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má gestão

Sabesp desperdiça mais água com vazamentos do que a população consegue economizar

Em 19 meses, água perdida nos vazamentos representa 61,2% da capacidade de represamento do volume útil do sistema Cantareira. Se considerados também os "gatos", o montante chega a 92%
por Redação RBA publicado 22/03/2016 12h12
Em 19 meses, água perdida nos vazamentos representa 61,2% da capacidade de represamento do volume útil do sistema Cantareira. Se considerados também os "gatos", o montante chega a 92%
Danilo Ramos/RBA
falta de água

Enquanto a população economizava água como podia e passava dias com as torneiras secas, a Sabesp desperdiçava

São Paulo – A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) desperdiçou mais água tratada com os vazamentos de sua rede de distribuição do que a população conseguiu economizar motivada por bônus e multas. A empresa, controlada pelo governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB), contabilizou perdas de 600,6 bilhões de litros de água decorrente de vazamentos, entre março de 2014 (início da crise hídrica) e setembro de 2015, nas regiões metropolitanas de São Paulo e de Bragança Paulista. No mesmo período, a população economizou 225,7 bilhões de litros de água. Os dados foram obtidos pelo site Fiquem Sabendo, por meio da Lei de Acesso à Informação (Lei Federal 12.527/2011).

O volume perdido no vazamentos equivale a 61,2% da capacidade de represamento do volume útil do sistema Cantareira, que é 982 bilhões de litros de água. Se considerada também a água consumida pela população por meio de ligações clandestinas – os chamados gatos –, os casos de erro nos medidores de água e falhas de cadastro, o volume de água tratada pela Sabesp que não gerou receita financeira para a empresa chega a 907,6 bilhões de litros de água. Equivalente a 92% do Cantareira. Nessa conta não é contabilizado o volume morto.

O volume total de água desperdiçada pela Sabesp – 906,7 bilhões de litros –, durante pouco mais de um ano e meio de seca, é 302% a maior que o poupado, no mesmo período, pela população. Desde janeiro deste ano, graças às chuvas ocorridas desde novembro, o Cantareira voltou a ser o principal manancial da Região Metropolitana de São Paulo, abastecendo 5,7 milhões de pessoas. Antes da seca, porém, ele chegou a abastecer 8,8 milhões de pessoas.

Segundo a Sabesp, o volume mensal de água economizado pela população teve forte crescimento nos meses posteriores à implantação do programa de incentivo à diminuição do consumo: Bônus e multa. Em março de 2014, 2,8 bilhões de água foram economizados. Em junho do mesmo ano, o volume superou 10 bilhões de litros.

No entanto, parte disso se refere também à redução de pressão no bombeamento de água, praticado pela Sabesp justamente para reduzir os vazamentos ao longo da rede. Essa medida acabou por deixar bairros inteiros sem água por até 15 horas consecutivas. Houve denúncias de até regiões na zona leste da cidade de São Paulo que ficaram 48 horas sem água. O que também foi determinante para reduzir o consumo da população.

Por meio de nota, a Sabesp informou que: "A ação de combate às perdas é um programa permanente da Sabesp. O total perdido em março de 2014 entre perda real (vazamentos) e perda aparente (comerciais) é de 30,8 % do total produzido. Já em dezembro de 2015, o índice ficou em 27,1 %. A Sabesp tem aumentado recursos aplicados no combate a perdas, mesmo antes da crise hídrica. Nos últimos dez anos, o índice de perdas físicas por vazamentos foi reduzido em 10 pontos percentuais, estando hoje em 18%, próximo aos 16% do Reino Unido."