

Fórum econômico de Davos admite "crise de valores"

Fórum econômico de Davos admite "crise de valores"

Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, admite necessidade de reforma na arquitetura do sistema financeiro (Foto: Remy Steinegger/FEM)

A uma semana de iniciar sua 40ª edição, em Davos, na Suíça, o Fórum Econômico Mundial publica pesquisa sobre como a população enxerga a economia e os responsáveis pela crise de 2008 e 2009. A conclusão do levantamento é de que os entrevistados consideram que as empresas multinacionais não agem com base em valores como honestidade, integridade e transparência.

Foram ouvidas 130 mil pessoas em 10 países – França, Alemanha, Índia, Indonésia, Israel, México, Arábia Saudita, África do Sul. Dois terços dos entrevistados reconhecem, na crise econômica pela qual o mundo passa, também uma crise ética e de valores. O índice alcança 79% entre os participantes maiores do que 30 anos.

Apenas um em cada quatro entrevistados consideram que empresas multinacionais agem a partir de valores. Mais de 60% disseram que as pessoas não aplicam os mesmos padrões em suas vidas profissionais e pessoais.

"Como a atual crise econômica revelou, tornou-se evidente que a arquitetura financeira internacional necessita de reforma", escreveram John J. DeGioia, presidente da Universidade de Georgetown, e Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico, na apresentação da pesquisa. "Também é abundantemente claro que o sistema internacional tem sido comprovadamente insatisfatórios a respeito de muitos de seus objetivos centrais como crescimento econômico sustentável, erradicação da pobreza, segurança humana, promoção de valores, prevenção de conflitos e muitos outros", completam.

O tom do discurso contrasta com o papel exercido pelo Fórum Econômico Mundial por muitos anos. Reunião de presidentes e ministros de potências mundiais, além de representantes de multinacionais e organismos multilaterais – como o Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial (Bird) etc. –, o encontro era o palco de debates de políticas neoliberais. A defesa da liberalização da economia e do Estado mínimo era uma das bandeiras mais presentes.

Foi como resposta ao fórum de Davos que ativistas do mundo inteiro iniciaram uma mobilização para discutir alternativas para combater o "pensamento único". Desde sua criação, em 2001, em Porto Alegre, o Fórum Social Mundial, com seus desdobramentos e edições por diferentes partes do mundo, sofreu mudanças.

Questões sociais e combate à pobreza ganharam importância, assim como a necessidade de mudanças na economia e de regulamentação do mercado financeiro, como forma de se prevenir novas crises. O tom contrasta com o padrão anterior, em que apenas o mercado livre interessava.

A pesquisa faz parte de uma série de publicações ligadas a questões religiosas e diálogos entre o mundo Ocidental e povos muçulmanos, iniciada em 2001 – após os atentados de 11 de setembro daquele ano. Intitulado "Fé e a agenda global: valores para a economia pós-crise" o caderno traz artigos de líderes religiosos, incluindo o brasileiro Frei Betto e o secretário geral da Caritas Internationalis.

O frei da ordem dos Dominicanos é um ativista da teologia da libertação, "figura carimbada" dos FSM e com relações com movimentos e partidos de esquerda. Foi opositor da Ditadura Militar brasileira e assessor especial do presidente Lula. Lesley-Anne Knight, da Cáritas Internationalis, comanda a rede ligada à Igreja Católica que promove ações em defesa dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável, muitas delas ligadas a associações e cooperativas de agricultura familiar.

A íntegra do relatório está na página do Fórum Econômico Mundial.

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