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Reaproveitamento

Oficinas buscam capacitar litoral de São Paulo para nova gestão de resíduos sólidos

Coordenador de programa nos Estados Unidos, responsável por reciclar 80% do lixo ano passado em San Francisco, vai auxiliar gestores públicos e sociedade civil a se adaptarem a nova legislação
por Redação RBA publicado 10/06/2013 12h14, última modificação 10/06/2013 13h10
Coordenador de programa nos Estados Unidos, responsável por reciclar 80% do lixo ano passado em San Francisco, vai auxiliar gestores públicos e sociedade civil a se adaptarem a nova legislação
Arquivo ABr
Resíduos Sólidos

Os resíduos sólidos orgânicos representam, em média, cerca de 60% do total de resíduos gerados no Brasil

São Paulo – Entre os próximos dias 12 e 17, o coordenador do programa Resíduo Zero, da prefeitura de San Francisco (EUA), dará oficinas temáticas em São Paulo sobre alternativas de tratamento de resíduos sólidos urbanos. Coordenado por Kevin Drew, o programa conseguiu 80% de reaproveitamento de resíduos sólidos domiciliares no ano passado. As oficinas ocorrerão em Itanhaém, São Paulo, Guarujá e Ubatuba.

A ideia é dar oportunidade a gestores públicos e à sociedade civil de aprofundarem seus conhecimentos sobre rotas tecnológicas de tratamento de resíduos sólidos domiciliares, especialmente o sistema de biodigestão, de forma a contribuir para que os municípios avancem rumo à gestão sustentável de resíduos sólidos urbanos.

Em entrevista à Rádio Brasil Atual, a coordenadora de resíduos sólidos do Instituto Pólis, Elisabeth Grimberg, explicou que a experiência de São Francisco deve servir como exemplo para uma mudança de cultura na gestão dos resíduos sólidos no litoral paulista e também na capital.

“Além da questão dos 80% de reaproveitamento, a experiência de São Francisco chama a atenção pelo aspecto de que isso foi alcançado no prazo de dez anos, o que não é muito tempo, com o desafio de educar a população para separar os resíduos em três tipos:  orgânicos, secos – que são os recicláveis – e o rejeito, que é a fração dos resíduos que geramos em casa, que não têm tecnologia nem mercado para o tratamento, e precisam ir para os aterros sanitários.”

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Ela acredita que socializar essa experiência com os gestores municipais e a população pode ajudar significativamente na implementação da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, que aponta 2014 como prazo para a destinação apenas dos rejeitos para aterros sanitários, que representam 10% dos resíduos domiciliares. Os demais 90%, compostos por resíduos orgânicos e secos, deverão ser tratados e reaproveitados.

“Nossa aposta é que seja este o caminho porque ele é sustentável do ponto de vista ambiental, da inclusão das cooperativas de catadores, gera frente de trabalho, e no caso do litoral permitiria encurtamento do circuito de tratamento e deslocamento dos resíduos”, disse. O lixo da Baixada Santista sobe a serra em caminhões rumo aos aterros sanitários em Tremembé.

“Dependendo da época do ano, pode demorar até seis horas para os resíduos chegarem no aterro, além dos altos custos, a grande frequência de tombamentos dos caminhões com os resíduos, o que causa trânsito e contaminação do sólido, e há a questão das emissões de gás carbônico durante o transporte.”

Para a coordenadora do Instituto Pólis, as oficinas representam uma oportunidade para a população participar e aprender sobre os processos de reaproveitamento do lixo. “É uma oportunidade da população se inteirar, participar e colaborar ao se educar e se preparar para a separação dos resíduos nas três categorias.”

Mais informações sobre as oficinas podem ser obtidas com a organização Litoral Sustentável.

Ouça aqui a reportagem de Marilu Cabañas na Rádio Brasil Atual.