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Nordeste

Em defesa da água, mulheres sem terra ocupam Chesf e Usina de Xingó

Trabalhadoras enfatizam que a Chesf é do povo e, portanto, devem estar a serviço do povo e não de empresas privadas. PM de Minas rompe portão e lança bombas contra manifestantes
por Redação publicado 20/03/2018 09h58, última modificação 20/03/2018 10h42
Trabalhadoras enfatizam que a Chesf é do povo e, portanto, devem estar a serviço do povo e não de empresas privadas. PM de Minas rompe portão e lança bombas contra manifestantes
mst/divulgação
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Ocupação da Chesf, em Minas Gerais. Empresa pública deve prestar serviços à classe trabalhadora, mas está sendo entregue ao capital por Temer

São Paulo – Na manhã desta terça-feira (20), cerca de duas mil mulheres sem terra ocuparam a sede da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), em Paulo Afonso, localizada no nordeste da Bahia. A mobilização é parte da Jornada de Lutas do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, o MST, que também na manhã de hoje ocuparam a fábrica da Nestlé em São Lourenço-MG. A Polícia Militar de Minas Gerais, estado governado pelo petista Fernando Pimentel, invadiu a empresa e, sem diálogo, lançou bombas de gás lacrimogênio contra as manifestantes. Duas mulheres ficaram feridas e outras passaram mal com o efeito do gás.

A ocupação mobiliza trabalhadoras assentadas e acampadas dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, com o objetivo de barrar as medidas antipopulares do governo Temer e as privatizações de empresas estatais como a Chesf.

A estatal atua com capital aberto e trabalha na geração e transmissão de energia em alta e extra-alta tensão, a partir da bacia hidrográfica do rio São Francisco. As sem terra enfatizam que a Chesf é do povo e, portanto, os frutos de sua produção devem estar a serviço da classe trabalhadora e não de empresas privadas.

Xingó

No Sergipe, mais de trezentas mulheres ocuparam a portaria da Usina de Xingó, em Canindé de São Francisco. As trabalhadoras residem no perímetro irrigado do Jacaré Curituba e afirmam que irão permanecer no local até que uma audiência seja marcada com a superintendência da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Reivindicam também que a audiência seja realizada com a presença de um procurador federal, pois querem documentada a informação de quem é a responsabilidade da gestão do perímetro irrigado do Jacaré Curituba.

Lucinéia Durães, da direção nacional do MST, diz que a água faz parte da soberania nacional. “Um povo que não controla seus recursos naturais não tem condição de ser soberano. Por isso ocupamos Chesf para dizer que defendemos o trabalho, defendemos nosso país e, principalmente, o nosso povo”.