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PREOCUPAÇÃO

Desmatamento influencia na queda de níveis dos reservatórios em São Paulo

Seis sistemas da região metropolitana operam abaixo de período pré-crise. Especialista critica troca de comando na Sabesp
por Redação RBA publicado 27/06/2018 11h35, última modificação 27/06/2018 11h48
Seis sistemas da região metropolitana operam abaixo de período pré-crise. Especialista critica troca de comando na Sabesp
EBC
crise hídrica

Hoje, Cantareira opera com 44%. Reservatório trabalhava com 73,5%, em 2012, e 61,5% no ano seguinte

São Paulo – Os níveis dos seis reservatórios da região metropolitana de São Paulo estão abaixo do que estavam em 2013, um anos antes da crise hídrica de 2014 a 2015. Para Wagner Ribeiro, professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), o desmatamento e a troca de gestão na diretoria da Sabesp influenciam nos números.

Conforme a RBA antecipou no último dia 7a pior situação é a do sistema Cantareira, que opera muito abaixo dos indicadores no período pré-crise. Hoje com 44%, o reservatório operava com 73,5% em 2012 e 61,5% no ano seguinte. "Nada disso é comentado, parece que estamos numa situação normal, sendo que deveríamos estar num nível de atenção, quase alerta. Ficamos preocupados", afirma Wagner à jornalista Marilu Cabañas, na Rádio Brasil Atual.

Os níveis de chuva estão abaixo da média. Na Cantareira, choveu 19,3 milímetros neste mês até agora, quando a média do período é de 61,1 mm. Para o especialista, essa redução na pluviometria é também motivada pelo descontrole sobre o desmatamento.

"Uma das causas da queda de volume de chuva é o desmatamento. São Paulo não consegue manter o nível de umidade como antes. Infelizmente, nós assistimos o avanço do desmatamento de Mata Atlântica no entorno da região metropolitana. Mas há outros fatores, a capital está mais aquecida, por conta da quantidade de automóveis e ausência de árvores", explica o professor da USP.

Outra questão apontada por ele é a troca de comando na Sabesp. Em maio, Karla Bertocco Trindade assumiu a presidência da empresa. A preocupação se dá pelo fato de ela ter sido subsecretária de Parcerias e Inovação no governo paulista. "Ela foi uma das gestoras dos projetos de privatização, o que sinaliza uma mudança objetiva da Sabesp, criando preocupação. Nem os investidores ficaram felizes com a troca no comando", pondera.

 

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