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São Paulo pode ter mapa de árvores

Programa desenvolvido pelo IPT a pedido da prefeitura, durante a gestão Marta, está pronto há quatro anos, mas agora deve sair do papel. As informações podem sistematizar o gerenciamento e garantir vida mais saudável às plantas, reduzindo o risco de quedas
por Evelyn Pedrozo, da RBA publicado 19/05/2009 18h57, última modificação 20/05/2009 17h15
Programa desenvolvido pelo IPT a pedido da prefeitura, durante a gestão Marta, está pronto há quatro anos, mas agora deve sair do papel. As informações podem sistematizar o gerenciamento e garantir vida mais saudável às plantas, reduzindo o risco de quedas

Cidade tem 1,5 milhão de árvores, muitas delas têm de 60 a 70 anos; algumas passam dos 100 anos (Foto: Evelyn Pedrozo)

No dia 5 de maio, um vendaval chacoalhou a cidade de São Paulo, e aproximadamente 60 árvores, especialmente as mais antigas, foram ao chão. Neste ano, segundo o Corpo de Bombeiros, já caíram 830. Essas ocorrências, além de colocar vidas em risco, causam sérios prejuízos materiais aos cidadãos. E o ressarcimento só é possível por vias judiciais. O município tem aproximadamente 1,5 milhão de árvores.

Mas essa situação pode começar a mudar. A Prefeitura de São Paulo deve implementar em junho um software de gerenciamento das árvores urbanas desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas, com orientação da Prodam e da Secretaria Municipal do Verde. A ferramenta foi encomendada na gestão Marta, em 2003, e entregue na gestão Serra, em 2005.

Segundo o pesquisador do Centro de Tecnologia de Recursos Florestais (CT-Floresta), do IPT, Sérgio Brazolin, o software permite organizar dados para gerar um histórico das plantas, como sua localização e condição biológica, e controlar as inspeções realizadas.

Para desenvolver o programa, o IPT foi a campo em algumas regiões da cidade, como Jardins, Alto da Lapa, Alto da Boa Vista, Alto de Pinheiros, Paraíso, Pacembu, para catalogar as árvores, na maioria com 60 a 70 anos, e onde há muita incidência de cupins. “A partir desse estudo fizemos o diagnóstico, com informações sobre fungos, cupins, medidas da planta, entre outros dados. Com isso, desenvolvemos um modelo matemático sobre risco de queda”, explica o pesquisador.

Com esse programa, e a partir de 60 atributos previstos no levantamento, a Prefeitura vai poder cadastrar todas as árvores da cidade. As informações poderão ser georeferenciadas, o que significa que será possível gerar mapas com todas as árvores da cidade. Mas o preenchimento desses atributos depende de funcionários bem treinados, destaca Brazolin.

O pesquisador do IPT informa que, com essa ferramenta, a Prefeitura poderá saber, por exemplo, quantas árvores têm cupim, e qual gasto isso exigirá da administração. Os dados podem ficar na intranet ou na internet. Dessa forma, qualquer pessoa poderá saber o estado de uma árvore.

O coordenador de Áreas Verdes da Secretaria de Subprefeituras de São Paulo, André Graziano, explica que inicialmente a ideia é criar um manual de preenchimento de cadastro em uma primeira área para ser replicado nas demais. Esse trabalho deve começar pela zona leste e durar uns quatro meses.

No futuro, explica Graziano, também será possível verificar se a arborização urbana pode alterar o microambiente e diminuir o calor intenso, assim como absorver ruído e poluição em regiões mais populosas, e, portanto, mais quentes.

As árvores que mais caem, em geral, são do tipo Tipuana (argentina, muito frequente nos Jardins e Vila Mariana), Sibipiruna (nacional) e Alfeneiro (asiática), por serem as mais antigas. "Atualmente, o plantio mais frequente na cidade é de ipês e outras plantas nativas de médio porte”, explica Graziano.

Controle

A árvore é considerada um bem público e apenas a Prefeitura tem poder para poda ou remoção. Até mesmo para plantar uma árvore, é recomendável que o cidadão chame a Subprefeitura local.
Entre janeiro de 2005 e este mês, a Prefeitura aplicou 2.309 multas por poda ou corte irregular, num total de R$ 5,3 milhões. As infrações vão de R$ 276,27 a R$ 1.105,08, de acordo com o porte da árvore, de acordo com informações da Secretaria das Subprefeituras.

Não são apenas os vendavais os responsáveis pelas quedas de árvores. Plantio incorreto, cupins, fungos apodrecedores, corte de raízes e idade do vegetal são fatores que, somados ao período das chuvas, também derrubam as árvores ao chão.

A Defesa Civil de São Paulo aconselha os cidadãos a alertarem a subprefeitura local sempre que houver suspeita sobre risco de árvores. A retirada acontece não apenas nos casos de risco de queda, mas também quando a vegetação estiver prejudicando a sinalização de trânsito, atrapalhando o desenvolvimento de outras árvores, colocando em risco a fiação elétrica ou interferindo de forma prejudicial no patrimônio público ou privado.

A Defesa afirma ainda que é preciso muita atenção, pois propagandas em muros e postes espalhadas pela cidade divulgam serviços de poda e remoção, feitos ilegalmente e por pessoas nem sempre capacitadas.

 

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